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Indústria argentina acumula 15 meses de queda (recessão aprofunda-se)

arielpalacios

02 de dezembro de 2014 | 15h19

CENTRAL TERMOELECTRICA MANUEL BELGRANO

blog1dedo4A economia argentina está aprofundando seu estado de recessão a cada mês que passa. Isso é o que indicam os dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), que afirmam que o país acumula 15 meses consecutivos de queda de produção industrial. Segundo o Indec, em outubro a atividade nesse setor registrou uma redução de 1,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Desde janeiro deste ano a queda acumulada foi de 2,6%.

A Associação de Concessionários de Automóveis (Acara) anunciou ontem (segunda-feira) que as vendas do mês passado foram as piores registradas em um novembro desde a crise econômica de 2009. Segundo a Acara, as concessionárias venderam 38.573 carros novos, o equivalente a uma queda de 37,6% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Além disso, a Acara sustentou que nos primeiros onze meses deste ano a redução foi de 27,8% em comparação com o mesmo período de 2013.

A produção automotiva também está em queda, segundo dados da Associação de Fabricantes da Argentina (Adefa), que sustenta que a produção caiu 22,8% desde o início deste ano. Por trás desta queda está a menor demanda do mercado brasileiros de veículos Made in Argentina, além da própria queda do consumo interno argentino.

Os estabelecimentos comerciais também estão sofrendo os efeitos da recessão. Segundo a Confederação da Média Empresa (Came) as vendas acumulam onze meses de queda persistente. A entidade empresarial sustenta que as vendas caíram 4,9% em novembro. A redução acumulada desde janeiro é de 7.2%.

DEMISSÕES – Uma pesquisa elaborada pela consultoria SEL indicou que uma de cada três empresas privadas admitem que reduziram seu plantel de funcionários ao longo do último ano.

Segundo os dados oficiais, o desemprego atinge 7,5% da população economicamente ativa da Argentina. No ano passado a proporção era de 6,8% de trabalhadores desempregados. No entanto, sindicatos desconfiam de manipulação de índices do Indec e afirmam que o desemprego real poderia superar os 10%.

A presidente Cristina Kirchner rejeitou ontem os pedidos dos sindicatos para a implementação de aumentos salariais que compensem a inflação de 40% deste ano. Segundo Cristina, “os trabalhadores argentinos são os melhores pagos da região”.

A Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) anunciou a realização de manifestações entre os dias 10 e 20 de dezembro para protestar contra a política econômica da administração Kirchner.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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