O BC argentino e suas incríveis reservas encolhidas
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O BC argentino e suas incríveis reservas encolhidas

arielpalacios

17 de novembro de 2013 | 20h56

As reservas do BC argentino estão encolhendo de forma persistente. Em dois anos a entidade monetária perdeu US$ 20 bilhões. E – tudo indica – a queda continuará nos próximos tempos.

As reservas do Banco Central argentino registraram uma queda de 24,7% desde janeiro deste ano. A entidade monetária, que possuía US$ 43,3 bilhões há onze meses, perdeu 10,69 bilhões de lá para cá, ficando em US$ 32,59 bilhões. O atual volume das reservas é US$ 20 bilhões inferior ao total que a entidade monetária teve como ponto culminante histórico, em janeiro de 2012, quando os cofres do BC continham US$ 52,49 bilhões. Na época do apogeu das reservas Cristina Kirchner iniciava seu segundo mandato presidencial.

Por trás desta queda significativa está a política do governo da presidente Cristina de usar as reservas do BC para conter a escalada do dólar no paralelo, cancelar os vencimentos dos títulos da dívida pública com credores privados, além de efetuar os substanciais pagamentos relativos à importação de petróleo e gás, já que o país padece uma intermitente crise energética desde 2004.

A presidente do BC, a economista Mercedes Marcó del Pont, afirmou na sexta-feira que a queda das reservas era devido ao pagamento da dívida (não citou os outros motivos). Segundo ela, foi um “investimento”.

Consultorias econômicas na city financeira portenha afirmam que a queda continuará ao longo do ano que vem. Desta forma, o BC poderia ficar com US$ 25 bilhões de reservas no final de 2014.

A viúva negra perante o incrível homem que encolheu. A arácnida presença tentou papar o mini-Homo Sapiens mas este deu um jeito de escapar. Fotograma do emblemático filme de ficção científica “O incrível homem que encolheu”, de 1957.

ENCOLHIMENTO PROSSEGUIRIA – Os economistas na city financeira portenha calculam que o BC passará o Reveillon com US$ 32 bilhões de reservas. Mas, para o ano que vem, a sangria de fundos prosseguiria.

Essa é a avaliação da consultoria Abeceb, a mais otimista sobre o cenário do BC, que calcula que as reservas poderiam baixar para US$ 27 bilhões em 2014. A Muñoz e Associados, a mais pessimista das consultorias portenhas sobre o BC, prevê uma redução maior, com as reservas na faixa de US$ 21 bilhões no final do ano que vem.

A maioria das consultoria, entre elas a Elypsis, estimam que as reservas baixariam para US$ 25 bilhões em 2014.

Segundo a consultoria Estudio Bein, a queda de reservas do BC está ficando “insustentável”.

O ex-presidente do BC, Martín Redrado, afirmou que o país está “pagando as consequências de ter usado o Banco Central como um talão de cheques. Redrado ocupava a presidência da entidade monetária em 2010 quando a presidente Cristina quis utilizar as reservas para o pagamento de dívidas. Redrado negou-se a liberar os fundos e foi removido categoricamente por Cristina, que acusou o economista de “conspirar” contra o país.

CURRICULUM VITAE DE ALTOS E BAIXOS – Em 1989, durante a crise da hiperinflação, nos derradeiros meses do governo do presidente Raúl Alfonsín, o BC ficou quase vazio, com reservas de apenas US$ 600 milhões de dólares.

Nos anos 90 as reservas recuperaram-se durante a conversibilidade econômica implementada pelo presidente Carlos Menem (1989-99) e sua política de privatizações e endividamento no exterior. Na segunda metade dos anos 90 as reservas oscilaram entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.

Em janeiro de 2001 as reservas chegaram a US$ 37,38 bilhões. Mas, em meados daquele ano a instabilidade política do governo de Fernando De la Rúa (1999-2001) provocou uma fuga de divisas que implodiu a conversibilidade. O BC teve que desprender-se da maior parte das reservas para tentar manter o sistema.

De la Rúa fracassou nas tentativas de evitar o agravamento da crise e o país colapsou em dezembro daquele ano. Ao longo de 2002 a Argentina mergulhou na pior crise econômica, política e social de sua História. Em julho daquele ano, durante o governo do presidente provisório Eduardo Duhalde (2002-2003), as reservas estavam em apenas US$ 8,8 bilhões.

Em 2003, no início do governo de Néstor Kirchner (2003-2007) as reservas do BC estavam em US$ 14 bilhões e recuperavam-se de forma persistente. Em 2006 chegaram a US$ 32 bilhões, enquanto que em 2007 atingiram a faixa de US$ 42,98 bilhões. No início de 2012 estavam US$ 52,4 bilhões. De lá para cá a queda foi permanente.

E música ad hoc, “Donde hay un mango?”, uma ‘ranchera’ cantada pela tangueira Tita Merello:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:

E, the last but not the least, siga o @inter_estadãoo Twitter da editoria de Internacional do estadão.com.br .
Conheça também os blogs da equipe de Internacional do portal correspondentes, colunistas e repórteres.
E, de bonus track, veja o Facebook  da editoria de Internacional do Portal do Estadão,aqui.
.………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Tendências: