Darín deixa o drama e passa à comédia com “Um conto chinês”
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Darín deixa o drama e passa à comédia com “Um conto chinês”

arielpalacios

22 de julho de 2011 | 20h19

 

Ator argentino afirma que gostaria de filmar no Brasil 

O ator argentino Ricardo Darín – conhecido no Brasil por “O filho da noiva”, “Nove rainhas” e “El secreto de tus ojos”, entre outros – é o protagonista de uma comédia que estreará nos cinemas portenhos nesta quinta-feira. O filme, “Un cuento chino” (“Um conto chinês”, expressão usada pelos argentinos para indicar uma grande mentira ou um delírio), dirigido por Sebastián Borensztein, descendente de uma estirpe de cômicos argentinos, trata da história de um rabugento dono de uma casa de ferragens que inesperadamente se depara com o cenário de ajudar um chinês que foi jogado de um carro e não fala uma palavra em espanhol.

Darin (que segundo os críticos portenhos é o único ator argentino que pode atualmente reivindicar o título de “estrela” internacional) esteve cinco vezes nos últimos três meses no Brasil para participar de eventos culturais e também de férias. Em entrevista ao Estado, declara-se um enfático admirador do cinema brasileiro, analisa a dificuldade de realizar comédias e declara seu desejo de ser diretor.

Estado – “Um conto chinês” poderia ser classificada como uma comédia. No entanto, nos últimos anos quase todos seus filmes foram dramas e suspenses. Em qual gênero sente-se mais à vontade?

Darín – Eu me sinto confortável somente em casa. Eu, como todas as pessoas que trabalham, sabemos que trabalhar não é fácil. Não existe trabalho algum que seja verdadeiramente fácil. Existem gêneros cinematográficos mais gratos que outros. A comédia, por um motivo que eu ainda não consigo entender, não confere tanto prestígio para o ator que a faz. Mas, talvez seja o gênero mais difícil de fazer. No caso deste filme, é um humor que não nos provoca a risada por intermédio de “gags” inseridos com fórceps. Não é mesmo. É um humor que surge de situações que não necessariamente precisam ser obviamente engraçadas. Às vezes a gente fica nervoso e ri de coisas que são trágicas. Mas, esse é o resultado de que como a gente é, de como as coisas funcionam. É um estilo de humor que eu gosto muito.

Estado – Refere-se ao fato de que, mesmo nos dramas, seus personagens ; que costumam ser espontâneos – embora não queiram ser engraçados, podem provocar sorrisos…

Darín – Além dessa graça, também há certa escuridão. Nisso, o cinema se parece um pouco à vida…

Darín, em uma cena do filme “Um conto chinês”

Estado – A crítica costuma ser mais impiedosa com a comédia do que com o drama?

Darín – Claro, pois uma história dramática ou uma tragédia intrinsecamente batem tanto em uma zona que faz que tenha uma aura de prestígio. Lamentavelmente, as comédias não possuem esse prestígio entre os críticos. E a comédia – isto é, a boa comédia – é algo muito, mas muito difícil de fazer. Os ingleses são fantásticos para esse gênero. Eles tem essa capacidade de “sobrevoar” e “sublinhar” as histórias. Deveríamos aprender com eles. E mesmo os italianos, que tiveram épocas gloriosas de comédias.

Estado – E em seu país fazem boas comédias?

Darín – Eu acho que na Argentina fazem boas comédias. Mas, são comédias de características sociais. E, como em “Um conto chinês”, são comédias que tem como pilares certos acontecimentos dolorosos, como no caso do chinês que está perdido, sem ninguém para ajudá-lo. Mas, isto mostra que uma comédia, para ser eficaz, não precisa ser “leve”.

Estado – Recebeu propostas para filmar no Brasil?

Darín – Tenho atualmente três propostas para filmar no Brasil. Duas dessas propostas são muito interessantes. Quero ver se é possível fazê-las. E ainda há uma proposta de Walter Salles, embora não seja para filmar no Brasil. Seria para filmar em outro país. Mas, ainda estamos vendo todas essas propostas. No entanto, como são ainda propostas que estamos negociando, não posso entrar em detalhes. Acho o Brasil um país muitíssimo interessante e admiro o cinema brasileiro.

Estado – O papel que faria nessas obras seria o de um argentino?

Darín – Em um desses filmes o papel é para protagonizar um argentino que mora no Brasil há muito tempo. No outro, não faria nem papel de argentino ou brasileiro, mas de uma terceira nacionalidade.

Estado – Em 2007 codirigiu o filme noir policial “O Sinal”. Pretende no futuro próximo dirigir um filme sozinho?

Darín – Sim, mas esse é um assunto que vou encarar com muita cautela e muita prudência. Vou dirigir um filme sozinho um dia que eu tenha nas mãos uma boa e suculenta história.

Estado – E essa história já apareceu?

Darín – Não… por enquanto não.

Cartaz do novo filme de Darín

 E, aproveitando que Plácido Domingo está em B.Aires para uma apresentação nesta quarta-feira na avenida 9 de Julio, aqui está o link no qual este emblemático tenor/barítono canta “No puede ser”, da zarzuela “La tabernera del puerto”.

 Para ver e ouvir don Plácido, aqui.

 Para saber mais sobre esta zarzuela, aqui.

 E para embalar esta noite, de nosso amigo Pyotr Ilyich Tchaikovsky(???? ????? ??????????), a “Valse sentimentale” para solo de cello e orquestra Op.51 no.6 (1882). Aqui.

     

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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