Governo Kirchner admite recessão argentina (embora camuflando índices)
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Governo Kirchner admite recessão argentina (embora camuflando índices)

arielpalacios

05 de janeiro de 2015 | 11h28

BlogCristinaPensaUnhas

O governo da presidente Cristina Kirchner começa a admitir que a economia argentina está em problemas.

blog1dedo4O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indicou quer a economia argentina está aprofundando sua recessão. Segundo os números oficiais, o PIB registrou uma queda de 0,8% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2013. No entanto, segundo as consultorias econômicas, o governo da presidente Cristina Kirchner está camuflando os dados sobre o andamento da economia desde dezembro de 2006, quando iniciou a intervenção do organismo estatístico. Segundo as consultorias, a queda real do PIB no terceiro trimestre teria estado ao redor de 3%.

O Indec também admitiu uma queda da produção industrial de 1,2% em novembro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros onze meses deste ano a produção industrial teve uma redução de 2,5% em relação ao período janeiro-novembro de 2013. No total, a Argentina acumula 16 meses de queda na indústria.

No entanto, as consultorias econômicas calculam em média que a produção industrial teria tido uma queda de 4%, superior àquela anunciada pelo governo.

As montadoras instaladas na Argentina constituem um dos setores mais atingidos pela crise. Segundo o Indec, a fabricação de veículos registrou uma redução de 12.5% em novembro em comparação ao mesmo mês do ano passado. A queda acumulada da produção automotiva nos primeiros onze meses de 2014 foi de 21,9% em relação ao mesmo período de 2013.

O governo Kirchner também admitiu que ao longo dos últimos doze meses foram demitidas 395 mil pessoas nos 31 principais centros urbanos da Argentina. Destas pessoas, 271 mil concentram-se na província de Buenos Aires, responsável por 37% do PIB argentino, onde também costuma concentrar-se a maior tensão social do país.

Segundo uma pesquisa elaborada pelo Indec entre empresários, 93,3% não pretendem contratar novos empregados, enquanto que 5,6% avalia realizar demissões em 2015. Somente 1,1% dos empresários pretendem contratar novos funcionários.

Os números do Indec indicam que 2014 seria o pior ano para a economia desde 2009, quando a Argentina foi atingida pela crise internacional. As consultorias na city financeira portenha especulam que o ano poderia ser encerrado com uma queda de 2%, enquanto que o governo, com a camuflagem dos índices, anunciaria uma redução de apenas 0,5%.

BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)BlogVinhetaMundo (2)

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão, aqui.

E, the last but not the least, siga @EstadaoInter, o Twitter da editoria de Internacional do Estadão.
E, de bonus track, veja o Facebook  da editoria de Internacional do Portal do Estadão,aqui.
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).