Batalha pela prefeitura de Buenos Aires parte 2 (os portenhos vão às urnas para o segundo turno da “Rainha do Prata”)
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Batalha pela prefeitura de Buenos Aires parte 2 (os portenhos vão às urnas para o segundo turno da “Rainha do Prata”)

arielpalacios

31 de julho de 2011 | 10h07

 

E falando em batalhas, aqui acima a batalha por Buenos Aires no distante 1536. Na ilustração do aventureiro alemão Ulrich Schmiedel, que acompanhava Pedro de Mendoza, o conquistador – e fundador de Buenos Aires (da primeira fundação) – aparecem tropas espanholas e índios querandíes em plena pancadaria. Na ocasião, os espanhóis levaram uma baita corça, a incipiente cidade foi queimada e só puderam voltar para um segundo turno de conquista em 1580, quando B.Aires – ou “Biéi” no jargão atual – foi re-fundada.

  governo da presidente Cristina Kirchnerserá submetido neste domingo a um duro teste nas urnas que definirá o futuro prefeito da cidade de Buenos Aires, sede do poder político, financeiro, sindical e cultural do país, além de ser o cenário dos principais protestos sociais da Argentina. Este teste, um a mais da série quea Argentina terá até as eleições presidenciais de outubro, promete um voto ostensivo de rejeição dos portenhos com o denominado “modelo kirchnerista”. Segundo as pesquisas, os eleitores da capital reelegeriam o atual prefeito, Maurício Macri, líder do partido de centro-direita Proposta Republicana (PRO), de oposição.

As projeções da consultoria de opinião pública Poliarquia sustentam que Macri obteria 63,6% dos votos. O candidato do kirchnerista Frente pela Vitória (uma sublegenda do Partido Justicialista), o ex-ministro esenador Daniel Filmus, contaria com 36,4%. Uma proporção similar é apontada pela consultoria Management & Fit, que indica que Macri teria 63,5%, enquanto que Filmus receberia 36,5% dos votos.

Desde o primeiro turno, quando obteve 47% dos votos, Macri mobilizou o aparato de governo para aumentar a margem de votos sobre Filmus, cuja imagem foi prejudicada pelo “Caso Schocklender”, o escândalo de corrupção que envolve o governo Kirchner com a organização de defesa dos direitos humanos das Mães da Praça de Mayo e o desvio de fundos para a construção de casas populares. Para não ficar identificada com a eventual derrotade Filmus, apresidente Cristina ficou ausente do trecho final da campanha.

A eventual vitóriade Macri reforçasuas aspirações de ser candidato presidencial em 2015. O prefeito, embora ainda não tenha definido qual candidato da oposição respaldará nas eleições presidenciais de outubro, é apontado como o principal “cabo eleitoral” para tentar levar Cristina Kirchner – a favorita nas pesquisas – a um segundo turno nas urnas.

Nesta foto de 2009 Macri participa do programa “Gran Cuñado”, uma paródia do “Gran Hermano” (Big Brother). Nesse programa um grupo de atores imitavam os principais políticos do país, como se fosse um reality show. Na foto, um exemplo de meta-paródia: ali aparece, por um lado, Macri imitando Freddy Mercuri e por outro, seu imitador imitando Macri imitando o intérprete de “We are de champions” e “Radio Ga-ga”. O real Macri é o da esquerda.

REFEITO, EVENTUAL FUTURO PRESIDENCIÁVEL E O QUASE MORTAL BIGODE – Filho do empresárioFranco Macri, ícone do capitalismo argentino nos anos 80 e 90, Maurício começou a ficar conhecido do grande público quando, depois de ter deixado as empresas familiares (segundo as más línguas, por péssimo desempenho como administrador), independizou-se da figura paterna e foi eleito presidente do Boca Juniors em 1995.

Durante uma década Macri tornou o Boca em uma máquina de marketing esportivo. Em 2004 foi candidato à prefeitura mas foi derrotado por Aníbal Ibarra. Um ano depois foi eleito deputado mas quase não participou da sessões parlamentares. Diversos analistas o indicam como um político “preguiçoso”, já que em diversas ocasiões Macri desinteressou-se do partido, para voltar a ocupar-se tempos depois. Em 2007 disputou novamente a prefeitura portenha, vencendo com 61,9% dos votos.

Nos últimos quatro anos Macri foio centrode uma série de escândalos de corrupção, desde o grampo telefônico a líderes políticos e sociais da capital, até superfaturamento em obras públicas.

Seus críticos afirmam que Macri é um representante da “Nova Direita”, apresentada com figurino “cool”. Os analistas políticos o rotulam de “centro-direita”. No entanto, o prefeito afirma que é “de centro”.

A imagem de Macri tambémficou marcada por suas eventuais trapalhadas, que fazem a delícia dos caricaturistas. Uma das últimas ocorreu em novembro passado, quando – durante sua festa de casamento com a empresária de moda Juliana Awada – Macri, vestido com a capa de Freddie Mercuri (é um fanático declarado do defunto cantor), fez um cover do líder do Queen.

No entanto, o show foi bruscamente interrompido quando o prefeito engoliu o bigode postiço que usava para imitar o autor do hit “We are the champions”.

As pessoas presentes afirmam que Macri quase morreu ao engasgar com o bigode postiço, tornando-se o primeiro político argentino a passar por uma situação de tal categoria.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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