Ariel Ramírez levou o folclore argentino às salas de concerto
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ariel Ramírez levou o folclore argentino às salas de concerto

arielpalacios

20 de fevereiro de 2010 | 13h30

Ramírez com Mercedes Sosa e Félix Luna, em 1972

Ramírez com Mercedes Sosa e Félix Luna, em 1972

O pianista e compositor argentino Ariel Ramírez faleceu no final da noite desta quinta-feira, aos 88 anos, vítima de insuficiência real e uma pneumonia aguda. Ramírez, um dos mais célebres músicos dos ritmos folclóricos argentinos, era o compositor de “Alfonsina y el mar”. A canção, que trata do suicídio da poetisa Alfonsina Storni, foi imortalizada mundialmente por Mercedes Sosa, falecida recentemente. A letra é do historiador Félix Luna, também falecido há poucos meses.

Ramírez foi velado na sexta-feira no Congresso Nacional, em Buenos Aires. Neste sábado foi enterrado no cemitério de La Chacarita.

Em 1964 Ramírez, durante uma visita à Alemanha, conheceu freiras que haviam clandestinamente ajudado prisioneiros judeus de um campo de concentração. Inspirado pela espírito de sacrifício dessas freiras, que haviam corrido o risco de torturas pelos nazistas, compôs a “Missa Criolla”, uma espécie de Missa Solemnis andina.

Um  ano antes, o Concílio Vaticano II havia aprovado a realização de missas em outros idiomas. Desta forma, a “Missa Criolla” transformou-se na primeira missa cantada em espanhol.

Considerado pela crítica como um refinado pianista, Ramírez tomou os ritmos folclóricos do centro e norte do país – até então restritos a festas e eventos populares – e os levou às elegantes salas de concerto.

Autor de 300 canções, Ramírez foi um dos principais defensores dos direitos de autor na Argentina.

Nunca entrevistei Ramírez, mas conversei com ele informalmente na embaixada do Brasil em Buenos Aires no final dos anos 90, durante um cocktail oferecido por um dos grandes embaixadores que o Brasil teve, Marcos Castrioto de Azambuja.

Ramírez teve como grandes colega o historiador Félix Luna, que escreveu a letra de “Alfonsina y el Mar”.

E era amigo de Mercedes Sosa, que teve seu boom a partir de “Alfonsina y el Mar”.

 Neste link do Youtube, Ramírez – no piano – toca para um documentário da TVE da Espanha “El nacimiento del charango” junto com Jaime Torres. Clique aqui: 

 Neste outro link, Ramírez no piano, interpreta “La Tristecita” (obra sua), acompanhado do percussionista Domingo Cura. Ao fundo, Atahualpa Yupanqui recita o poema. Esse trio é coisa equivalente na Bossa Nova a juntar Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes ao fundo recitando. Clique aqui.

“El Paraná em una zamba”, com música de Ariel Ramírez e poesia de Jaime Dávalos. Clique aqui.  

E aqui, José Carreras interpreta a obra de Ramírez:

Para encerrar, Plácido Domingo interpreta o Kyrie, de sua “Misa Criolla”. Clique aqui. 

………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: