Indecisos complicam chances de ex-guerrilheiro transformado em floricultor
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Indecisos complicam chances de ex-guerrilheiro transformado em floricultor

arielpalacios

22 de outubro de 2009 | 01h49

ongresso
Parlamento do Uruguai, em Montevidéu. Hoje começamos uma série de postagens sobre as eleições presidenciais e parlamentares deste país

Dois milhões e meio de uruguaios irão às urnas neste domingo eleger o novo presidente da República. Na reta final da campanha eleitoral, os candidatos à presidência da República tentam conquistar o voto dos indecisos, que oscilam entre os 10% e 12% do eleitorado, segundo diversas pesquisas.

A proporção é elevada para os níveis historicamente altos de engajamento político dos uruguaios. Além de elevada, a proporção de indecisos apresentou um comportamento insólito, já que cresceu enquanto aproximava-se a data da eleição.

Segundo as pesquisas realizadas pela consultoria Mori, os indecisos, que eram 8% em abril, cresceram para 10% no final de agosto. Neste fim de semana as pesquisas da Mori indicavam que a proporção de indecisos chegava à faixa de 12%. A consultoria Factum também coloca os indecisos na mesma proporção.

O ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica, candidato da Frente Ampla, a coalizão do governo do presidente Tabaré Vázquez (um médico oncológico que em 2004 tornou-se no primeiro socialista eleito presidente no Uruguai) teria 44% das intenções de voto, segundo uma média de diversas pesquisas.

O candidato da oposição, o neoliberal ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do partido Nacional (também chamado de “partido Blanco”) teria 30%. O terceiro colocado é Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan María Bordaberry oscila ao redor dos 10%.

Se não conseguir 50% mais um dos votos, Mujica, um ex-guerrilheiro transformado em floricultor que odeia ternos e gravatas, terá que ir para o segundo turno. Mujica – famoso por não ter papas na língua – foi prejudicado nas últimas semanas por disparar polêmicos comentários, entre eles, o de xingar os vizinhos argentinos de “imbecis” e de criticar a Justiça.

De quebra, a Igreja Católica criticou suas posições a favor do aborto. O Uruguai é o país mais laico do continente americano. No entanto, o confronto de Mujica com a Igreja poderia provocar a perda de alguns milhares de votos.

Mas, um punhado de milhares de votos no pequeno Uruguai possui um peso especial. O próprio Vázquez foi eleito em 2004 no primeiro turno graças a 15 mil votos que permitiram que pudesse atingir o mínimo necessário para vencer.

“É uma tal massa de indecisos que gera uma situação na qual qualquer cenário é possível. Isto é, a eleição pode se resolver no primeiro turno…mas também pode ocorrer um segundo turno”, ponderou o analista político Oscar Botinelli, da Factum.

Desta forma, a denominada “batalha final” somente ocorreria no segundo turno, na qual confrontariam-se Mujica e Lacalle, no dia 29 de novembro.

Neste domingo, além de eleger o novo presidente, os uruguaios também votarão na definição de 30 senadores e 99 deputados.

SEM DEBATE
No meio da polêmica gerada pelo candidato do governo, o presidente Vázquez impediu a realização de um debate na TV entre Mujica e Lacalle, por temor que seu candidato comprometesse a Frente Ampla com nova controvérsia.

Mujica não era o candidato original do presidente Vázquez, que preferia seu ex-ministro da Economia, o discreto Danilo Astori (o vice na chapa de Mujica). Por esse motivo, Vázquez, que possui mais de 60% de aprovação popular, não se engajou ativamente na campanha do ex-guerrilheiro.

Somente na segunda-feira, na reta final da campanha, Vázquez participou de uma cerimônia em companhia de Mujica, ocasião em que o abraçou em público. Esse gesto, somado à decisão – também na segunda-feira – da Justiça uruguaia de declarar inconstitucional a lei de anistia aos militares poderiam ajudar Mujica a recuperar terreno entre os eleitores.

PLEBISCITO
No domingo, junto com a votação para presidente e parlamentares, os uruguaios também votarão em um plebiscito para definir a eventual suspensão da “lei de caducidade punitiva do Estado”, denominação da lei de anistia aos militares que cometerem violações aos Direitos Humanos durante a ditadura (1973-85).

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