Reservas do Banco Central argentino em ritmo de gardeliano “Cuesta abajo”
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Reservas do Banco Central argentino em ritmo de gardeliano “Cuesta abajo”

arielpalacios

18 de janeiro de 2014 | 16h40

Os Pinguins e as reservas do BC em declínio: Durante o governo de Néstor Carlos Kirchner, a.k.a. “El Pinguino”, as reservas do Banco Central argentino cresciam sem parar. Mas, no governo de sua sucessora e esposa, “La Pinguina” Cristina Elisabet Fernández de Kirchner, as reservas já perderam quase US$ 23 bilhões.

As reservas do Banco Central argentino estão em ritmo do tango “Cuesta abajo” (Ladeira abaixo), de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, já que continuam em persistente queda. O BC confirmou que as reservas da entidade monetária passaram para abaixo da faixa psicológica dos US$ 30 bilhões, ficando em US$ 29,758 bilhões, o volume mais baixo em sete anos. O nível das reservas do BC causam preocupação na city financeira portenha, além de críticas dos partidos da oposição, que acusam o governo da presidente Cristina Kirchner de usar os fundos para cobrir os erros de sua política econômica.

A última vez que as reservas estiveram debaixo dos US$ 30 bilhões foi no dia 17 de novembro de 2006, época na qual governava o país o presidente Néstor Kirchner (2003-2007). Dali, até janeiro de 2011, as reservas continuaram em expansão. Nesse momento chegaram ao ponto recorde de US$ 52,654 bilhões. Mas, na época, a sucessora de Kirchner, a presidente Cristina, removeu o então presidente do BC, Martín Redrado, que se recusava a permitir o uso das reservas para o pagamento da dívida pública.

A partir dali a Casa Rosada, o palácio presidencial, usou esses fundos para pagar dívidas com os credores internacionais e o crescente gasto público, que em 2013 cresceu de forma substancial, de olho nas eleições parlamentares. No entanto, a maior parte das reservas foi utilizadas para a cruzada anti-dólar da presidente Cristina, deflagrada pela Casa Rosada a partir de novembro de 2011.

Ontem Redrado criticou o governo da presidente Cristina, afirmando que utiliza o BC como “cofrinho”. O ex-presidente do BC sustentou que o governo está “tosquiando” a entidade monetária, já que “não está gerando novas fontes de divisas”.

Desde janeiro de 2011, ano no qual a presidente Cristina Kirchner iniciou seu segundo mandato, o BC perdeu US$ 22,896 bilhões em reservas. Só no ano passado a drenagem de fundos chegou a US$ 12,691 bilhões.

“Isso tem a ver com a política de desindividamento”, argumentou ontem na quinta-feira o chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich sobre a queda de reservas. Segundo ele, esta redução “é estacional”, já que estaria ocorrendo apenas para “o pagamento da dívida pública, gastos de insumos para o desenvolvimento produtivo e gastos do turismo no exterior”.

PRÓXIMO – Os economistas calculam que até o final deste ano as reservas do BC poderiam estar entre US$ 22 bilhões e US$ 25 bilhões. Mas, a consultoria Finsport considera que o governo Kirchner poderia deixar somente US$ 20 bilhões nos cofres do BC em dezembro de 2014.

Os analistas também sustentam que o próximo presidente da República, que tomaria posse em dezembro de 2015, poderia encontrar o país com menos de US$ 20 bilhões nos cofres da entidade monetária argentina.

E falando em encolhimentos, p/embalar este fim de semana, “Ces petites choses”. Com Jean Sablon. Gravação de 1936:

E Carlos Gardel e seu “Cuesta abajo” (Ladeira abaixo):

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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