Filho de Fidel Castro defende réentrée do beisebol nos jogos olímpicos
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Filho de Fidel Castro defende réentrée do beisebol nos jogos olímpicos

arielpalacios

06 Setembro 2013 | 10h10

Antonio Castro, filho de Fidel Castro, defende a réentrée do beisebol nos jogos olímpicos. Acima, Castro com uma bola de beisebol e uma luva ad hoc, exibe sua paixão pelo esporte que tornou-se o frisson de Cuba – importado dos yankees – há quase um século. Foto de Ariel Palacios. 

Antonio Castro Soto del Valle, filho do líder comunista cubano Fidel Castro, defendeu ontem (quinta-feira) na capital argentina a volta do beisebol aos jogos olímpicos. Castro, que é embaixador de seu país para a divulgação do beisebol, além de ser o vice-presidente da Confederação Mundial do Beisebol e Softbol (WBSC), afirmou a um pequeno grupo de jornalistas composto pelo Estado, O Globo e a agência Associated Press, que o beisebol “é um esporte que pode acrescentar muito aos jogos olímpicos. E além disso, é o esporte com mais potencial de desenvolvimento que ficou de fora dos jogos”.

“É um belíssimo esporte que movimenta 65 milhões de pessoas no mundo, entre meninos e meninas. O beisebol conta com 145 federações. Além disso, mais de 200 países assistem os jogos de beisebol pela TV”, afirmou, enquanto gesticulava com sua mão esquerda dentro de uma luva de beisebol e uma bola na direita.

“Estamos em uma campanha que já leva mais de oito anos, trabalhando para que o beisebol e o softbol entrem nos jogos olímpicos. Tivemos um trabalho muito duro nestes anos”, explicou Castro, que jogou beisebol na juventude, quando estava na universidade.

O beisebol e o softbol, que ficaram de fora do programa olímpico de Londres em 2012, não estarão dentro dos jogos do Rio de 2016. No entanto, Castro luta para que o esporte volte daqui a sete anos. Mas a eventual volta do beisebol tem como rival a luta livre, esporte que em fevereiro passado o COI propôs eliminar dos jogos. Os defensores da luta argumentam que este esporte integra o programa olímpico desde a primeira edição dos jogos, em 1896, e que já é parte tradicional deste evento esportivo mundial. O squash é o terceiro integrante desta disputa que terá um único sobrevivente.

O COI definirá qual será o esporte que integrará os jogos de 2020 em uma votação no domingo, que promete ser acirrada.

Antonio Castro, homem de formas polidas, usando uma elegante gabardina com uma camisa Armani, afirmou que ele e os outros defensores do beisebol estão realizando um trabalho de “conversar e convencer os membros, além contar com o respaldo da imprensa para informar o público sobre este esporte”. Segundo ele, o lobby “é complexo e é difícil. Somos otimistas mas somos realistas. E é preciso destacar que os três esportes possuem os mesmos direitos e fizeram o mesmo trabalho sério para estar dentro dos jogos”.

Fidel Castro faz pausa nas tarefas administrativas e exibe sua performance no taco em estádio em Cuba em 1965.

O beisebol é o principal esporte de Cuba, país que foi três vezes campeão olímpico (1992, 1996 e 2004), além de duas vezes vice-campeão (2000 e 2008).

Castro lamenta que o beisebol não poderá estar nos jogos do Rio. “Estamos lutando para que esteja nos jogos de 2020, seja em que cidade for a olimpíada”. No entanto, o filho do líder cubano optou por não indicar se a cidade de sua preferência é Madri, Tóquio ou Istambul. “Trabalharemos com a cidade e o país que tenha os jogos daqui a sete anos. Queremos que o beisebol deixe um valor agregado nessa cidade”. Castro sustentou que as três cidades “possuem condições para realizar os jogos de 2020”.

Castro sustenta há vários anos que “é preciso fazer uma revolução” no beisebol em Cuba, de forma que esse esporte volte a ter o nível que teve décadas atrás.

Ernesto ‘Che’ Guevara de la Serna Lynch observa Fidel Castro Ruz dando uma tacada sutil – mas certeira – rumo ao buraco no gramado perto de Havana em 1962. A foto é do emblemático Alberto Korda. 

GOLFE – Antonio Castro também é um defensor do golfe, esporte que pretende revitalizar na ilha caribenha por intermédio de investimentos chineses. Há poucas semanas, durante a visita do secretário do partido comunista chinês, Guo Jinlong, Castro anunciou em Havana a criação de empresas mistas com os chineses. O objetivo é aumentar o fluxo turístico estrangeiro com esse esporte, que embora tenha fama de elitista, era um dos preferidos do líder guerrilheiro Ernesto ‘Che’ Guevara.

Durante uma pausa da Revolução em 1962 Fidel teve um plano criativamente ousado: convidar o presidente americano JohnF. Kennedy a um jogo na capital cubana no campo do clube Rovers Athletic (perto de Havana), em sinal de aproximação entre os dois países. A ideia era uma manchete do estilo “Fidel convida o presidente Kennedy para um amigável jogo de golfe”.

O Che, que na juventude havia jogado rugby na Argentina, adorava golfe. Logo, Fidel combinou um jogo com o colega. Desta forma, juntariam-se as duas figuras estelares da revolução cubana para fazer uma exibição de destreza golfística.

Mas, o que seria um jogo de propaganda para fazer o posterior convite a Washington, tornou-se uma feroz disputa entre o Che e Fidel, que eram duas pessoas altamente competitivas.

O Che e Fidel começaram a jogar de forma apaixonada. Nenhum dos dois queria perder. Resultado: o argentino ganhou e o cubano perdeu.

O jornalista, Lorenzo Fuentes, preparou uma matéria para o jornal “Granma” sobre a derrota de Fidel. No dia seguinte, por esses acasos da vida, recebeu uma visita da polícia, que protagonizou certa desarrumação em seu apartamento. O jornalista, para evitar mais ziqueziras, teve que partir rapidinho de Cuba.

MÉDICOS – Antonio Castro preferiu não comentar a polêmica surgida no Brasil pelo desembarque de médicos cubanos: “estou aqui em Buenos Aires somente para falar sobre esporte”. Ele também declinou qualquer comentário sobre política interna cubana. No entanto, respondeu às perguntas sobre o estado de saúde de seu pai, Fidel Castro: “ele está muito bem”.

O supimpa cantor cubano Bola de Nieve entoa “Ay, amor!”:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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