Irritados com Cristina Kirchner, sindicalistas preparam demonstração de força
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Irritados com Cristina Kirchner, sindicalistas preparam demonstração de força

arielpalacios

13 de dezembro de 2011 | 11h14

 

Cristina Kirchner, Hugo Moyano e Eva Perón. Foto dos tempos em que os dois vivos (isto é, os dois primeiros citados) eram aliados incondicionais.

O secretário-geral da Confederação do Trabalho (CGT), o caminhoneiro Hugo Moyano, fará uma demonstração de força sindical nesta quinta-feira, quando pretende reunir mais de 80 mil militantes no portenho estádio de Huracán. Moyano, ex-aliado incondicional do governo de Cristina Kirchner, atualmente em rota de colisão com a presidente, exigirá ao governo a concessão de mais subsídios às famílias pobres com filhos. Ele também pedirá a aprovação no Parlamento do projeto de lei elaborado pela CGT que determina distribuição de lucros das empresas entre os trabalhadores.

O projeto, criticado pelo empresariado, era respaldado pelo governo no início do ano, mas a administração Kirchner não contava com maioria no Parlamento. Após as eleições de outubro, a presidente Cristina passou a ter maioria na Câmara e no Senado. No entanto, há poucos dias a presidente Cristina deixou claro que não apoiaria mais essa iniciativa da CGT.

A relação entre a CGT e Cristina ficou mais tensa a partir da cerimônia de posse, neste fim de semana, quando a presidente – em uma crítica inédita a Juan Domingo Perón, fundador do Peronismo (o partido de Cristina) – afirmou que nos tempos de Perón não havia direito à greve, e que portanto, nenhum sindicalista poderia usar a imagem de Perón contra o governo Kirchner.

 “Hoje em dia existe direito de greve, mas não de chantagem e de extorsão”, disse Cristina, em alusão direta ao caminhoneiro.

Horas depois, Moyano retrucou: “a presidente está mal-assessorada”.

“A relação do governo com a CGT atravessa um momento difícil”, admitiu nesta segunda-feira Juan Carlos Schmidt, um dos braços direitos de Moyano. Em tom de cobrança ao governo, Schmidt argumentou que Moyano serviu de cabo eleitoral para o governo durante a campanha presidencial: “estivemos ao lado do governo em diversos momentos complicados para sustentar este projeto nacional e popular”.

No entanto, o sindicalista tentou colocar panos quentes sobre a polêmica gerada pela ausência do líder da CGT na posse presidencial da reeleita Cristina Kirchner no sábado: “institucionalmente, a CGT estava representada”.

Diversos setores sindicais afirmam que Cristina, neste segundo mandato, fará “La Gran Menem” (A Grande Menem), isto é, uma guinada para a direita, afastando-se dos sindicatos.

A CGT foi tradicional aliada de todos os governos peronistas, inclusive com cargos nos ministérios e estatais. Esta é a segunda vez em mais de seis décadas que a central sindical entra em rota de colisão com um governo peronista.

PODER – Moyano, o principal respaldo do governo na área social desde os tempos do ex-presidente Nestor Kirchner, está melindrado com Cristina desde o segundo trimestre deste ano, quando ela recusou-se, apesar de seus pedidos, a designar um vice-presidente de origem sindical.

A presidente tampouco concedeu espaço à CGT na lista de candidatos a deputado nas recentes eleições presidenciais e parlamentares. Cristina somente ofereceu um lugar ao filho de Moyano, Facundo, que foi eleito.

O clã Moyano, no entanto, reclama e recorda que no último governo de Juan Domingo Perón os deputados sindicalistas representavam um terço do total dos peronistas no Congresso Nacional.

O melindre ficou evidente na festa da reeleição de Cristina, quando Moyano optou por não comparecer às celebrações. Simultaneamente o governo fez acenos a sindicalistas rivais de Moyano, que pretendem removê-lo do cargo em 2012.

Nos dois primeiros governos do general J.D.Perón não havia direito à greve, disse Cristina Kirchner, em recado direto à CGT. Na foto acima, do início de 1974 (terceiro governo de “El Conductor”), Perón cumprimenta com um sorriso o general e ditador chileno  A.R.Pinochet.

TELEFONEMA – Desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) a relação entre a presidente Cristina e Moyano foi marcada pela crescente tensão. Rumores no âmbito político indicam que a presidente coloca no caminhoneiro parte da culpa da morte do marido, já que na noite anterior ao enfarte fulminante que matou Kirchner, o líder da CGT e o ex-presidente mantiveram uma violenta discussão por telefone.

DETALHES – Mais detalhes sobre Moyano e sua relação com o governo, nesta postagem de meses atrás, aqui.

 

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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