Cresce a polêmica pelas irregularidades do hotel de luxo de Cristina Kirchner (e a cabeça do juiz na ponta da lança..simbolicamente)
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Cresce a polêmica pelas irregularidades do hotel de luxo de Cristina Kirchner (e a cabeça do juiz na ponta da lança..simbolicamente)

arielpalacios

25 de novembro de 2014 | 10h54

BlogHotelAltoCalafate

O hotel de luxo Alto Calafate, propriedade da presidente Cristina Kirchner no vilarejo de El Calafate, província de Santa Cruz, o feudo político dos Kirchners nos cafundós meridionais da Patagônia. 

blog1dedo4A empresa Hotesur, que administra os hotéis de luxo da presidente Cristina Kirchner na Patagônia, admitiu em um comunicado a existência de irregularidades “formais” em sua contabilidade e documentos. A empresa foi alvo de uma blitz na quinta-feira passada ordenada pelo juiz Claudio Bonadío, que suspeita que a Hotesur poderia ter sido usada para operações de lavagem de dinheiro do empresário Lázaro Báez, sócio da família Kirchner. Esta é a primeira vez que uma investigação judiciária aponta contra a presidente Cristina, além de seu filho, Máximo Kirchner, responsável pela administração dos imóveis da família.

No entanto, no comunicado (divulgado pela Casa Rosada e a agência estatal Télam), a empresa acusou a imprensa e os partidos de oposição de estarem por trás de uma “operação midiática-judiciária” com suposto respaldo “do exterior” contra os Kirchners.

O vice-ministro da Justiça, Julián Álvarez, afirmou ontem (segunda-feira) que a Hotesur sofrerá a aplicação da “severa” multa de 3 mil pesos (US$ 352), valor inferior ao de uma diária em uma suíte do hotel de Cristina na temporada alta.

Aníbal Fernández, braço-direito da presidente Cristina no Senado e seu ex-chefe do gabinete de ministros, minimizou as irregularidades na empresa Hotesur: “são uma estupidez…não é um assunto demasiado grave”. Segundo Fernández, o juiz Bonadío está “tentando extorquir” a Casa Rosada.

BlogCabecaLanca

“Batalha de Lepanto”, do pintor espanhol Antonio Brugada (1804-63). Na imagem, um soldado das forças espanholas crava a cabeça de Ali Pachá e a exibe para regozijo mórbido pós-batalha de seus companheiros. 

CABEÇA EM LANÇA – O líder piqueteiro Luis D’Elía, que conta com o poder de mobilização de dezenas de milhares de pessoas para manifestações a favor do governo Kirchner, causou polêmica ao pedir que a cabeça do juiz Bonadío seja colocada em uma lança na rua Comodoro Py, onde está a sede dos tribunais federais em Buenos Aires. No entanto, explicou que sua proposta era “simbólica”.

A oposição pediu que o governo não interfira e permita o prosseguimento das investigações da Justiça.

O deputado socialista Gerardo Milman afirmou que o hotel de Cristina possui vários contratos com a estatal Aerolíneas Argentinas para ali alojar os pilotos que viajam a El Calafate. “Isso é uma violação ética”, sustentou o parlamentar.

A presidente Cristina não fez pronunciamentos sobre a denúncia na Justiça. Ela encerraria hoje seu repouso médico por causa da inflamação no cólon da qual foi tratada há três semanas. Ela discursaria hoje na reunião anual da Câmara da Construção.

BlogCabecaLanca - copia

O detalhe da cabeça de Ali Pachá na ponta de uma lança no quadro de Brugada. A proposta do líder piqueteiro Luis D’Elía é de algo igual, embora “simbólico”.

VAZIO – Na quinta-feira da semana passada, quando a Polícia Federal abriu a porta do escritório da sede da Hotesur em Buenos Aires depararam-se com um apartamento vazio, sem funcionários ou móveis. A Hotesur está no centro portenho, na rua Lavalle, área conhecida por albergar diversos escritórios de empresas fantasma.

A Hotesur foi denunciada na semana retrasada por parlamentares da oposição que afirmam que existem diversas irregularidades na composição acionária da empresa, além de omissões na contabilidade. Segundo a deputada Margarita Stolbitzer, do partido GEN, o hotel Alto Calafate – no vilarejo turístico de El Calafate, na província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners – é um “alojamento fantasma” utilizado para operações de lavagem de dinheiro da família presidencial e o empresário Lázaro Báez.

Báez, amigo desde os anos 90 dos Kirchners e sócio da família em diversos empreendimentos imobiliários, foi processado no início deste ano por suposta lavagem de dinheiro.

Em 2013, Valle Mitre, uma das empresas de Báez pagou 935 diárias de quartos do hotel Alto Calafate. Mas, foi uma reserva retroativa, relativa aos anos 2010 e 2011, por quartos que ele – sequer os funcionários de suas empresas – nunca ocuparam. O juiz suspeita que o dinheiro pago pelos quartos nunca usados constituam uma operação de lavagem.

O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich – braço-direito da presidente para assuntos políticos – acusou os juízes argentinos de “golpismo ativo” contra o governo. Segundo Capitanich, o Poder Judiciário exerce uma “evidente perseguição e hostilidade” contra os integrantes da Casa Rosada.

EMPRESÁRIO AMIGO – Báez, processado na Justiça desde março do ano passado por lavagem de dinheiro, teria usado sete de suas empresas para pagar quartos nos hotéis que a presidente Cristina Kirchner possui em El Calafate. Durante dois anos as empresas de Báez alugaram um terço dos quartos dos hotéis, que embora ficassem vazios, eram pagos religiosamente.

Desta forma, o Hotel Alto Calafate assegurou um terço de sua receita, mesmo que fosse temporada baixa. As empresas de Báez pagavam uma quantia prédeterminada mensal por 935 diárias nesse hotel de luxo. Outro terço das reservas no hotel dos Kirchners – um dos mais caros em El Calafate – eram pagas pela estatizada empresa aérea Aerolíneas Argentina, apesar da existência de tarifas mais baixas em outros hotéis de qualidade no município.

Os livros de contabilidade de Báez também indicam que ele pagou em 2010 ao ex-presidente Néstor Kirchner US$ 1 milhão (de acordo com a cotação da época) pelo aluguel de um hotel, o “Las Dunas”, também em El Calafate. No entanto, o “Las Dunas” nunca foi de Kirchner, mas sim do próprio Báez. O pagamento de Báez a Kirchner por um hotel que nos documentos aparece como próprio gerou novas especulações sobre a conexão financeira entre ambos. A deputada Elisa Carrió, de oposição, afirma que Báez era testa de ferro de Kirchner.

Báez é dono da maior empreiteira da Patagônia. Quase todas as obras públicas de porte da região durante o governo Kirchner foram realizadas por suas empresas.

BlogCristinaKirchnerCalada

Presidente Cristina Kirchner, em discurso na Casa Rosada, o palácio presidencial.

SANTA CRUZ, TERRA DE IRREGULARIDADES – Em 2006 os Kirchners compraram da prefeitura de El Calafate – onde governam seus aliados – um terreno de 20 mil metros quadrados por US$ 34 mil. Mas, apenas dois anos depois os Kirchners revenderam o terreno por US$ 1,65 milhão à uma rede de supermercados. A valorização sem precedentes do terreno despertou a atenção da mídia e da oposição. No entanto, a investigação sobre o caso foi paralisada, já que ficou nas mãos da sobrinha do casal Kirchner, a promotora Natalia Mercado, filha de Alicia Kirchner, ministra da Ação Social, irmã do ex-presidente Néstor Kirchner.

Em 2010 parlamentares da oposição denunciaram que uma estrada inaugurada pela presidente Cristina em El Calafate – seu refúgio preferido nos fins de semana – apresentaria sinais de superfaturamento no asfalto. Segundo a denúncia, cada quilômetro de asfalto custaria US$ 780 mil. No entanto, na época, por cada quilômetro realizado por outras empresas em diversas províncias argentinas os preços oscilavam entre US$ 77 mil (na província de Buenos Aires) e US$ 337 mil (em áreas complexas da província de Mendoza).

blog1dedo2bE, falando em cabeça na ponta de uma lança, vamos com Britney Lanças, isto é, “Spears”, em “Putzgrila, fiz isso de novo!” (atenção ao verso de 1:45 minuto):

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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