Integração ma non troppo: Investimentos brasileiros na Argentina em baita queda (e começa cúpula do Mercosul)
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Integração ma non troppo: Investimentos brasileiros na Argentina em baita queda (e começa cúpula do Mercosul)

arielpalacios

16 de dezembro de 2014 | 12h09

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Imagem do Obelisco portenho iluminado em junho passado com as cores da bandeira brasileira. A presença cromática no monumento-símbolo de Buenos Aires paradoxalmente ocorreu no ano em que os investimentos brasileiros estão em significativa queda.

blog1dedo4Dados da consultoria Abeceb indicaram que os investimentos brasileiros na Argentina registram uma persistente queda nos últimos anos. Enquanto que em 2006 os investimentos provenientes do Brasil no território argentino foram de US$ 1,317 bilhão, em 2013 o volume caiu para US$ 446 milhões. Segundo a Abeceb, no primeiro semestre deste ano as empresas brasileiras investiram apenas US$ 64 milhões no país. Ficaram no passado as grandes compras de ativos argentinos por parte de empresas como a Petrobrás, a Vale do Rio Doce e Friboi, entre outras.

Os analistas em Buenos Aires indicam que, por trás da redução dos investimentos brasileiros no país, estão as barreiras do governo da presidente Cristina Kirchner para importar insumos para a fabricação dos produtos no país, além dos conflitos gerados por governos provinciais (e pela própria Casa Rosada) com empresas brasileiras. Para complicar, a escalada inflacionária nos últimos anos reduziu a competitividade das empresas instaladas na Argentina, além dos crescente protestos sindicais e as restrições para o envio de remessas às casas matrizes no exterior.

Segundo a Abeceb, a queda dos investimentos brasileiros no país é um dos vários sinais negativos sobre a relação da Argentina com o Brasil, sócio do Mercosul. O comércio intra-zona do bloco, cuja reunião semestral começou neste domingo na cidade argentina de Paraná, província de Entre Ríos, perdeu incidência nas exportações totais do bloco. Enquanto que no ano 2010 as exportações dos países-sócios representam 16% do total das vendas externas do Mercosul, em 2014 essa proporção cairá para 13%.

A Abeceb também indicou que a entre os vários problemas do Mercosul está a perda de relevância da Argentina na América Latina. Segundo a consultoria, enquanto que em 1991 a economia argentina representava 15% do PIB latino-americano, no ano passado equivalia somente a 7,6% (em 1910, a Argentina era responsável por 50% do PIB latino-americano).

CÚPULA MERCOSULINA – Os chanceleres dos países do Mercosul reúnem-se nesta terça-feira na cidade de Paraná, capital da província de Entre Ríos, localizada a 372 quilômetros a noroeste de Buenos Aires em linha reta. Os presidentes dos países do Mercosul participarão nesta quarta-feira da quadragésima-sétima reunião de cúpula do bloco.

O encontro coincide com a queda no comércio intra-zona, reclamações brasileiras, uruguaias e paraguaias sobre o protecionismo argentino, além do ressurgimento no Uruguai de especulações políticas sobre a necessidade de fazer acordos bilaterais por fora do bloco. Além disso, o bloco deve analisar a adesão plena da Bolívia ao Mercosul.

Esta será a última cúpula do bloco com Cristina Kirchner como anfitriã, já que em dezembro do ano que vem deixa a presidência da República. A presidente Dilma Rousseff assumirá a presidência pro-tempore do Mercosul.

O governo escolheu a cidade de Paraná para ser a sede da cúpula porque é a capital de Entre Río, cujo governador, Sergio Urribarri, é um dos mais fiéis aliados kirchneristas da presidente Cristina e é eventualmente cotado para ser candidato a vice-presidente no ano que vem.

Nos últimos anos o governo Kirchner aplicou a mesma política para a realização de cúpulas mercosulinas em cidades sem infra-estrutura suficiente para atender as enormes comitivas que desembarcam com os respectivos presidentes do Mercosul, seguranças (especialmente os venezuelanos, que chegam com um team quase preparado para o Armaggedon), assessores e assessoras dos mais variados tipos, parlamentares, militantes e jornalistas.

BILATERAL EM QUEDA – Nos primeiros onze meses deste ano o comércio bilateral entre o Brasil e a Argentina acumulou US$ 26,234 bilhões, o equivalente à uma queda de 21,8% em relação ao mesmo período de 2013. Entre janeiro e novembro a Argentina importou US$ 13,279 bilhões de produtos Made in Brazil, volume que indica uma queda de 27,2% em comparação com os primeiros onze meses do ano passado. Na contra-mão, a Argentina exportou ao mercado brasileiro US$ 12,955 bilhões, o equivalente a uma redução de 15,3%.

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E em clima ‘ma non troppo’, vamos com Herbert von Karajan regendo o “Allegro ma non troppo” da Sinfonia N.9 “A Grandiosa” de Chiquinho Schubert:

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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