Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda market-friendly, venceria com facilidade o 2o turno das eleições presidenciais no Uruguai
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Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda market-friendly, venceria com facilidade o 2o turno das eleições presidenciais no Uruguai

arielpalacios

08 de novembro de 2014 | 23h01

Na foto acima, o ex-presidente Tabaré Vázquez, que voltaria à presidência do Uruguai. Tudo indica que vencerá o segundo turno das eleições presidenciais marcadas para o dia 30.

O ex-presidente Tabaré Vázquez candidato da coalizão Frente Ampla, de centro-esquerda, venceria com tranquilidade o segundo turno das eleições presidenciais no Uruguai, marcadas para o dia 30 deste mês. Isso é o que indica uma pesquisa da consultoria Equipos Mori, que sustenta que Vázquez – um socialista moderado – obteria 53% dos votos. Seu rival, Luis Lacalle Pou, do tradicional Partido Nacional (também chamado “Branco”), ficaria com 38% dos votos. Outros 5% dos eleitores uruguaios estariam indecisos, enquanto que 4% votariam em branco ou anulariam o voto.

Outra pesquisa, da consultoria Factum, sustenta que Vázquez teria 52% dos votos, enquanto que Lacalle Pou receberia 36%. Outros 12% estão indefinidos.

No primeiro turno Vázquez obteve 47,8% dos votos, enquanto que Lacalle Pou conseguiu 30,9%.

Poucas horas após o resultado do primeiro turno, no dia 27 de outubro, o Partido Nacional deslanchou sua campanha eleitoral para a segunda fase e começou a tecer alianças com o terceiro colocado nas urnas, o Partido Colorado, que obteve 12,9% dos votos. Na contra-mão, a Frente Ampla fez uma pausa na campanha, que foi retomada ontem (sexta-feira) com intensidade. A campanha frenteamplista está focalizada na imagem de Vázquez como a garantia da continuidade do crescimento econômico dos últimos anos.

Ignácio Zuaznábar, diretor da Mori, não descarta que Vázquez poderia superar a marca conseguida pelo presidente José Mujica, seu colega na Frente Ampla, que nas eleições de 2009 obteve 52,39% dos votos, a maior votação até hoje obtida por essa coalizão que reúne socialistas, democratas-cristãos, ex-guerrilheiros tuparamos e comunistas.

O primeiro mandato de Vázquez foi entre 2005 e 2010. Seu sucessor foi o atual presidente Mujica, que participou do governo Vázquez como ministro da Pecuária.

Em caso de vitória no segundo turno, a Frente Ampla se transformará no único partido a conseguir três mandatos presidenciais consecutivos desde a volta da democracia em 1985.

Segundo os pesquisadores, Vázquez consegue a simpatia de boa parte eleitorado abaixo de 50 anos de idade, enquanto que Lacalle Pou conta com a adesão de uma substancial porção dos uruguaios acima dessa faixa etária.

Lacalle Pou admitiu publicamente que será “muito difícil” derrotar Vázquez. No entanto, o representante do Partido Nacional sustentou que não desistirá: “tentarei nestas semanas que restam convencer os uruguaios que o melhor projeto é nosso projeto”.

MAIORIA – Caso seja eleito presidente, Vázquez contará com maioria no Parlamento, embora ajustada. Na votação do primeiro turno a Frente Ampla conseguiu 50 cadeiras das 99 na Câmara de Deputados.

No Senado a coalizão obteve 15 das 30 cadeiras, isto é, metade dos postos na câmara alta. Mas, Vázquez conseguiria a maioria por intermédio de seu vice-presidente, já que no Uruguai quem tem esse posto é automaticamente o presidente do Senado. O vice de Vázquez é Raúl Fernando Sendic Rodríguez, filho de um histórico ex-guerrilheiro tupamaro, Raúl Sendic Antonaccio.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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