Amor, almoço e cabriolas
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Amor, almoço e cabriolas

arielpalacios

31 de maio de 2011 | 19h36

  

Rudolf Kametovich Nureyev (???????? ?????????? ???????) dá uma cabriola durante um balé em Londres. Paulo Bernardo, ministro, protagonizou uma cabriola no corredor da chancelaria uruguaia em Montevidéu.

A visita da presidente Dilma Rousseff a Montevidéu, para cinco horas de reunião com o presidente José “Pepe” Mujica, teve alguns pontos pitorescos nesta segunda-feira. Aqui segue uma coletânea dos highlights (para mais notícias sobre a visita, ver a edição do jornal ou aqui e aqui também).

AMOR E ALMOÇO – No final da declaração de imprensa, pouco antes das 15:00 horas, Mujica, famoso por seu estilo simples e espontâneo, apoiou as mãos na mesa da sala de conferências e, preparando-se para ficar em pé, exclamou com cara de fome: “en este momento del día lo que más importa es el almuerzo (neste momento do dia o que mais importa é o almoço).

No entanto, a seu lado, Dilma entendeu que “en este momento del día lo que más importa es el amor” (o que mais importa é o amor), já que depois do comentário do esfaimado presidente uruguaio – que costuma almoçar cedo – a presidente brasileira acrescentou com um sorriso: “o amor é lindo!”

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PATRIOTA, VERSÃO CERVANTES – O chanceler Antonio Patriota, perguntado pela imprensa brasileira sobre o estado das relações Brasil-Argentina no atual contexto de guerra comercial entre os dois países suscitada pela aplicação de barreiras protecionistas em ambos lados da fronteira, optou por responder em espanhol: “muy buena, muy buena” (muito boa, muito boa).

Mas, na sequência, quando foi questionado sobre a visita que a ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi fará a Brasília para discutir as divergências bilaterais nesta quinta-feira, olhou fixo para os jornalistas, arregalou os olhos, virou de  costas e resguardou-se rapidamente em um providencial elevador que o afastou do assédio da mídia.

Mikhail Baryshnikov dá uma cabriola fenomenal

A CABRIOLA NUREYÉVNICA DE BERNARDO – O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, foi o único que deteve-se no caminho rumo ao almoço para conversar com a imprensa. Ele defendeu o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, argumentando que o caso protagonizado pelo colega de gabinete “é muita fumaça e pouca fagulha”.

Cardozo, questionado se considerava que a crise que envolve Palocci estava ficando diluída, respondeu: “eu nunca achei que ela (crise) ficou complexa”.

O ministro garantiu que “da parte do governo não existe nenhuma investigação” sobre este caso.

Apesar da consideração, Eduardo Cardozo disse que as informações solicitadas pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) ao ministro serão prestadas. “O MP pediu informações do ponto de vista cível e elas serão prestadas”, reiterou.

O MPF-DF abriu um procedimento de investigação cível contra Palocci para apuração do imbróglio. A ação, assinada pelo procurador Paulo José Rocha Junior, solicita que sejam apresentados comprovantes e justificativas para os elevados valores recebidos pelo ministro-chefe da Casa Civil.

Mas, ao contrário de Cardoso, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo optou por driblar comentários sobre seu colega Palocci.

Bernardo, ao ouvir que os jornalistas que se aproximavam perguntavam-lhe sobre os escândalos do chefe da casa civil – e não sobre os memorandos e convênios assinados na área de cooperação tecnológica com o Uruguai – respondeu apressadamente à certeira pergunta de Tatiana Farah, enviada especial de O Globo: “se a agenda de vocês é o Palocci, eu não tenho nada a comentar. Estou com fome e vou almoçar”.

Na sequência, atravessou céleremente o cerco jornalístico e dirigiu-se por um corredor rumo ao salão do almoço. No entanto, ao escapar rapidamente da imprensa, protagonizou um monumental tropeção em um emaranhado de cabos que estavam no chão.

Mas, exibindo agilidade, deu uma complexa cabriola no ar – ao melhor estilo de Rudolf Nureyev (ou de Mikhail Baryshnikov) – e caiu em pé. Sem titubear, continuou caminhando velozmente para o salão.

Segundo a enciclopédia online Wikipedia, a cabriola “é um passo de dança clássica que o bailarino executa apoiado numa perna ao mesmo tempo que a outra se estende para o lado, para trás e para a frente. A posição das pernas cai alternando”.

E, aproveitando que estamos falando sobre ballet, um link para ver o dançarino argentino Julio Bocca, um dos melhores da América Latina nos anos 90. Neste vídeo, uma variação do Basílio do ballet Quixote. A qualidade de som está “ni fu ni fa”. Mas vale para ver a técnica de Bocca. Aqui.

E aqui, mais Bocca, no Pas de Deux do Quixote, supimpa, durante um show na avenida 9 de Julio. Ela é Tâmara Rojo, brilhante. A qualidade deste e dos outros vídeos é boa. Aqui.

E neste, Bocca no Pas de Deux do Lago dos Cisnes, de nosso querido russo  Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Aqui.

E falando no Pas de Deux, dupliquemos: o emblemático Pas de Quatre do Lago dos Cisnes. Aqui.

Embaixo, o grande Tchaikovsky.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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