SARKOZY, MÁQUINA ELEITORAL
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SARKOZY, MÁQUINA ELEITORAL

andreinetto

21 de abril de 2012 | 20h33

Eleições na França 2012

Já disse mais abaixo, mas quero repetir nesta véspera de primeiro turno: não deem Sarkozy como vencido, qualquer que seja o resultado deste domingo. O favoritismo de Hollande, apontado pelas pesquisas eleitorais, é pouco diante do talento incomparável de Sarkozy em campanha e diante de sua experiência eleitoral e como chefe de Estado. Se há quem se pergunte se o socialista é um fraco ou não, quanto ao presidente não restam dúvidas sobre sua força. Escrevi mais abaixo: Sarkozy é um animal político. Está ferido, mas não está morto.

Sobre Sarkozy, já projetando o segundo turno, conversei na sexta-feira com Émmanuel Rivière, cientista político e analista do instituto de pesquisas TNS-Sofres, o maior da França. “Seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP), é uma máquina de guerra eleitoral muito eficaz”, adverte ele. Segue a entrevista.

O que explica o recente declínio das intenções de voto em Nicolas Sarkozy?

Nicolas Sarkozy é prejudicado por vários elementos: a crise, o descontentamento dos franceses, sua má imagem. Mas o principal é que a direita está no poder há 10 anos, e ele está no Palácio do Eliseu há cinco. Os franceses estão acostumados à alternância e à substituição dos governos. Além disso, Sarkozy tem uma imagem menos boa do que todos os seus antecessores.

Quais são suas forças no segundo turno?

Seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP), é uma máquina de guerra eleitoral muito eficaz e sua campanha foi excelente, apesar do declínio de Sarkozy quando do início da igualdade do tempo de exposição na TV e no rádio. Ele teve a capacidade de neutralizar outros candidatos à direita, assim como de fazer propostas que levam em conta preocupações dos franceses em diferentes assuntos, como imigração, Schengen, Europa, desemprego. Por isso houve um momento positivo, impulsionado pelos atentados de Toulouse e Montauban. Nada impede que ele repita essa dinâmica.

E o que faz a fraqueza de Sarkozy e o favoritismo de Hollande no segundo turno? 

Historicamente, um candidato que está liderando as pesquisas do segundo turno no mês de abril nunca foi batido nas eleições da França. Há razões para o campo de Hollande para o otimismo, assim como para o campo de Sarkozy para estar pessimista. Mas o PS precisa ficar muito atento para não passar uma imagem de uma eleição já vencida, o que poderia desmobilizar seu eleitorado.

Esta é uma campanha polarizada por fortes discursos de esquerda e direita, não?

Sim, a opinião pública vê grandes diferenças nas propostas de campanha de Sarkozy e Hollande. Há uma fronteira direita-esquerda que se aplica a quase todos os assuntos: economia, emprego, crescimento, administração pública, imigração, homossexualismo.

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