Clima anti-britânico tomou conta da Argentina em abril de 1982 (e como a partir dali o Brasil deixou de ser o principal rival da Argentina no futebol)
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Clima anti-britânico tomou conta da Argentina em abril de 1982 (e como a partir dali o Brasil deixou de ser o principal rival da Argentina no futebol)

arielpalacios

02 de abril de 2012 | 08h45

30 anos da Guerra das Malvinas

 

Ex-torre dos ingleses, doada pela comunidade britânica portenha à cidade de B.Aires em 1910, para celebrar o bicentenário de Revolução de Mayo. Em 1982 uma multidão enfurecida tentou destruir a torre. A partir dali, seu nome mudou para “torre monumental”. Misteriosamente, só os times de futebol – sport de british origens – com nome inglês salvaram-se da onda “rebatizadora”

No dia 2 de abril de 1982, o general Leopoldo Fortunato Galtieri, que liderava a sanguinária Junta Militar que desde 1976 havia assassinado 30 mil pessoas, anunciava aos argentinos que as ilhas Malvinas – um árido arquipélago nos confins do Atlântico Sul – eram novamente argentinas, depois de um longo interlúdio de 149 anos de domínio da coroa britânica.

Galtieri, um militar parecido a George C. Scott no filme “Patton”, que dedicava grande parte de seu tempo a beber vários litros diários de whisky, havia ordenado o desembarque nas ilhas como tentativa desesperada de manter a impopular ditadura no poder.

O desembarque, de fato, ocorreu na noite do 1 de abril. Mas, para o registro histórico oficial, o dia 2 de abril é o que vale. Nessa data, ao raiar do sol, os comandos argentinos que haviam desembarcado perto de Stanley, capital das ilhas, atacaram a aldeia, invadindo suas ruas e tomando por surpresa a casa do governador britânico das ilhas. No dia da invasão, morreu um argentino, o capitão de fragata Pedro Edgardo Giachino, um ex-torturador de civis nos anos prévios no continente. Até o fim da guerra, faleceriam 649 argentinos em terra e no mar. Do total dos soldados argentinos enviados ao arquipélago, 70% eram rapazes que estavam em pleno Serviço Militar.

Diversos ex–integrantes do governo militar, historiadores e veteranos da Guerra alegam hoje que a intenção de Galtieri era ocupar as ilhas Malvinas e negociar depois. O plano consistia em pedir a participação da ONU em uma administração conjunta da Argentina com a Grã-Bretanha e posteriormente ficar com a posse total do arquipélago.

Além disso, a Junta Militar considerava que os Estados Unidos, que haviam apoiado a Ditadura argentina desde 1976, não se oporia à medida do regime de Buenos Aires. Os militares argentinos acreditavam que os americanos, em reconhecimento por seu virulento anticomunismo, ficariam neutros neste conflito, sem respaldar ativamente seu aliado na OTAN, a Grã-Bretanha.

Em Buenos Aires, líderes e população começaram a viver o delírio da teoria de que os EUA tentariam convencer a Grã-Bretanha, aliada americana em duas guerras mundiais, a deixar as remotas e desoladas ilhas para a Argentina. “Os integrantes da Junta Militar eram umas bestas quadradas. Por mais que a gente avisava que Washington ficaria do lado inglês, eles achavam que os americanos não se intrometeriam. Uma ingenuidade do tamanho de um ciclope”, disse em off um diplomata que integrava a chancelaria argentina na época da guerra.

O desembarque nas ilhas desatou uma onda de manifestações em toda a América Latina a favor da Argentina. Desde a comunista Cuba de Fidel Castro, passando pelo Peru comandando pelo presidente democraticamente eleito Belaúnde Terry, até outras ditaduras de direita, como o Paraguai do general Alfredo Stroessner, declararam respaldo formal e até ofereceram ajuda prática.

Nas ruas de Buenos Aires multidões queimavam bandeiras da Union Jack, enquanto a ditadura desafiava a Grã-Bretanha a enviar tropas para o Atlântico Sul. “Que venha o principezinho”, esbravejava o general Mario Menéndez, governador militar das ilhas, que acabava de instalar-se na rebatizada “Puerto Argentino” (ex-Stanley).

O governo militar tentava minimizar a capacidade de resposta militar britânica, afirmando que os soldados de sua Majestade eram “pervertidos homossexuais” e “consumidores de pornografia”. A ditadura afirmava que a Virgem de Luján estava do lado argentino, e que, portanto, eram invencíveis contra os “protestantes” ingleses.

George Bernard Shaw, expoente das letras inglesas na virada do século XIX para o XX. Tudo bem, era irlandês. Na foto, o autor com seu gato. Não sabemos qual era o passaporte do felino supracitado.

BRITÂNICO VIRA “TÂNICO” – Enquanto isso, dentro das fronteiras argentinas, tudo o que fosse britânico corria o risco de ser atacado. Diversas escolas de inglês e as escolas bilíngues foram alvos de pedradas e coquetéis molotov. A comunidade britânica na Argentina, que na época era de 100 mil pessoas (entre imigrantes e descendentes diretos), teve que fazer declarações de profundo “argentinismo”, para evitar problemas.

Silvina Epstein, hoje uma professora primária, na época da Guerra estava no segundo grau. Ela relatou como sua professora de inglês, temendo ser vaiada (por ser docente do idioma do inimigo) começou a aula comentando diversas frases do escritor irlandês Bernard Shaw, nas quais ridicularizava os ingleses. A aula foi salva porque os alunos viram que outros povos que “detestavam” os britânicos – tal como eles – também falavam inglês.

O jornal “Buenos Aires Herald”, o jornal em língua inglesa mais antigo da América Latina, recebeu constantes ameaças telefônicas, e os jornaleiros recusavam-se em vendê-lo. Quem queria ler o Herald precisava ir até sua sede para comprar um exemplar.

No meio do clima antibritânico, a tradicional farmácia “La Franco-inglesa”, na calle Florida teve que mudar seu nome para “La Franco”, cortando a parte referente à ilha de Shakespeare.

Os donos do histórico bar “Británico”, situado nas esquinas das ruas Defensa e Brasil, em pleno bairro boêmio de San Telmo, agiram rápido antes de serem atacados, e como solução, encontraram uma de rápida apliação: apagar a sílaba “Bri”. Ficou sendo, durante anos depois da Guerra, o bar “Tánico”. Muito tempo depois voltou a ostentar o nome completo, que usa até hoje em dia.

O governo proibiu a transmissão de TV de todo tipo de filme nos quais eram vistas de forma positiva as figuras dos militares britânicos em guerras anteriores, como a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Desta forma, obras como “A ponte do rio Kwai” ficaram no index da Ditadura.

Filmes dos “protestantes” ingleses foram proibidos na TV e cinemas argentinos durante a guerra. Um canal, que ia passar o clássico do cinema anti-belicista “A Ponte do Rio Kwai”, teve que cancelar a programação em cima da hora e passar outro filme que não fosse do país dos “consumidores de pornografia”. No fotograma do filme, Toshiro Mifune contracena com Alec Guiness.

TORRE DEPREDADA – Uma semana depois do desembarque argentino nas Malvinas, em Buenos Aires a Torre dos Ingleses era atacada por centenas de pessoas enfurecidas que – tal como na Idade Média – derrubaram os portões de bronze da base com um poste transformado em aríete. Integrantes da multidão subiram até o topo da torre onde destruíram o imenso relógio ali instalado, além dos vidros.

A torre – que havia sido construída com doações de anglo-argentinos para homenagear o centenário da Revolução de Maio de 1810, início do processo de independência da Argentina – era um marco da arquitetura portenha (foi restaurada duas décadas após sua depredação).

Para impedir o ataque da multidão, de nada valeu a frase gravada sobre a porta de entrada, entre os escudos da Argentina e da Grã-Bretanha: “salve o grande povo argentino, da parte dos residentes britânicos, 25 de maio 1810-1910”.

Dias após o ataque, a torre foi rebatizada de “Torre Monumental” (apesar da troca de denominação, ela continua sendo popularmente chamada de ‘Torre dos Ingleses’).

A ex-torre dos ingleses está em uma praça na frente da estação de trens de Retiro (estação que dá nome ao bairro). Antes da guerra denominava-se Praça Britannia. Mas, após a invasão de Galtieri às Malvinas, essa área foi rebatizada de “Praça Força Aérea Argentina”.

GALTIERI, CERTIDÕES DE NASCIMENTO E SHERLOCK – O país entrava em histeria coletiva. Os sindicalistas que haviam protestado contra a Ditadura, declaravam total apoio ao governo militar. Os políticos da oposição, com raras exceções, celebravam a invasão.

Com a invasão, Galtieri conseguiu a popularidade que almejava. Até ex-guerrilheiros de esquerda saíram da clandestinidade para oferecer-se como voluntários para lutar contra os britânicos. Um militante da esquerda peronista, Rafael Bielsa (que 21 anos depois da guerra seria chanceler argentino), me comentou em 2005 – exibindo profundo orgulho – que havia apresentado-se como voluntário para lutar entre as tropas argentinas nas Malvinas. No entanto, Bielsa, que foi preso e torturado nos porões da Ditadura por sua militância, foi recusado pelos militares.

A onda nacionalista que tomava conta do país também ficou evidente nas certidões de nascimento, já que muitas crianças foram batizadas com o nome de Malvina e Soledad, (nome da ilha oriental do arquipélago). No meio da fúria antibritânica, a Ditadura proibiu que as estações de rádio tocassem música inglesa, considerada “degenerada” e “incentivadora da homossexualidade e do consumo de drogas”.

O beneficiado dessa medida foi o rock nacional, que – ao ocupar o vácuo deixado pelos ingleses – iniciou seu boom que dura até hoje.

Em pleno conflito em 1982, um jornalista entrevistou o escritor Jorge Luis Borges (um declarado admirador da cultura inglesa) sobre as Malvinas. “O senhor deve ter mudado de ideia sobre a literatura inglesa, já que estamos em guerra”, perguntou o repórter. Borges respondeu irônico: “Sim. Agora estou em guerra com Shakespeare e com Sherlock Holmes, e além disso, desafiei a duelo Johnson e De Quincey!”.

“Agora estou em guerra com Sherlock Holmes!” ironizou Borges em 1982

APESAR DA GUERRA, FUTEBOL INCÓLUME – No entanto, apesar da obsessão anti-inglesa que tomou conta de vários setores da sociedade argentina no meio do frenesi da Guerra das Malvinas, nem a ditadura militar e sequer os mais acirrados manifestantes propuseram atacar os times de futebol que ostentavam (e ainda ostentam) sonoros nomes ingleses.

Enquanto a Torre dos Ingleses era alvo de incêndios; escolas de inglês eram atacadas com coquetéis molotov, bares e cafés com nomes alusivos à Grã-Bretanha eram apedrejados – e ruas com nomes ingleses eram rebatizadas – os estádios dos times ficaram incólumes, longe de qualquer anglofobia.

Os torcedores sequer perceberam os nomes do “River Plate” (Rio da Prata em inglês) e Boca ‘Juniors’. Ou, se perceberam, talvez consideraram que seria demasiada heresia alterar os nomes dos clubes.

Além dos óbvios River Plate e Boca Juniors, na lista dos times que ostentam nomes ingleses estão…

– Racing Club

– Newell’s Old Boys

– All Boys

– Banfield

– Chaco For Ever

– Temperley

…entre outros.

A expulsão de Rattin em 1966 na Inglaterra não foi nada comparado com o que ocorreu depois…

POR CAUSA DA GUERRA, O BRASIL DEIXA DE SER O RIVAL PAR EXCELLENCE ARGENTINO NO FUTEBOL

Após a derrota na Guerra das Malvinas, a sociedade argentina encontrou no futebol uma forma de vendetta contra a Inglaterra.

O futebol já havia tornado-se um campo de batalha entre a Argentina e a Inglaterra em 1966, quando ambas seleções confrontaram-se em Londres. Na ocasião, a Argentina perdeu de 1 a 0, fato que causou profunda irritação em Buenos Aires, onde a imprensa atacou o árbitro, acusado de parcialidade.

Os cartolas da Associação de Futebol da Argentina (AFA) também irritavam-se e remetiam à conquista das Malvinas por parte da Grã-Bretanha em 1833: “os ingleses não se conformam em nos roubar as Malvinas e agora também nos roubam jogos de futebol!!”

Para complicar, o capitão argentino, Antonio Rattin, foi expulso após cometer duas faltas. Cansado, sentou-se sem querer no tapete vermelho da rainha Elisabeth (que não estava presente na ocasião).

Os torcedores britânicos, irritados, começaram a jogar objetos sobre o jogador argentino, que, zangado levantou-se e saiu do campo. Mas, no meio do caminho pegou uma bandeirola inglesa à beira do gramado e a amarrotou levemente. A torcida inglesa gritava “animals, animals!” desde as arquibancadas. O gesto tornou Rattin no jogador mais comentado dessa Copa (a ‘amarrotada’ de Rattin, aqui ).

INGLATERRA, MAIS DO QUE O BRASIL – Uma década e meia depois, a guerra das Malvinas potenciou a rivalidade argentino-britânica. Neste ponto, é preciso fazer um resumo célere das rivalidades argentinas no futebol.

Podemos dizer que desde o início do século XX o rival futebolístico comme il faut da Argentina foi o Uruguai, país com o qual os argentinos possuíam vários pontos culturais e gastronômicos em comum (tango e carne, principalmente). A Argentina perdeu a Copa do Mundo para a seleção uruguaia em 1930. A derrota ocorreu em Montevidéu, a curta distância de Buenos Aires.

Os times uruguaios e argentinos, até pela proximidade geográfica, confrontavam-se com mais frequência entre si do que com times de outros países, entre eles, o Brasil.

Até o início dos anos 60 o Uruguai foi o rival principal dos argentinos, pelo menos, no imaginário coletivo. Nessa mesma década, o Brasil começou a ocupar esse lugar.

O posto de rival principal foi consolidado nos anos 80 pelo Brasil.

Mas, em 1982, a guerra das Malvinas deslocou o Brasil do imaginário coletivo argentino como o principal rival a derrotar nos estádios. Não por questões esportivas, mas por questões geopolíticas.

Desta forma, enquanto que para os brasileiros poderia não existir sabor mais supremo do que infligir uma derrota à seleção argentina (isto é, segundo dizem as pessoas), para os argentinos não haveria maior delícia do que derrotar a Inglaterra.

Pesquisas publicadas na imprensa portenha nas copas de 2002 e 2006 indicaram que em caso do Brasil confrontar-se com a Inglaterra, mais da metade dos argentinos torceriam a favor do Brasil.

ACADÊMICO E FUTEBOL – O cientista político Vicente Palermo, especialista em Malvinas, além de ser um profundo estudioso do Brasil, afirma que “a rivalidade argentino-brasileira no futebol é intensa. Mas é essencialmente presente. Cada jogo renova o conflito esportivo, que não somente carece de conotações extra-esportivas, mas também de qualquer raiva por ambas partes, inteiramente desprovisto de contas a saldar”.

No entanto, segundo Palermo, “a oposição futebolística argentino-inglesa é completamente diferente”. O politólogo considera que contra a Inglaterra “não se trata somente da profusão de conotações extra-futebolísticas, mas sim, principalmente, de que é um vínculo estabelecido no passado: revive e se restabelece no passado em cada ocasião”. O especialista sustenta que neste caso, para os torcedores argentinos, “cada jogo está carregado de passado e é a ocasião para a vingança”.

Um dos sinais mais evidentes da preferência argentina em derrotar a Inglaterra (trauma para muitos no Brasil, por questões de algo que poderíamos pitorescamente chamar de “ódios não correspondidos”) é que os dois gols mais recordados pelos argentinos são dois marcas realizadas contra a Inglaterra (e não são gols feitos contra o Brasil).

Os dois gols em questão foram realizados na Copa do Mundo de 1986, no México.

O autor de ambos gols era o então jogador número 10 da seleção argentina, Diego Armando Maradona,  que pouco mais de duas décadas depois foi técnico da seleção de seu país durante um ano e meio.

Um dos gols de Maradona foi aquele marcado com a denominada “Mano de Dios” (Mão de Deus), isto é, a própria mão de Maradona, que passou desapercebida para o árbitro, que validou o gol.

O outro gol foi conseguido após um drible de seis jogadores ingleses (incluindo o próprio goleiro inglês).

Este segundo gol levou o prêmio de “Gol do Século” ou “O melhor gol da História da Copa Mundial de Futebol”, definido em uma pesquisa na internet feita pela FIFA em 2002.

E, para aumentar a rivalidade entre os dois países – fato que exclui totalmente o Brasil deste assunto – o denominado “segundo” gol do século foi (ironias do destino futebolístico) um gol infligido pelos ingleses aos argentinos.

O segundo gol desse histórico ranking foi de autoria de Michael Owen, que na Copa do Mundo da França de 1998 desferiu um gol contra a Argentina após significativa exibição do denominado virtuosismo futebolístico no gramado (como careço de background sobre coreografias e manobras para implementar gols – em resumo, acho futebol um tédio do tamanho do planeta Júpiter – me abstenho de realizar considerações sobre os eventuais méritos estéticos deste ou de qualquer outro gol. Portanto, me remeto exclusivamente ao fato deste prêmio ter sido concedido pela FIFA).

DOIS ANOS DEPOIS, ESTÁTUA AO FUNDO DO RIO – Na antiga praça Britannia existia uma estátua do primeiro-ministro britânico George Canning, ali instalada em 1937. Ela foi pichada durante a guerra das Malvinas. No entanto, não sobreviveu ao segundo aniversário do desembarque de Galtieri: em 1984 um grupo de militantes peronistas marchou até a estátua, determinados a eliminá-la.

Um dos homens do grupo laçou a cabeça de Canning e amarrou a corda em uma camionete, que acelerou até derrubar o monumento. Canning – enquanto o grupo de militantes gritava cânticos tradicionais de estádios de futebol – foi arrastado até a beira do rio da Prata e jogado em suas águas.

O próprio Canning também aparecia na cartografia portenha com uma avenida, que vai desde Palermo até Villa Crespo. Neste caso, o nome dessa via já havia sido trocada em 1974, durante o último governo do general Juan Domingo Perón, que pretendia homenagear um pensador argentino, Raúl Scalabrini Ortiz.

Em 1976, com o golpe militar, a avenida voltou a ser Canning. Mas, com a guerra, o nome foi novamente trocado. Embora seja de novo Scalabrini Ortiz, os moradores da região (especialmente aqueles com mais de 50 anos de idade) costumam chamar a avenida de Canning, tal como ela foi durante quase todo o século XX.

TRÊS NOMES EM TRÊS DIAS – No primeiro dia da nova presença argentina nas Malvinas, Galtieri rebatiza Stanley de “Puerto Soledad”, o nome original do vilarejo que havia sido a capital durante a administração argentina entre 1820-33. Mas, no segundo dia Galtieri muda de ideia e o vilarejo é re-re-batizado de “Puerto Rivero”, em homenagem a um suposto “maquis” gaucho segundo uns (bandoleiro, segundo outros), que teria resistido aos ingleses ao longo de vários meses. No entanto, no terceiro dia, Galtieri mais uma vez muda de ideia e re-re-re-batiza o aglomerado urbano com o nome mais óbvio de “Puerto Argentino”.

Apesar da volta da democracia e a revisão histórica do governo da presidente Cristina Kirchner, a cidade, na nomenclatura argentina, continua com o nome colocado pelo defunto ex-ditador.

As Malvinas no pé deste mapa de 1766 aparecem como “Malouines”, nome que os franceses colocaram depois que desembarcou nas ilhas uma tripulação proveniente do porto francês de Saint-Malô. Os espanhóis pegaram o nome e o espanholizaram para “Malvinas”.

  

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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