Em briga por denominação de origem de vinhos Justiça favorece xará argentina
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Em briga por denominação de origem de vinhos Justiça favorece xará argentina

arielpalacios

21 de abril de 2011 | 16h31

 

Carlos V do Sacro Império, a.k.a. Carlos I da Espanha, big boss de Juan Ramírez de Velazco (o fundador de La Rioja). Acima, o imperador – em cujas extensas terras “o sol nunca se põe” – faz pose equestre para o pintor Tiziano. A obra está exposta no Museu do Prado, Madri. La Rioja (a xará argentina) começou a ser colonizada durante seu reinado.

Naquela manhã ensolarada de 20 de maio de 1591, ao fundar um vilarejo como o nome de Todos los Santos de La Nueva Rioja, Juan Ramírez de Velazco não imaginou que estava colocando a semente de uma disputa feroz entre a La Rioja argentina e sua homônima na Espanha, a quem o conquistador quis homenagear. Mais de quatro séculos depois, as duas La Rioja disputaram ferozmente no âmbito diplomático e na Justiça a denominação de origem de seus respectivos vinhos.

La Rioja espanhola argumentou que ela é a única que pode utilizar a denominação de origem “La Rioja”. Mas ao longo da prolongada briga, deslanchada em 1976, a xará argentina defendeu-se afirmando que foi o próprio Estado espanhol dos tempos coloniais que colocou esse nome na versão sul-americana da província, e que por isso, os espanhóis deveriam se resignar.

Além disso, os argentinos afirmam que utilizam a denominação “La Rioja Argentina”, para diferenciar-se da homônima na península ibérica. De quebra, sustentam que os vinhos das duas La Rioja são diferentes, já que na Rioja espanhola a variedade principal é o Tempranillo, enquanto que na província argentina o vinho mais famoso é o Torrontés, além do Bonarda.

Dias atrás, o Tribunal de Justiça Administrativa Federal de Buenos Aires rejeitou a demanda do Conselho de Denominação de Origem Qualificada Rioja da Espanha contra os produtores vinícolas de La Rioja da Argentina.

A Justiça em Buenos Aires indicou que os vinhos riojanos argentinos usam o termo “Argentina” junto, palavra que o tribunal considera que é um “eficaz diferenciador”. Portanto, considera que não existe indução ao erro dos consumidores. Isto é, esses vinhos possuem uma espécie de nome e sobrenome: “La Rioja Argentina”.

O ministro de Produção da argentina La Rioja, Javier Tineo, celebrou a decisão dos tribunais. “É uma grande notícia”, disse ao Estado. “Se formos ver a História, a culpa deste imbróglio é dos próprios espanhóis, que colocaram esse nome nesta província. E eles também foram os que nos trouxeram essa tradição vinícola. No fim das contas, eles são como a cobra que morde o próprio rabo…”.

O diretor de Comercio Exterior de La Rioja, Carlos Sant, afirmou ao Estado que a produção vinícola em 2010 foi de 60 milhões de litros. O total exportado no ano passado rendeu US$ 14 milhões.

OLIVEIRA – Esta é a segunda oportunidade em que a Espanha pretendia remover do caminho a concorrência de La Rioja. Em 1770, na época da colônia, a ordenança real de Carlos IV, determinava o corte de todas as oliveiras de La Rioja argentina, pois competiam com os de La Rioja da Espanha.

Mas nem todas as oliveiras foram eliminadas. Apenas uma sobreviveu, graças à heroína riojana Doña Expectación de Avila, que cobriu um broto de oliveira com uma tigela de madeira, para escondê-la. Aquele broto foi o pai da variedade Arauco, que tem 239 anos. Hoje, La Rioja é a principal produtora de azeitonas da Argentina, que conta com um amplo mercado no Brasil.

 O blog espanhol “El Estafador”, que exibe uma série de ácidas e saborosamente ultrajantes charges sobre o vinho. Aqui.

Curiosidade 1: Carlos IV, o das oliveiras, tem Facebook, aqui.

Curiosidade 2: Como a famosa oliveira está conectada com Menem e a ditadura militar. Aqui.

E de brinde “pascoal”…

Nada como Chico Zé Haydn para embalar este feriado. O concerto de cello, aqui.

E o italiano Ottorino Respighi, com o “Tríptico de Boticelli”, aqui.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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