Cristina Kirchner não irá à final da Copa do Mundo (e a “Síndrome de Menem”)
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Cristina Kirchner não irá à final da Copa do Mundo (e a “Síndrome de Menem”)

arielpalacios

12 Julho 2014 | 15h37

A presidente Cristina Kirchner não irá ao Rio de Janeiro para ver a final da Copa do Mundo no Maracanã entre a seleção de seu país e o time alemão. O anúncio foi feito no final da noite de quinta-feira por intermédio de uma carta que a presidente Cristina enviou à presidente Dilma Rousseff. Nessa missiva a presidente argentina justificava sua ausência, alegando que não poderá viajar porque está de repouso médico. A presidente argentina, segundo a Casa Rosada, sofre desde a quarta-feira da semana passada uma intensa faringolaringite

Cristina também argumentou que não poderá viajar porque neste sábado recebe o presidente russo Vladimir Putin. E além disso, na segunda-feira é o primeiro aniversário de seu único neto, Néstor Ivan Kirchner. No entanto, Cristina Kirchner viajará ao Brasil na terça-feira, para participar – na categoria de convidada – da reunião dos países do grupo BRICs.

A presidente argentina havia sido convidada pela presidente Dilma para ver a abertura da Copa. No entanto, Cristina também recusou o convite na época. A presidente tampouco despediu-se pessoalmente da seleção argentina, optando por enviar um comunicado de boa viagem aos rapazes do time do técnico Alejandro Sabella.

No âmbito político, há meses especulava-se que Cristina evitaria assistir qualquer jogo da Argentina para evitar o risco de ficar com sua imagem vinculada à de uma eventual derrota em qualquer fase do campeonato.

Entre os políticos argentinos paira a “Síndrome de Menem”, alusão à fama de pé-frio do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), que viajou à Itália em 1990, para presenciar o jogo de abertura da Copa, no qual a Argentina – considerada a favorita na época – enfrentava a seleção de Camarões no estádio Giuseppe Meazza de Milão. Aquele jogo terminou com a derrota argentina por um a zero (graças a um gol feito cinco minutos antes do encerramento do jogo).

Na ocasião, a fama de Menem como fonte de azar espalhou-se na opinião pública a tal ponto que o presidente – semanas depois – não compareceu à final dessa Copa, na qual a Argentina confrontou-se com a Alemanha.

Menem, fanático pelo futebol, optou por enviar seu irmão, o senador Eduardo Menem. O resultado estendeu a fama de pé-frio à toda a família Menem: Alemanha campeã mundial, Argentina vice. Desta forma, no último quarto de século, por via das dúvidas, nenhum presidente argentino jamais voltou a estar presente em uma Copa do Mundo.

O então presidente Carlos Menem e seu amigo e então jogador de futebol Diego Armando Maradona

 

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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