SARKOZY, AME-O OU DEIXE-O
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SARKOZY, AME-O OU DEIXE-O

andreinetto

18 de abril de 2012 | 19h10

Eleições na França 2012

O que há muito se suspeitava na França agora está cristalino. Ninguém mais esconde, no meio político, que as eleições presidenciais na França serão uma espécie de plebiscito: ser contra ou a favor de Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição pela União por um Movimento Popular (UMP, centro-direita). No domingo, 43 milhões de eleitores inscritos e portanto aptos a votar vão às urnas na França “metropolitana” e em seus territórios além-mar para responder se querem ou não conceder mais cinco anos ao atual locatário do Palácio do Eliseu, eleito pela primeira vez em 2007.

À exceção do candidato centrista François Bayrou, líder do Movimento Democrático (Modem), todos os demais oito aspirantes ao Eliseu usam, em maior ou menor grau, o “anti-sarkosysme” como discurso de campanha. O surpreendente é que essa rejeição, que também é forte no eleitorado, reúne pretendentes em tese tão antagônicos como a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, de extrema direita, e o líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, da extrema esquerda.

Convidado pela rede de TV TF1, a Globo francesa, Mélenchon afirmou nesta quarta-feira que ele e o líder do Partido Socialista (PS), François Hollande, têm um “programa comum”: “despedir Nicolas Sarkozy”. Le Pen, por sua vez, atacou o presidente afirmando: “Votar em Sarkozy não serve para nada”.

Mas o Prêmio Antissarkozista 2012 vai para a jurista Eva Joly, candidata do movimento Europe Ecologie-Partido Verde, que também na quarta-feira realizou uma turnê por pontos de Paris e da periferia para denunciar as irregularidades que rondam o mandato do atual chefe de Estado.

A rejeição no meio político, é claro, reverbera a impopularidade do atual presidente, que reúne apenas 36% de avaliações positivas, contra 64% de descontentes, de acordo com pesquisa realizada pelo instituto Ifop há quatro dias. Para efeitos de comparação, seu primeiro-ministro, François Fillon, tem 51% de apoio. Ou seja: não é o governo Sarkozy o mais rejeitado; é o presidente em si o mal-amado.

Por essas e outras razões, as eleições deste domingo, 22 de abril, e de 6 de maio, data do segundo turno, se transformaram em um verdadeiro referendo. A França adaptou o velho – e terrível – slogan: é Sarkozy, ame-o ou deixe-o.

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