A Guerra do Papel Higiênico: Revolução Bolivariana trava batalhas na retaguarda (e uma contribuição sobre o debate da orientação da ponta do rolo do papel higiênico)
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A Guerra do Papel Higiênico: Revolução Bolivariana trava batalhas na retaguarda (e uma contribuição sobre o debate da orientação da ponta do rolo do papel higiênico)

arielpalacios

16 de maio de 2013 | 10h32

O Império contra-ataca: soldados imperiais de Star Wars sobem por rolo de papel higiênico, prestes a realizar mais um inesperado ataque. “The force be with you”, teriam dito os jedis.

O governo do presidente Nicolás Maduro anunciou nesta terça-feira que importará 50 milhões de rolos de papel higiênico para uso urgente no mercado interno da Venezuela. Segundo as autoridades chavistas, o objetivo é “saturar” o mercado local com papel higiênico e assim derrotar os agentes do imperialismo. Desta forma, afirma o governo em Caracas, a Revolução Bolivariana acabará com a suposta “campanha midiática” que a oposição e a “oligarquia” estiam fazendo sobre este visceral assunto.

O governo acusa a oposição e os empresários de estocar e provocar o sumiço de diversos produtos – do papel higiênico aos alimentos – para tentar derrubar o presidente Maduro, que tomou posse recentemente.

A administração Maduro deixa claro que não se intimidará, pois o ministro do Poder Popular para o Comércio, Alejandro Fleming afirmou que “a Revolução trará ao país 50 milhões de rolos de papel higiênico para que nosso povo se tranquilize!”.

Mas, para eliminar dúvidas sobre a capacidade industrial nacional, o ministro Fleming destacou que “não existe deficiência na produção de papel higiênico”. Isto é: não há problemas com o papel fabricado dentro da pátria venezuelana.

Nunca antes na História da Humanidade o papel higiênico esteve presente nas teorias de conspiração de um governo. 

No entanto, Fleming admitiu que a Venezuela está registrando uma demanda adicional de papel higiênico por parte dos cidadãos (se bem que não explicou o motivo para o aumento da demanda).

Segundo Fleming, a Venezuela possui um consumo mensal costumeiro de 125 milhões de rolos de papel higiênico. Mas, explica o ministro, a demanda extra atual para esse insumo imprescindível para a limpeza dos esfíncteres é de 40 milhões de rolos.

Fleming – para dar uma demonstração de força – sustentou que o governo chavista levará mais rolos para os venezuelanos. E explicou o motivo: “vamos trazer 50 milhões de rolos para demonstrar a esses grupos que não conseguirão nos derrotar!!”.

O cenário de escassez papiro-higienística gerou piadas a granel na Venezuela. Uma delas indica que o governo fará uma distribuição equitativa dos rolos, a 1,78 rolo por pessoa (50 milhões de rolos divididos entre 28 milhões de habitantes). Outras piadas indicam que o presidente Maduro, com intenso approach à realização de redes nacionais de TV (foram 26 redes nos últimos 21 dias) fará um anúncio especial em todos os canais para celebrar a chegada do primeiro carregamento de rolos de papel higiênico.

Yan Zhitui, a quem devemos o primeiro comentário registrado sobre o uso do papel higiênico. Ou, pelo menos, do uso que ele não faria.

CHINESES E RABELAIS

O primeiro registro histórico sobre o uso do papel higiênico é da China Medieval, século 6, citado pelo filósofo Yan Zhitui, que também era funcionário público. “Papéis nos quais existem citações ou comentários dos cinco clássicos, ou que contenham nomes de sábios, não ouso utilizar no vaso sanitário”, disse o acadêmico em seus escritos.

Na Europa, uma menção famosa é do século 15, por François Rabelais, em sua novela “Gargântua e Pantagruel” (o personagem Gargantua menospreza na obra o uso do papel para fins higiênicos).

O produto começou a ser industrializado em sua forma moderna a partir de 1857 nos Estados Unidos,

Falando em papel higiênico, não podemos esquecer do inventor do vaso sanitário, o inglês Sir John Harrington, que em 1590 descreveu sua idéia no livro “Metamorfose de Ájax”, obra na qual fala sobre o vaso sanitário, embora com algumas alusões escatológicas e anatômicas que irritaram a rainha Elisabeth I, madrinha de Harrington, que ficou furiosa com a repercussão e suspendeu a construção do aparelhos dentro das residências.

Mas, a rainha manteve um retrete para ela própria e permitu que seu sobrinho tivesse um também.

Sir John está saindo gradualmente do esquecimento histórico. Ele até ficou “pop”, pois apareceu como fantasma em um episódio de South Park.

Sir John, criador do vaso sanitário moderno, um incompreendido em sua época. Acima, o inventor e poeta aparece como fantasma em um epispódio da escatolíógica série “South Park”.

ORIENTAÇÃO DO ROLO DE PAPEL HIGIÊNICO: PORCIMISTAS VERSUS PORBAIXISTAS

Posição “por cima”, à esquerda. Posição “por baixo”, à direita. Um debate interminável.

Os rolos de papel higiênico possuem posições. Na Venezuela, a pesar da escassez desse produtos, por enquanto não surgiram discussões ideológicas (por enquanto, pelo menos) sobre qual deveria ser a forma na qual os rolos são colocados nos suportes nos banheiros.

Mas, just in case – mais além da Venezuela – explicaremos aqui os pontos básicos da orientação do papel higiênico e as discussões que surgem em vários pontos do planeta sobre esta questão:

A ponta do rolo de papel pode ficar …

a) pendurada por cima

b) pendurada por trás

Esta escolha é o resultado de uma decisão pessoal de cada usuário (ou de quem arruma o banheiro).

Pesquisas feitas nos EUA indicam que existe uma tendência à uma maioria (que dependendo dos relatórios vai de 55% a 70%) de pessoas que optam por colocar a ponta do rolo do papel “por cima”.

O debate envolveu economistas nas últimas décadas, que argumentam, com teorias e estatísticas próprias, que “por cima” ou “por baixo” implicam em maior gasto de papel higiênico (o argumento é que na hora de puxar – e partir/cortar – o papel, em uma posição determinada, gasta-se mais do que deveria).

No debate também entraram engenheiros, arquitetos e decoradores. A seguir, um breve resumo das discussões sobre as posições papiro-higienísticas:

A favor de “por cima”

– Reduz o risco de tocar a parede com os dedos. Isto é, reduz o contato com germes e outras coisa. Urgh.

– É uma posição mais fácil para localizar a ponta, e assim, puxar o papel (na posição contrária, segundo um estudo de 2011 nos EUA, uma pessoa perde em média meia hora por ano procurando a ponta).

– Nos hotéis é a posição mais fácil para dobrar a ponta e mostrar que o quarto foi arrumado.

A favor de “por baixo”

– Dá uma sensação de limpeza, pois não se vê a ponta

– Torna mais difícil que um bebê ou o cachorrinho encontre a ponta e puxe dali…algo como tornar o papel uma espécie de “red carpet”, sem ser red, nem carpet, nem noite do Oscar ou equivalente. E sem Anne Hattaway passando por ali.

– No caso de terremoto, tornaria mais difícil as chances de desenrolar (desconheço os argumentos sobre o assunto que envolve o movimento de placas tectônicas)

E, evidentemente, estão os “indiferentes”, também chamados “neutros”, que indicam que não possuem posições ideológicas sobre o caso, e que não estão contra nem a favor de uma tendência ou outra.

O debate é longo e promete durar séculos. Os especialistas indicam que, no caso do compartilhamento de um banheiro por duas pessoas que tenham divergentes opiniões sobre a posição da ponta do rolo, uma alternativa pacifista é a de colocar dois suportes de rolo, um ao lado do outro. Desta forma, aplica-se a solução da presença simultânea de dois rolos com pontas em posições diferentes.

Além disso, os especialistas indicam que existem pessoas que, ao visitar a casa de outros, ao entrar nos banheiros dos anfitriões, trocam a posição do rolo.

LATERALISTAS – Também existe uma alternativa para esquivar este debate que confronta os “porcimistas” os “porbaixistas”: o suporte vertical para o papel higiênico, tal como na ilustração abaixo.

Lateralismo, uma eventual alternativa para os confrontos? 

Desta forma, não existe como puxar por cima ou por baixo, fato que elimina o debate que gera o confronto. A puxada papiro-higienística, com esta alternativa vertical, passa a ser “lateral”.

Assim, em vez de um mundo dividido em “porcimistas” e “porbaixistas”, todos poderiam ser “lateralistas”.

No entanto, este suporte vertical gera outra discussão: a posição do papel deve ser no sentido horário ou anti-horário?

Além destes, surgem outros debates no âmbito banheirístico, entre os quais o clássico

– A tampa do vaso sanitário deve estar aberta sempre? Ou fechada?

O Feng Shui, recordo, indica que a tampa deve estar para baixo.

Algumas contribuições adicionais sobre o uso dos banheiros:

– Dinâmicas do papel higiênico (uma análise cinética): http://www.mfractal.esimez.ipn.mx/integrantes/ab/publicaciones/2002_1.pdf

– Bathroom politics: Introducing studentes to sociological thinking from the bottom up: http://www.jstor.org/discover/10.2307/3211429?uid=2&uid=4&sid=21102291059467

E para encerrar, o grupo cômico-musical argentino “Les Luthiers” canta ” Louvor ao banheiro”:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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