Bispo argentino quer oficializar ‘inexistência’ de Papai Noel (e também, mas sem bispo no meio, o início da inexistência dos cigarros em B.Aires)
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Bispo argentino quer oficializar ‘inexistência’ de Papai Noel (e também, mas sem bispo no meio, o início da inexistência dos cigarros em B.Aires)

arielpalacios

18 de dezembro de 2010 | 10h36

Clérigo faz campanha contra lenda natalina por considerar que é concorrência contra Jesus. Para assustar as crianças, refere-se a Papai Noel como “o homem de vermelho”.Acim, ilustração de Papai Noel do alemão Thomas Nast, de 1881. A origem da lenda data do século IV d.C e é baseada em um bispo cristão grego chamado Nicolau que morava no vale de Lícia, na atual Anatólia (Turquia). Suas relíquias estão hoje na catedral de Bari, na Itália. Mais detalhes de como sua figura foi unida aos presentes (com origens nas antigas festas saturnálias feitas em dezembro na época dos romanos), aqui (em espanhol)…e mais detalhes sobre lendas escandinavas e alemãs da Idade Média que influenciaram a imagem de Papai Noel, aqui (em italiano).

O bispo católico argentino Fabriciano Sigampa exigiu a “oficialização” da inexistência de Papai Noel, já que o famoso velhinho de roupa vermelha que – segundo a lenda – reside no Pólo Norte e distribui presentes às crianças em todo o mundo na madrugada do dia de Natal – representa uma concorrência direta com Jesus Cristo. Exaltado, o bispo alertou perante uma plateia de adultos e crianças na catedral da cidade de Resistencia, capital da província do Chaco: “não devemos nos confundir, não devemos misturar o Natal com isto!”.

O clérigo, durante uma missa em sua diocese, argumentou que os pais católicos possuem a obrigação de contar a seus filhos a verdade sobre Papai Noel.

Para assustar as crianças, o bispo denomina Papai Noel de “el hombre de rojo” (o homem de vermelho). Sigampa também se refere ao velhinho do Pólo Norte como “esse homem gordo”.

Segundo o bispo Sigampa, os pais devem dizer aos filhos que Papai Noel não fornece os presentes para as crianças, já que os obséquios possuiriam outros dois protagonistas.“São seus pais com seu esforço e com a ajuda de Jesus”, ilustrou a autoridade religiosa. 

“O outro dia perguntei a uma criança sobre o Natal e ela me respondeu que sabia que a data havia chegado porque havia sidra e panetone na geladeira. E ela não me disse nada sobre o menino Jesus!”, exclamou.

 

Revertério sobre Papai Noel data do século XVI. A ilustração assim é do “Exame e processo do velho Papai Noel”, de Josiah King, publicada em 1686 pouco depois da restauração da festividade do Natal na Inglaterra (a obra ironiza um julgamento do bom velhinho). Na época os puritanos ingleses haviam proibido a imagem de Papai Noel nas colônias na América do Norte por considerá-lo a) pagão b) católico.

 O bispo Sigampa deslanchou a cruzada horas antes da inauguração da “Casinha do Natal”, um empreendimento conjunto do Rotary Club, a prefeitura de Resistencia e o governo da província do Chaco.

O resultado da intensa campanha foi imediato. Assustados com as pressões do clero, as autoridades ordenaram a remoção de todas as figuras alusivas a Papai Noel na “Casinha do Natal”. A contratação de um ator, contratado para interpretar o denominado “homem de vermelho” também foi cancelada.

Comerciantes de Resistencia, para evitar críticas diretas do bispo, estão removendo a figura de Papai Noel de suas vitrines.

Graças à cruzada do bispo também acabou a campanha para doar presentes para crianças pobres no Natal do Chaco, uma das províncias mais empobrecidas da Argentina.

BISPO, MURAL E MENEM – Sigampa ficou famoso em meados da década quando era bispo na província de La Rioja. Ali ele encomendou um mural para a Catedral na qual apareciam, como integrantes do mesmo grupo de pessoas, a Virgem Maria, o ex-presidente Carlos Menem (1989-99), e diversas outras figuras do clero de La Rioja e prefeitos da província.

Bispo que exige fim da lenda de Papai Noel era amigo do ex-presidente Carlos Menem, a quem colocou em um  mural da catederal de La Rioja, junto com a Virgem Maria. Além de Menem, o próprio bispo está imortalizado nesse mural.

BUENOS AIRES, BLINDADA CONTRA O CIGARRO

 

Freud explica. Fumar cigarros (e congêneres) em Buenos Aires, só em centros psiquiátricos e prisões.

 A capital argentina é desde esta semana uma cidade 100% livre de fumaça de cigarros, charutos e cachimbos. A determinação foi adotada pela assembleia legislativa do distrito federal, que estipula a proibição de fumar em todos os espaços fechados com acesso público, sejam privados ou do setor público.

Os parlamentares a favor da lei argumentaram que a norma tem o objetivo de “proteger a população dos efeitos nocivos do fumo ambiental, prevenir o início do consumo dos cigarros, reduzir a socialização de seu uso e diminuir o consumo dos fumantes”.

Segundo dados do ministério da Saúde, 40 mil pessoas morrem anualmente na Argentina por causa de doenças vinculadas ao consumo de cigarros. Segundo a deputada Paula Bertol, do partido Proposta Republicana (PRO), de centro-direita, essas mortes equivalem a 16% do total de falecimentos em pessoas de mais de 35 anos de idade.

No entanto, a norma exclui da proibição os centros psiquiátricos e penitenciárias, já que os especialistas argumentaram durante os debates parlamentares de que essas instituições precisam permitir o consumo de cigarros como forma de “descomprimir as tensões”.

A lei existente até a aprovação da nova norma indicava que lugares públicos como bares e restaurantes poderiam ter uma área reservada para fumantes. Com a nova norma, os estabelecimentos comerciais possuem um prazo de 180 dias para eliminar os “fumódromos”.

De forma geral, cada vez é mais raro ver pessoas fumando nas ruas. Eu nunca fumei, mas sempre estive rodeado de pessoas que fumavam, e muito. No entanto, nos últimos tempos, amigos meus que fumam estão evitando fumar na presença de outras pessoas. Geralmente, fumam em suas casas.

E, para encerrar, o tango “Fumando espero” com a espanhola Sarita Montiel, aqui.

E com Carlos Gardel, em 1922, aqui.

E a letra da canção, escrita por Félix Garzo quando fumar era “um placer genial, sensual”:

Fumar es un placer

genial, sensual.

 

Fumando espero

al hombre a quien yo quiero,

tras los cristales

de alegres ventanales.

 

Y mientras fumo,

mi vida no consumo

porque flotando el humo

me suelo adormecer…

 

Tendida en la chaisse longue

fumar y amar…

 

Ver a mi amante

solícito y galante,

sentir sus labios

besar con besos sabios,

y el devaneo

sentir con más deseos

cuando sus ojos veo,

sedientos de pasión.

 

Por eso estando mi bien

es mi fumar un edén.

 

Dame el humo de tu boca.

Anda, que así me vuelvo loca.

 

Corre que quiero enloquecer

de placer,

sintiendo ese calor

del humo embriagador

que acaba por prender

la llama ardiente del amor. 

 IMPERDÍVEL: Hoje, sábado, ocorrerá a Noite das Livrarias. Começa às 19:00 e terminará às 24:00.

A maior parte dos 70 eventos programados ocorrerão na avenida emblemática das livrarias, a Corrientes, no trecho entre a avenida Callao e a rua Talcahuano.

 

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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