A “Manobra Karageorgevich” aplicada ao “Caso Chávez”
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A “Manobra Karageorgevich” aplicada ao “Caso Chávez”

arielpalacios

05 de janeiro de 2013 | 22h12

O rei Pedro II Karageorgevich (ou Petar II Kara?or?evi? ou ainda ??t?? II ????????????) da Iugoslávia (1923-1970)

O presidente da Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, Diosdado Cabello, afirma que o presidente Hugo Chávez não necessariamente tem que tomar posse em Caracas, capital do país, no dia 10 de janeiro. Segundo ele, a ausência de posse nesse dia não determina a ausência absoluta.

Cabello diz que a constituição deixa claro que, se o presidente não pode comparecer à Assembleia no dia da posse, ele pode prestar juramento no Tribunal Supremo de Justiça.

Essa tese também foi defendida pelo vice-presidente Nicolas Maduro, ex-líder sindical do metrô de Caracas, que em dezembro, antes da partida do líder bolivariano para sua 4ª operação em Cuba, foi designado por Chávez seu virtual delfim político.

Segundo Cabello e Maduro, as normas não especificam nem quando nem onde deveria ser essa posse perante os integrantes do Supremo.

Isto é, ambos deixaram o caminho aberto para os rumores que indicam que Chávez, se estivesse relativamente bem para sair do hospital, poderia ir até a embaixada da Venezuela em Havana e juramento na representação diplomática, já que trata-se de solo venezuelano encravado em território cubano.

Mas, digamos que Chávez não possa prestar juramento na embaixada, porque poderia ser difícil para que o convalescente líder bolivariano saia do hospital. Nesta hipótese, uma alternativa seria usar a UTI do Centro de Investigaciones Médico Quirúrgicas (CIMEQ), o hospital em Havana.

No entanto, nem a UTI nem o resto do Cimeq são território venezuelano.

Neste caso, poderia ser usado um precedente peculiar para isto, a “Manobra Karageorgevich”, com a qual poderiam transformar a sala do hospital temporariamente em território venezuelano em Cuba.

 

O rei Pedro e sua mulher, a rainha Alexandra, com bebê/príncipe herdeiro Alexandre, nascido no menor encrave que a Iugoslávia já teve…na Inglaterra.

O MENOR E MAIS EFÊMERO ENCRAVE DO MUNDO: Em 1945 o rei Pedro II Karageorgevich da Iugoslávia, que estava exilado em Londres desde 1940 por causa da invasão nazista a seu país, estava em um dilema. Sua mulher, a rainha Alexandra, com a qual havia casado em 1944, estava a ponto de dar a luz.

Mas, segundo a lei dinástica de seu reino, se o príncipe herdeiro não nascesse em território nacional iugoslavo, perderia o direito à coroa.

O rei Pedro não podia voltar a seu país. Ele estava em uma sinuca e tentava encontrar uma solução na suíte 212 do Hotel Claridge, em Londres, onde residia no exílio.

A Grã-Bretanha, aliada do Reino da Iugoslávia, decidiu não deixar o rei Pedro na mão.

O rei Jorge VI, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o rei Pedro assinaram um acordo pelo qual a soberania da suíte 212 do Hotel Claridge seria cedida por 24 horas à Iugoslávia, para logo em seguida voltar à Grã-Bretanha. Ali seria o parto real.

A lenda diz que os empregados do hotel espalharam terra especialmente levada da Iugoslávia para que o herdeiro nascesse – literalmente – sobre solo iugoslavo, e não somente sobre os macios tapetes transitoriamente “iugoslavizados”.

Desta forma, a suíte 212 do Claridge foi o menor encrave territorial de toda a História mundial, além de ser o mais efêmero de todos. Uma espécie de Bálcãs em pleno coração de Londres.

No entanto, o príncipe Alexandre, ali nascido, nunca conseguiu ser rei. Mas, por outro motivo: a Iugoslávia foi governada a partir do fim da guerra pelo líder comunista Josep Brioz Tito, que aboliu a monarquia. E, nos anos 90, a Iugoslávia deixou de existir, dividindo-se entre vários países independentes.

Baseado neste precedente, uma alternativa é que o presidente de Cuba, Raúl Castro, ceda à Venezuela o território da UTI durante 24 horas, transformando-o em um minúsculo encrave venezuelano na ilha de José Martí, Bola de Nieve e Ernesto Lecuona. Assim, Chávez poderia prestar juramento em território venezuelano.

 

O elegante hotel Claridge, em Londres. Sua suíte 212 foi uma mini-Iugoslávia por 24 horas.

E falando em Cuba, um pouco de Ernesto Lecuona, “Vals de los mares”:


hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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