Em clima de preparação para o pós-kirchnerismo candidatos encerram campanha eleitoral
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Em clima de preparação para o pós-kirchnerismo candidatos encerram campanha eleitoral

arielpalacios

26 de outubro de 2013 | 12h57

Os partidos políticos argentinos encerraram na noite de quinta-feira as campanhas para as eleições parlamentares deste domingo dia 27, quando renovarão metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado. Os candidatos do Frente pela Vitória, a sublegenda kirchnerista do peronismo fizeram apelos emocionais à figura do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), e pediram aos argentinos que votem no governo da presidente Cristina Kirchner.

A ausência da presidente, que está de licença médica por uma cirurgia no crânio feita no dia 8 de outubro, marcou esta campanha, a primeira que o kirchnerismo teve sem Cristina desde que o casal Kirchner chegou ao poder em 2003.

Os analistas de opinião pública calculam que os candidatos kirchneristas em todo o país obteriam entre 26% e 30% dos votos, enquanto que os partidos da oposição, embora fragmentados, reuniriam de 70% a 74%.

“É preciso votar pensando em Cristina!”, exclamou Martín Insaurralde, prefeito da cidade de Lomas de Zamora, tradicional reduto peronista-kirchnerista, e cabeça da lista de candidatos a deputados do governo na província de Buenos Aires. “Seria uma década perdida de mudarmos tudo”, disse o candidato, que obteve apenas 29% dos votos nas eleições primárias simultâneas e obrigatórias realizadas em agosto.

Insaurralde está sendo superado nas pesquisas por Sergio Massa, ex-chefe do gabinete da presidente Cristina que rachou com o governo e transformou-se no líder do partido Frente Renovador, outra sublegenda peronista. Massa obteve 34% dos votos nas primárias, constituindo-se no novo emblema do anti-kirchnerismo. As pesquisas indicam que a brecha entre os dois ampliaria-se neste domingo, a favor de Massa.

Os dois rivais disputam o poder na província de Buenos Aires, principal campo de batalha destas eleições, já que aglutina 38% dos eleitores do país.

No comício de encerramento, realizado em Lomas de Zamora, Insaurralde admitiu que “é preciso corrigir as coisas que estão mal feitas”, em um inédito mea culpa por parte de um integrante do kirchnerismo.

Enquanto isso, Massa, em comício em seu reduto, o município de Tigre, na zona norte da Grande Buenos Aires, fez uma convocação em tom de consenso nacional. Massa, que desponta como virtual presidenciável, de olho nas eleições de 2015 declarou que pretende reunir políticos de todos os partidos políticos e prometeu reduções de impostos. “Sonhar em um país diferente é possível”, disse.

O candidato, para diferenciar-se da presidente Cristina, famosa por sua política de antagonismo e confronto, sustentou que pretende “extirpar a raiz do ódio, especialmente quando esse ódio é produto das diferenças políticas”. “Peço concórdia”, disse Massa, que é prefeito de Tigre, município considerado modelo em políticas de saúde e segurança.

Segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria de opinião pública Raúl Aragón & Associados, Insaurralde contaria com 32,2% das intenções de voto.

No entanto, é ultrapassado por seu rival, Massa, que reuniria 42,12% das intenções de voto.

Para o governo, uma derrota no território bonaerense tem um peso simbólico altamente negativo, já que a província foi o reduto kirchnerista por excelência na maior parte dos últimos dez anos.

INCERTEZAS – A reta final da campanha também foi marcada pelas incertezas sobre a política econômica do governo Kirchner e o surgimento de divergências entre os integrantes do gabinete durante a licença medica de Cristina.

Na quarta-feira o ministro dos Transportes, Florencio Randazzo, anunciou a estatização da ferrovia Sarmiento, que liga diversos municípios da Grande Buenos Aires com a capital argentina. Randazzo admitiu que a decisão foi tomada sem o conhecimento da presidente Cristina, que está de repouso. Mas também foi decidida pelo ministro sem a aprovação prévia do vice-presidente Amado Boudou, atual presidente interino.

A semana também foi marcada pela disparada do dólar no paralelo, o verdadeiro termômetro sobre o ânimo dos argentinos, que ultrapassou a faixa psicológica dos 10 pesos. Nos últimos 40 anos a moeda americana foi o refúgio das economias dos argentinos.

PÓS-KIRCHNERISMO – Dentro do kirchnerismo começa a falar-se em “pós-kirchnerismo” a partir destas eleições, já que em dezembro inicia a segunda metade do segundo mandato da presidente Cristina, que não poderá apresentar-se à uma segunda reeleição (proibida pela Carta Magna). Desta vez Cristina não conta com outro membro da família Kirchner para sucedê-la no poder, tal como ela fez com seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto no dia 27 de outubro de 2010, vítima de um fulminante ataque cardíaco.

Neste cenário despontam vários potenciais presidenciáveis nas fileiras do governo. O nome mais cotado é o do governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, considerado um kirchnerista “light”, amigável com os mercados. Scioli também é conhecido por ser um político de consensos, característica ausente na presidente Cristina.

Scioli causava urticária nos “kirchneristas puros”. Mas, nos últimos tempos começaram a resignar-se como a única alternativa que o governo teria para uma saída ordenada do poder.

PRESIDENCIÁVEIS – Entre os principais presidenciáveis, segundo uma pesquisa da Management & Fit está o governador bonaerense Daniel Scioli, com 21,4% das intenções de voto. Sergio Massa conta com 19,1%. O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, do Proposta Republicana (PRO), de centro-direita, teria 10,6%. O socialista Hermes Binner contaria com 8,9%.

Outra pesquisa, da Raúl Aragón e Associados, coloca Massa em primeiro, com 24,3%, enquanto que Scioli ficaria com 22,7%. Macri, nesta medição, conseguiria 7,1%. O socialista Binner obteria 6,4% em uma eleição presidencial.

Para embalar esta postagem, “Lo que vendrá” (O que virá), tango do sempre supimpa Astor Piazzolla:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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