Cristina Kirchner multiplicada para os telespectadores argentinos: Presidente fará redes nacionais de TV e depois terá replay
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Cristina Kirchner multiplicada para os telespectadores argentinos: Presidente fará redes nacionais de TV e depois terá replay

arielpalacios

17 de dezembro de 2014 | 09h41

A presidente Cristina Kirchner, figura sine qua non no cotidiano dos televisores dos argentinos, aparecerá mais vezes na telinha, já que seus discursos terão replay em horário nobre com

A presidente Cristina Kirchner, figura sine qua non no cotidiano dos televisores dos argentinos, aparecerá mais vezes na telinha, já que seus discursos terão replay em horário nobre com “os melhores momentos”

blog1dedo4Desde o início deste ano a presidente Cristina Kirchner fez 27 longas redes nacionais de TV (em média ultrapassando os 45 minutos), ao longo das quais protagonizou anúncios econômicos, criticou a mídia, os credores internacionais e os partidos políticos da oposição, além de acusar empresários de falta de “patriotismo”. Nestes discursos a presidente também costuma dissertar sobre seu marido morto e conta ‘causos’ pessoais. Na segunda-feira à noite ela aproveitou uma rede nacional de TV para dar os parabéns aos torcedores do Racing Club (3,2% da torcida argentina) pela vitória no campeonato argentino.

Mas, o formato das redes nacionais passará por um ‘upgrade’. Segundo a presidente, as redes terão uma modalidade diferente daqui para a frente, consistindo uma primeira emissão, com formato convencional, com a costumeira participação de militantes gritando seu nome e aplaudindo seu discurso. Posteriormente, no mesmo dia, em horário nobre, será transmitida uma rede nacional de TV gravada, editada com os “melhores momentos” do discurso ao vivo horas antes.

Esta versão editada – que será uma espécie de replay de Cristina Kirchner no mesmo dia – contará com imagens adicionais e gráficos.

A presidente Cristina defendeu sua presença em formato duplo nos canais de TV afirmando que “os telejornais dos canais não dizem nada de importante”. Por esse motivo, colocará a rede nacional de TV em horário nobre. “Gostaria de contar com os telejornais. Mas, eles só transmitem meus discursos se eu digo alguma palavra retumbante e não exibem nenhuma das partes importantes”, explicou.

Presidente Cristina Kirchner a ponto de entrar em mais uma rede nacional de TV. Ao fundo, à direita, o luxuoso Palácio de las Comunicaciones. A janela dá para a avenida Leandro N.Alem

Presidente Cristina Kirchner a ponto de entrar em mais uma rede nacional de TV. Ao fundo, à direita, o luxuoso Palácio de las Comunicaciones. A janela dá para a avenida Leandro N.Alem

Segundo ela, “queremos que as pessoas tomem conhecimento das coisas que anunciamos, e esta é a única forma de fazê-lo”. No entanto, o governo conta com a maior agência de notícias do país, a Télam, possui uma das principais redes de rádio – a Rádio Nacional – além de contar com diversos jornais de empresários aliados, revistas e o alinhamento da maioria dos canais de TV do país. Até os meios de comunicação críticos costumam dar amplo espaço para os anúncios da presidente Cristina.

A estreia deste formato novo ocorreu na segunda-feira, quando, depois de uma rede nacional de TV no fim da tarde, Cristina voltou à tela dos argentinos uma hora e meia depois, na rede nacional em formato de antologia.

Máximo Kirchner abraça sua mãe, a presidente Cristina Kirchner. Em rede nacional de TV ela relatou como era trocar as fraldas antanho, nos tempos pré-fraldas descartáveis

Máximo Kirchner abraça sua mãe, a presidente Cristina Kirchner. Em rede nacional de TV ela relatou como era trocar as fraldas antanho, nos tempos pré-fraldas descartáveis

SITUAÇÕES GRAVES E FRALDAS – O artigo número 75 da Lei de Mídia, aprovada pelo próprio governo Kirchner em 2009, determina que a convocação para uma rede nacional de TV somente pode ser feita para casos de “situações graves, excepcionais ou de transcendência institucional” para todo o país. No entanto, a presidente recorre às redes nacionais para fazer todo tipo de anúncio ou comentário pessoal. Esse foi o caso, em 2012, quando a presidente Cristina – em um discurso em rede nacional, com empresários americanos na plateia na Casa Rosada – comentou detalhadamente sobre as fraldas de pano que seu filho Máximo maculava quando tinha um ano de idade nos anos 70.

Em 2010, quando seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner estava vivo, exaltou as benesses da carne suína como “afrodisíaca”, sugerindo que no fim de semana prévio ela havia tido uma comprovação desse efeito.

A presidente Cristina é ironicamente chamada de “discursadora serial”, já que recorre às redes nacionais de TV para fazer todo tipo de anúncio. Os deputados da oposição criticam: “falar das fraldas sujas de excrementos do filho não é um assunto grave de relevância nacional…”.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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