Ereções nacionais: preservativos e vibradores estrangeiros são alvo da cruzada anti-importações do governo Kirchner
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Ereções nacionais: preservativos e vibradores estrangeiros são alvo da cruzada anti-importações do governo Kirchner

arielpalacios

06 de março de 2012 | 08h35

 

Secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, brinca com um balão  durante a abertura do ano parlamentar no Congresso Nacional. “Globito”  – “balãozinho” em castelhano – na gíria portenha equivale a preservativo.

O erotismo argentino não escapou às barreiras protecionistas do governo da presidente Cristina Kirchner. Tal como outros setores, entre os quais as autopeças, alimentos, têxteis, calçados e brinquedos, agora é vez dos preservativos e vibradores, além da lingerie erótica estrangeiros. Estes produtos tornaram-se o mais recente alvo da cruzada anti-importações implementada pelo secretário de Comércio, Guillermo Moreno, homem de confiança da presidente Cristina. 

A miríade de barreiras argentinas abarcam valores-critério, licenças não-automáticas, acordos voluntários de autorrestrição de venda para o mercado argentino, entre outros. Além disso, desde o dia 1 de fevereiro incluem uma autorização especial da receita federal como passo prévio para iniciar um trâmite de importação. A “blindagem” da Argentina contra a entrada de produtos provenientes do exterior é coordenada por Moreno.

Durante uma reunião com a empresa Kopelco, que fabrica a marca “Tulipán”, e Buhl, que produz a marca “Prime”, Moreno pediu aos executivos que produzam 3 milhões a 3,5 milhões de unidades mensais a mais em cada empresa. A política do governo é que os preservativos nativos fiquem com o mercado das compras públicas realizadas pela administração Kirchner para o setor de saúde.

 

 Por qual motivo caras como este acima não contam com estátuas? Além de Pinkus, um dos criadores da pílula anticoncepcional, outra figura relativamente esquecida é Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI. Ele descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero e que ostentam seu sobrenome. Mas o que o signore Falloppio tem a ver com o assunto desta postagem? Ele foi o criador do primeiro preservativo masculino devidamente documentado, no ano da graça de 1564. O médico defendia o uso desta proteção como forma de combater o flagelo daqueles tempos, a sífilis. E deu certo, segundo ele próprio escreveu: “convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. O versátil Fallopio também cunhou a mundialmente famosa palavra “vagina” (e também criou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. Deixou de existir 39 anos depois.

Atualmente, o governo precisa recorrer a fornecedores asiáticos. Mas, caso o mercado local fique nas mãos dos fabricantes argentinos, Moreno evitaria a saída de dólares, política que tornou-se uma das principais metas da Casa Rosada.

Os executivos da Kopelco e a Buhl, que respectivamente possuem 52% e 35% do mercado local, prometeram a Moreno que aumentarão a produção para evitar a falta do produto no mercado, já que a escassez – devido ao impedimento para as marcas estrangeiras – começa a ser notada nas farmácias e supermercados.

Os empresários explicaram ao secretário que o consumo de preservativos oscila entre 150 milhões e 180 milhões unidades por ano. Quando foi informado sobre o número – segundo indicou o “Política Online” – Moreno arregalou os olhos. Na sequência, fez observações sobre o que ele definiu – com palavras de baixo calão – como “uma intensa atividade sexual” de seus compatriotas.

 

Sexo paleolítico: Uma representação de uma deusa estilizada. É a “Vênus de Dolní V?stonice” (em tcheco, V?stonická Venuše). Esta pequena estátua de terracota, que data do 25 mil a.C, teria sido usada como um primitivo, embora eficaz, consolador. Uma alternativa a ser avaliada pelos consumidores, em caso de escassez dos importados. De quebra, este modelo não requer transferência de tecnologia.

VIBRADORES – Na reunião com os empresários Moreno indicou que havia assinado o bloqueio total para a entrada de vibradores importados (todo o consumo nacional é abastecido pelo exterior). O secretário também brincou sobre as tentativas frustradas dos importadores desse assessório sexual para driblar as barreiras: “nas declarações alfandegárias os caras colocavam ‘artigos para o prazer feminino’. Mas eu percebi logo do que se tratava!”.

Outros “brinquedos eróticos” também estão sofrendo com as barreiras, já que está escasseando no país matéria-prima importada (principalmente o silicone médico), crucial para a elaboração dos produtos. Representantes do setor também ressaltam que a a produção local de lingerie erótica está entrando em colapso, já que grande parte dos tecidos especiais provêm do exterior.

EL BUEN SALVAJE & ALARDE SOBRE GENITÁLIA – Os amigos de Guillermo Moreno o chamam “Napia”, gíria para nariz, devido a seu aquilino perfil. O ex-presidente Néstor Kirchner o chamava de “Lassie”, em irônica alusão à simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema junto com Elizabeth Taylor. Ele também é chamado de “Highlander”, em alusão à sequência de filmes dos anos 80 cujo protagonista era um homem imortal – Connor Mc Leod – capaz de sobreviver a todas as circunstâncias (Moreno passou incólume por todas as reformas ministeriais que Cristina e seu marido fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, sindicatos, partidos da oposição e intelectuais que pediram – e continuam pedindo – sua cabeça)

Os Kirchners sempre resistiram à ideia de removê-lo, já que Moreno é o homem que faz o “trabalho sujo”. Ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e o PIB. Estas estatísticas são elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há seis anos.

Moreno (segundo relatos de empresários e sua biografia não-autorizada “El buen salvaje”) eventualmente iniciava encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana, inclusive – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços. Este comportamento iniciou na época que era secretário de Comunicações.

Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes. O analista político Jorge Lanata, que nos anos 80 fundou o jornal Página 12, o batizou ironicamente de “El Poronga” (ver significado abaixo no glossário).

Óinc, teria dito o Marquês de Rabicó: a carne suína, considerada ‘afrodisíaca’ pela presidente Cristina, também sofre restrições. Me absterei de fazer comentários sobre o casamento do nobre suíno taubatense e sua união – supostamente ‘branca’ com Emília no sítio do Pica-pau Amarelo. Acima, a vaca Mocha, Emília e o Sus scrofa domesticus marquês.

LEITÕES, SEXO E BARREIRAS – Há dois anos a presidente Cristina Kirchner pregou um maior consumo de carne suína por parte dos argentinos, alegando que era “altamente afrodisíaca”. Em um discurso na TV, transmitido desde o palácio presidencial, Cristina sustentou na época que “é muito mais gratificante comer um leitãozinho do que tomar viagra”. Na ocasião, relatou que havia podido comprovar os efeitos da carne suína no fim de semana que havia passado em El Calafate, na Patagônia, com seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner.

No entanto, o consumo de carne suína, que cresceu após a divulgação presidencial de suas supostas qualidades sexuais, está enfrentando uma queda do abastecimento, já que as barreiras alfandegárias do secretário Moreno complicam a entrada de carne suína brasileira (especialmente a polpa).

Do total consumido no país, 40% da carne suína provinha do Brasil até o final do ano passado. Por este motivo, o preço do produto está subindo, fato que está causando problemas para a continuidade do programa ‘Leitão para todos’, lançado em 2010 por Cristina para ‘democratizar’ o consumo do afrodisíaco leitão entre os argentinos.

GLOSSÁRIO SEXUAL

COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus), para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.

COGIDA: “Uma cogida”. O coito.

GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…

GARCHE: A cópula, expressada sem elegância

EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.

TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.

FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, produto utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.

VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.

ACABAR: Cuidado ao utilizar esseverbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.

TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.

VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.

VERSERO/A: O praticante do ‘verso’.

TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.

PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.

CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavraemBuenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.

PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.

CAFISHIO: O gigolô.

TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’. 

FORRO: Forma chula-light de referir-se ao preservativo.

        

E falando em coitos e leitãozinhos, aqui vai um vídeo de Miss Piggy, uma das estrelas dos Muppets, cantando o tema “Nunca aos domingos”, filme franco-grego cuja personagem principal é uma prostituta com intenso joie de vivre.

E, na seqüência, novamente Miss Piggy  cantando “Don’t go breaking my heart”, com Sir Elton John:

E aqui, deixando de lado miss Piggy, mas ainda na área sexual,o tango “El Choclo” (O sabugo de milho), de Angel Villoldo, de 1905. O título, indicam historiadores do tango, era no início uma maliciosa referência ao falo (e não a esse alimento emblemático da civilização asteca):

  

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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