O estatista Axel Kicillof, “galã” da administração Kirchner, transforma-se no poderoso ministro da Economia
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O estatista Axel Kicillof, “galã” da administração Kirchner, transforma-se no poderoso ministro da Economia

arielpalacios

20 de novembro de 2013 | 08h45

Depois de dois anos em stand-vy como vice-ministro, Axel Kicillof, o economista favorito da presidente Cristina Kirchner, tornou-se o ministro da Economia. Segundo a revista “Vanity Fair” ele é o “galã” da administração Kirchner.

Definido na city financeira portenha como “o fundamentalista do kirchnerismo”, Axel Kicillof, é a partir de hoje (quarta-feira) o novo ministro da Economia. Acadêmico de formação marxista com um discurso neokeynesiano condimentado com pitadas de peronismo, o jovem de olhos azuis com pinta de galã (segundo definição da revista “Vanity Fair”) e grande lábia (segundo parlamentares que o sabatinaram no Congresso Nacional) tornou-se o primeiro economista de total confiança da presidente Cristina desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner (Kirchner, embora não formalmente, entre 2005 e 2010 foi o ministro de Economia de fato da Argentina).

Kicillof, que havia participado anos atrás da reestatização da companhia aérea Aerolíneas Argentinas, foi no ano passado o autor do projeto de expropriação da empresa petrolífera YPF, removida das mãos da espanhola Repsol. No entanto, não conseguiu reverter a queda na produção de gás e petróleo.

Na época Kicillof gerou controvérsia ao afirmar que as expressões “segurança jurídica” e “clima de negócios” eram “palavras horríveis”. Tal como o establishment que critica, Kicillof – filho de um casal de psicanalistas – passou quase todas as férias de sua vida no balneário uruguaio de Punta del Este.

O economista, que costuma sustentar que os empresários são “suspeitos por natureza”, é avesso às negociações e o consenso e possui inclinação pelas teorias da conspiração.

Nos círculos político, acadêmico e empresarial em Buenos Aires Kicillof é geralmente definido como “esnobe”, “ambicioso” e “extremamente inteligente”. Um ex-chefe do gabinete de Cristina declarou em off ao Estado que Kicillof “é o filho que a presidente gostaria de ter tido, um intelectual, algo que Máximo Kirchner jamais foi”.

PODERES – Nos últimos dois anos Kicillof acumulou poder como nenhum outro vice-ministro na História da Argentina. A presidente Cristina lhe concedeu poderes especiais para definir os preços da gasolina e outros combustíveis na Argentina, além de definir os planos de investimentos das empresas petrolíferas instaladas na Argentina.

Ainda como vice, Cristina lhe deu poder para executar ações do governo em todas as empresas privadas ou mistas nas quais o Estado argentino tenha participação por intermédio das ações que a Administração Nacional da Segurança Social (ANSeS, sigla da previdência argentina) possui.

Em pouco tempo conseguiu exercer mais influência sobre Cristina do que qualquer outro integrante da equipe econômica, entre os quais a ministra da Indústria Débora Giorgi (conhecida pelo apelido de “Senhora Protecionismo”), a então presidente do Banco Central, Mercedes Marcó del Pont, e seu ex-ministro da economia e atual vice-presidente, Amado Boudou.

Kicillof conseguiu entrar no círculo mais íntimo de decisões do governo, basicamente constituído por pessoas veteranas de extrema confiança de Cristina, que estiveram com os Kirchners desde que Néstor Kirchner era prefeito de Rio Gallegos no final dos anos 80.

A presidente Cristina cogitou em colocá-lo no posto de ministro da Economia em dezembro de 2011, quando iniciou seu segundo mandato presidencial. No entanto, perante a reação da velha ala do peronismo, que dizia que Kicillof ainda era muito jovem para o cargo, Cristina o designou vice-ministro. Antes disso havia sido vice-diretor da reestatizada Aerolíneas Argentinas.

Mas a pesar do cargo de “vice”, Kicillof transformou-se imediatamente no virtual ministro da Economia, já que o ocupante formal da pasta nesse período, Hernán Lorenzino, é praticamente desconhecido do grande público.

Na noite de terça-feira a presidente Cristina removeu o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, o homem-forte da Economia no governo argentino. Sem se rival Moreno Kicillof tem o caminho aberto para ser uma espécie de “super-ministro”. O colunista Joaquín Morales Solá fez uma análise sobre estes dois rivais que disputavam a atenção da presidente Cristina: “Moreno expressava o intervencionismo estatal de Néstor Kirchner…mas Kicillof é, diretamente, um estatista”.

HIPNOSE – “É como Mandrake…o cara conseguiu exercer uma mágica sobre Cristina Kirchner”. Com estas palavras, um deputado do governista Partido Justicialista (Peronista) me definiu em off no final de 2011 o efeito que o boa-pinta economista de costeletas retro tinha sobre a presidente.

Em dezembro daquele ano Kicillof reuniu-se com seus ex-colegas do Colégio Nacional Buenos Aires. A instituição, que é famosa por seus alunos brilhantes, formou grande parte da intelectualidade argentina nos últimos dois séculos. Na reunião entre amigos – segundo fontes – a conversa concentrou-se em futebol, música e mulheres. Um dos integrantes da roda citou a presidente Cristina. Kicillof, imediatamente, interrompeu: “Cristina está hipnotizada por mim”.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

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