Cristina Kirchner deixa luto estrito de lado e aparece em vídeo com cão venezuelano (e troca os ministros)
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Cristina Kirchner deixa luto estrito de lado e aparece em vídeo com cão venezuelano (e troca os ministros)

arielpalacios

19 de novembro de 2013 | 08h31

Simón (o canis lupus familiaris), o pinguim de pelúcia e a presidente Cristina Elisabet Fernández de Kirchner. A presidente reapareceu em um vídeo, 45 dias após sua internação. Ela usou 30% do tempo para falar sobre Simón, o cãozinho que recebeu de presente do irmão de Hugo Chávez.

Sentada com um filhote de cão venezuelano no colo e ao lado de um enorme pinguim de pelúcia, a presidente Cristina Kirchner reapareceu nesta segunda-feira à noite em um vídeo no qual agradece aos argentinos pelo respaldo que recebeu durante a convalescença após a cirurgia no crânio à qual foi submetida há um mês e meio. A volta de Cristina à mídia também continha uma surpresa, o fim de seu luto estrito, já que – depois de três anos ostentando vestidos de cor preta – reapareceu com uma camisa branca e um cardigan escuro.

“Oi, como estão?” foram as primeiras palavras pronunciadas com aparente timidez por Cristina no vídeo realizado por sua própria filha, Florencia Kirchner, que estudou cinema em Nova York. “Depois de tantos dias estamos de volta em contato”, disse Cristina, olhando para a câmera. Na sequência, agradeceu aos médicos e enfermeiros pelo atendimento recebido e admitiu com voz grave: “foram momentos difíceis, não vou negar…mas estamos aqui, trabalhando como sempre!”. Segundo a presidente, “todo mundo passa por operações…mas a cabeça é a cabeça!”.

Sorridente e mais magra, Cristina falou de maneira informal, sentada em um sofá da residência presidencial de Olivos. Ela afirmou que recebeu “milhões de flores e de cartas” durante sua convalescença.

Nem bem o vídeo foi transmitido pelos canais de TV e pelas redes sociais os analistas políticos apressaram-se com uma série de avaliações sobre o simbolismo do fim do luto presidencial que Cristina usou desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner em outubro de 2010, vítima de um fulminante ataque cardíaco. Ao longo deste período Cristina citou seu marido morto em todos os discursos que fez e usou a imagem de Kirchner nas campanhas eleitorais, como se fosse um cabo eleitoral vivo. O fim do luto poderia implicar uma guinada na imagem presidencial.

Cristina também apresentou “Simón”, um filho da raça venezuelana Macuchíes. A presidente, que recebeu o cãozinho de presente de Adán Chávez, irmão do presidente Hugo Chávez, morto em março passado, explicou que o nome era uma homenagem a Simón Bolívar, herói da independência venezuelana.

Em sua primeira mensagem aos argentinos depois de 45 dias a presidente dedicou 30% do tempo a falar do novo integrante canino da família Kirchner. Cristina – famosa por suas carraspanas – não perdeu a chance de dar uma bronca em Simón quando o filhote começou a morder sua mão e tentar pegar suas extensões capilares: “com o cabelo não, pois rompemos relações com a Venezuela!”. Depois deu um leve tapinha no focinho do cãozinho e disse: “não, Simón, senão depois vão acusar os chavistas de serem ruins!”.

Para encerrar o vídeo, Cristina Kirchner tentou convencer o cão a dar “tchau para os argentinos”. Simon permaneceu impassível, arfando, sem dar sinais de um aceno com a pata para os habitantes de seu novo país. “Bom, Simón vai dormir…e eu vou trabalhar”, disse a presidente, despedindo-se dos espectadores.

CANIL – Simón tornou-se um sucesso imediato no Twitter, e até surgiu uma conta com o nome de “Simon Nac e Pop” (sigla para Nacional e Popular, slogan do kirchnerismo) no qual o primeiro tuíte foi uma paráfrase à frase mais famosa do discurso de posse de Nestor Kirchner (não deixarei minhas convicções na porta da Casa Rosada): “não deixarei minhas convicções na porta de meu canil”.

CÃO NOVO, MINISTROS NOVOS – A presidente Cristina Kirchner designou como novo ministro da Economia o neo-keynesiano Axel Kicillof, que nos últimos anos ocupou o posto de vice-ministro. Kicillof havia sido o ministro de fato desde 2011, eclipsando o formal ocupante da pasta, o low profile Hernán Lorenzino. Os analistas destacavam na segunda-feira à noite que a designação do jovem ministro com pinta de galã indica uma virtual confirmação do modelo econômico kirchnerista de intervenção da economia. Na city financeira portenha Kicillof é definido como “o fundamentalista do kirchnerismo”.

No ano passado o jovem protegido da presidente Cristina causou polêmica ao afirmar que eram “palavras horríveis” as expressões “segurança jurídica” e “clima de negócios”, já que considerava que eram conceitos “determinados pelo establishment”. Na ocasião o então vice-ministro também chamou de “imbecis” as pessoas que consideravam que o Estado argentino deveria pagar à empresa espanhola Repsol a indenização de 8 bilhões de euros pela expropriação de sua subsidiária argentina, a petrolífera YPF.

Cristina também designou um novo chefe de gabinete de ministros, Jorge Capitanich, governador de uma das províncias do país, o Chaco, famoso por suas políticas clientelistas e por sua base aliada coronelística. Além disso, removeu a economista Mercedes Marcó del Pont do comando do Banco Central – em cujo mandato o BC perdeu US$ 15 bilhões – e a substituiu com Juan Carlos Fábrega.

Cristina também trocou o comando do ministério da agricultura, que estará nas mãos de Carlos Casamiquela.

Apesar dos pedidos do empresariado, que pediam sua remoção, permanece na secretaria de Comércio Interior Guillermo Moreno, autor da manipulação dos índices de inflação e de grande parte das barreiras protecionistas contra os produtos estrangeiros.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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