A Era do Bronze: Kirchner como estátua, delegacia e maratona em mocassins
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A Era do Bronze: Kirchner como estátua, delegacia e maratona em mocassins

arielpalacios

29 Setembro 2011 | 23h29

 

A Era do Bronze: Ex-presidente Kirchner é recordado com rebatizados de ruas, rodoviárias e até um longa-metragem. Acima, imagem que mostra como ficaria estátua de Kirchner em Rio Gallegos, sua cidade natal.
 imagem em bronze do ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro passado de um fulminante ataque cardíaco, promete substituir a figura do também morto ex-presidente e general Julio Argentino Roca (1843-1914) na principal avenida de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz, feudo do kirchnerismo nas últimas duas décadas e meia, no extremo sul do país. O plano de um grupo de políticos locais é retirar a imagem do general que conquistou a Patagônia e colocar uma estátua de Kirchner.

O grupo, que conta com o respaldo midiático de Rudy Ulloa – ex-office boy dos Kirchners que em meia década transformou-se em magnata dos meios de comunicação na Patagônia – quer inaugurar a estátua às pressas, no dia do primeiro aniversário de sua morte, o 27 de outubro. A data quase coincidirá com as eleições presidenciais, marcadas para o 23 de setembro, dia no qual apresidente Cristina Kirchner, viúva do ex-presidente, disputará sua reeleição.

O lugar do monumento é a antiga avenida presidente Julio Roca, rebatizada de “avenida Néstor Kirchner” poucos dias após a morte do marido da presidente Cristina. “Em todos seus discursos públicos, a presidente Cristina sempre alterna uma referência sobre seu governo com seu marido morto”, afirmou ao Estado Luis Majul, autor de “Ele e ela”, livro que disseca a relação de poder dentro do casal presidencial.

Analistas políticos afirmam que o governo recorre à necromania, marca bastante constante da política argentina nos últimos dois séculos, e faz um uso propagandístico intensivo da morte de Kirchner.

A estátua original em argila usada para o molde em bronze

AVENIDAS, FUTEBOL E PRISÃO – Desde sua morte, há quase um ano, dezenas de estradas, avenidas, rodoviárias, pontes e centros culturais – além de prêmios e bolsas de estudo – foram rebatizadas com o nome do ex-presidente. Na pressa de batizar algum edifício com o nome de Kirchner, o governador de Misiones, Maurice Closs, optou por dar o nome do ex-presidente à uma delegacia/prisão na cidade de Posadas.
A Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada por Julio Grondona, um aliado da presidente Cristina,batizou o prêmio do campeonato nacional de futebol com o nome do ex-presidente.

LEITE COM PADROEIRO PRESIDENCIAL – Na sexta-feira foi a vez da própria presidente Cristina inaugurar um centro de produção e de genética da área leiteira com o nome de “Nestor Kirchner”. Na ocasião, Cristina afirmou que o “enorme esforço físico” de seu marido em defesa do modelo político e econômico teria provocado sua morte.

FILME E PINGUIM – A estreia do documentário longa-metragem sobre a vida do ex-presidente Kirchner, anunciado com toda pompa em março passado, será adiada até o ano que vem. Mais de 80% do filme já foi concluído pelo diretor uruguaio Adrián Caetano, que conta com a participação da filha de Kirchner, Florência, estudante de cinema. No entanto, sem maiores explicações, a presidente Cristina decidiu adiar a estreia para março.

O filme ainda não possui um nome definido. Uma das sugestões apresentadas pela produção, “O pinguim louco” (em referência ao apelido de Kirchner, “o pinguim”) foi rejeitada categoricamente pelos integrantes do governo.

Mocassins eram a marca registrada de Néstor Kirchner. Era a delícia dos caricaturistas. Mas, também tornou-se símbolo de seus simpatizantes. Capa da revista “Debates”, criada pelo atual chanceler Héctor Timerman, na semana que Kirchner bateu os mocassins para sempre.


MARATONA COM MOCASSINS – No dia 10 de outubro os bosques de Palermo serão o cenário da “Maratona da alegria Nestor Kirchner”. O trajeto completo da corrida será de 8 quilômetros. Mas, haverá uma versão especial de 2 quilômetros para aqueles que façam a corrida em mocassins, o calçado preferido de Kirchner (o ex-presidente costumava ostentar em público mocassins sem lustrar, sempre empoeirados, que eram a delícia dos caricaturistas).

O evento, organizado pelo Clube dos Corredores, conta com o patrocínio de diversos ministérios.

Vários integrantes do governo (abaixo dos 45 anos) anunciaram que estarão presentes para suar nessa jornada esportiva que terá forte condimento político.

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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