Freud explica? Governo Kirchner afirma que existem pressões psicológicas por trás da alta do dólar
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Freud explica? Governo Kirchner afirma que existem pressões psicológicas por trás da alta do dólar

arielpalacios

30 de janeiro de 2014 | 10h10

Sigmundo Freud, o pai de todos os divãs, substituindo George Washington na nota de um dólar.

No país que possui mais psicanalistas per capita do mundo, com 1 profissional a cada 650 habitantes, o chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, afirmou ontem (quarta-feira) que além dos “ataques especulativos” nacionais e internacionais contra a Argentina também estão ocorrendo “pressões psicológicas” sobre o comportamento da economia, especialmente sobre a cotação do dólar, o refúgio favorito dos argentinos para os momentos de crise. Capitanich não deu detalhes sobre as acusações vinculadas à ciência desenvolvida pelo doutor austríaco Sigmund Schlomo Freud.

Durante a 4afeira a cotação oficial da divisa americana aumentou em relação à véspera, ficando em 8,14 pesos. No entanto, no final do dia caiu para 8,01 pesos. O dólar no mercado paralelo também aumentou, terminando o dia 12,85 pesos.

Capitanich, novamente na linha psicológica desmentiu os “rumores de um ataque de pânico” do secretário de Comércio, Augusto Costa, o homem encarregado de implementar a política de congelamento de preços. O desmentido chamou mais a atenção do que os poucos rumores surgidos na véspera sobre o estado mental do secretário.

O chefe do gabinete de ministros afirmou que Costa, que tomou posse em dezembro, substituindo Guillermo Moreno – o polêmico ex-secretário que havia ficado famoso por iniciar reuniões com empresários colocando um revólver em cima da mesa – “está bem de saúde e trabalhando com o ministro da Economia, Axel Kicillof”.

O autor de “Totem e tabu” aparece nas notas austrícas de 50 schillings. 

ANSIOLÍTICOS – Coincidência ou não, tal como em outras épocas de crises econômicas e de conflitos sociais – como em 2001-2002 e 2008 – os argentinos estão novamente recorrendo em massa aos ansiolíticos, antidepressivos e demais fármacos que os ajudem a aliviar o clima de incerteza provocado pelas turbulências financeiras.

Segundo um levantamento do jornal portenho “La Nación” em 2013 o consumo cresceu 5% em comparação com o ano 2012. O “aplax” lidera o ranking desses medicamentos, com 4,3 milhões de caixas vendidas entre janeiro e setembro do ano passado. O Clonagin e o Rivotril também contam com grande demanda.

No entanto, apesar do crescimento das vendas dos antidepressivos o cenário de angústia ainda é substancialmente inferior ao da crise de 2001-2002, a pior da História da Argentina, quando a classe média faliu. Na ocasião, 40 mil pessoas morreram de enfartes gerados pelo stress.

Na época psicólogos e psiquiatras foram um dos poucos setores cuja atividade teve um boom. Com as agendas lotadas, os analistas até passaram a realizar consultas por telefone ou mail com seus pacientes que, por causa da crise, tiveram que emigrar da Argentina.

CRISES – Os argentinos padeceram seis graves crises econômicas desde 1975. Naquele ano o governo de Isabelita Perón implementou o primeiro grande ajuste da História do país, “El Rodrigazo”, alusão ao pacote de desvalorização da moeda, congelamento de salários e aumento das tarifas de serviços públicos criado pelo então ministro da Economia, Celestino Rodrigo.

De lá para cá os argentinos passaram por diversas desvalorizações da moeda, três períodos hiperinflacionários, três confiscos bancários, além de momentos de estatizações, privatizações e reestatizações.

   

Para esta 5afeira, Django Reinhardt interpreta “Django’s tiger”:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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