Juan Carlos Batman, o Batman peronista
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Juan Carlos Batman, o Batman peronista

arielpalacios

27 de setembro de 2009 | 17h29

batmanjc

Juan Carlos Batman é o delirante homem-morcego portenho. Volta e meia, após algum “escabio” (birita), ele expõe sua filosofia de ação: “argentinos, perante circunstâncias difíceis, temos que ter a destreza de Zeus, a força de Aquiles e ‘los huevos’ (‘ovos’, mas neste caso, usado para os ‘testículos’) de Perón!”.

O super-herói em questão também foi o organizador do primeiro encontro de Batmans do Mercosul. Na cidade de Buenos Aires, evidentemente, já que é a metrópole que mais tinha panca de Gotham City.

Batman e a Primeira Convenção de Batmans do Mercosul
http://www.youtube.com/watch?v=z0qVNeVENHI&feature=related

Batman e seu batmóvel portenho depara-se com um ladrão:

Batman na padaria (a bolsa para o pão pode ser usado como bat-arma) discute com Robin, que reclama que seu chefe nunca o deixou dirigir o batmóvel):

O Batman platino em questão é o personagem que o humorista Alfredo Caseros criou nos anos 90 e que agora volta em seu espetáculo “A casaerian extravaganza”, no Teatro ND Ateneo, na rua Paraguay 918, todas as sextas-feiras e sábados.

Sem o physique du rôle dos Batmans interpretados por Christian Bale ou George Clooney, o Juan Carlos Batman de Caseros – que também possui mais adiposidade do que o homem-morcego original, Adam West (‘unos rollitos’, uns ‘pneuzinhos’) – é grande consumidor de salames e gosta de reunir-se no bar da esquina com os amigos. Ocasionalmente prepara opíparos ‘asados’ entre uma pausa e outra de combate ao crime.

O Juan Carlos Batman criado pelo ácido – e delirante – humorista argentino passa as férias nas serras da província de Córdoba e dirige um DKW que lhe serve de escangalhado batmóvel (cuja ‘gruta’ está em algum ponto secreto da Grande Buenos Aires) que frequentemente precisa levar ao mecânico. Seu amigo Robin, com o qual mora em uma pensão de um bairro portenho, é também militante da Juventude Peronista do município de Castelar, na Grande Buenos Aires.

O programa que Caseros tinha nos anos 90 virou cult e é reprisado semanalmente no canal I-Sat.

Juan Carlos Batman também está no linkedin, no qual destaca que além de Chairman do Sindicato de Super-heróis Sul-americanos, é também o ‘sillonman” (poltronaman):
http://www.linkedin.com/pub/juan-carlos-batman/5/652/425

peronsupersd
Perón, não como Batman, mas como o Super-Homem (em caricatura do cartunista argentino Diego Parpaglione)

REEDIÇÃO DE OBRA CRÍTICA SOBRE A ‘MACROCEFALIA’ DE BUENOS AIRES
mestrada
Martínez Estrada tinha uma visão crítica sobre a macrocefalia argentina em Buenos Aires

“La cabeza de Goliat” (A cabeça de Golias) é um dos clássicos dos ensaios argentinos da primeira metade do século XX. O livro, de Ezequiel Martínez Estrada (189-1964), é uma dura crítica à concentração da Argentina na cidade de Buenos Aires (e sua região metropolitana) onde está o poder político, a maior parte das indústrias, o poder financeiro, os sindicatos, os centros intelectuais.
Segundo Martínez Estrada – que identificava-se com Nietszche e Kafka – Buenos Aires era a maior glória da Argentina e ao mesmo tempo “a doença mortal da República”.
Pessimista, Martínez Estrada era um crítico das grandes cidades e idealizava um retorno ao mundo natural, paradisíaco.
O livro, que há muito tempo não era reeditado, está nas livrarias em uma nova edição, recém-lançada pela editora Capital Intelectual.

biorgesfilkme
Borges, participando do filme “El Muerto”, de Héctor Olivera

BORGES, ANOTADO
A editora Emecé lança o primeiro volume da obra completa anotada de Jorge Luis Borges. As anotações explicam referências constantes nos textos borgianos (como sua avó Fanny Haslam, sua mãe Leonor Acevedo Borges, o caudilho Juan Manuel de Rosas, a cidade de Genebra onde morou na adolescência e também o lugar de seu repouso eterno), além de explicações sobre a composição dos textos e comentários interpretativos.

O prefácio foi escrito por Rolando Costa Picazo, que também fez os comentários da obra, junto com a pesquisadora Irma Zangara.
Este é o primeiro volume. A edição crítica total (ainda faltam os dois volumes restantes) estará completa em 2010.

Aqui está o link da página do jornal “Crítica” deste domingo, na qual há trechos das notas da edição comentada de Borges. As notas são saborosas:
http://criticadigital.com/impresa/index.php?secc=nota&nid=31434

E uma matéria deste domingo no “La Nación” sobre um desenho de Borges que será leiloado em Nova York.
O link:
http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1179460&pid=7409249&toi=6279

anotadopcCARAMBA & PUTZGRILA, EM LUNFARDO
E aqui, para encerrar, uma lista de expressões em lunfardo (gíria do Rio da Prata) para indicar surpresa.

A la pucha: “Caramba”. Expressão de surpresa, susto, admiração ou pena. Pode ter uma eventual tonalidade de zanga ou irritação. Eufemismo para ‘puta’. Exemplos: “Pucha, cuanto tiempo sin verte!” (Pucha, quanto tempo que não te via!); “Pucha, me tenés harto!” (Pucha, você já me encheu!). Evidentemente, é mais forte que o “puxa!”.
O épico “Martín Fierro”, clássico do século XIX – e leitura obrigatória nas escolas argentinas – escrita por José Hernández (1834-86), tem um trecho no qual refere-se a ‘pucha’ (o trecho a seguir tem erros propositais de castelhano, para indicar tal como falava o homem do campo):

Viene el hombre ciego al mundo,
cuartiándolo la esperanza,
y a poco andar ya lo alcanzan
las desgracias a empujones;
! la pucha, que trae liciones el tiempo con sus mudanzas!”

(Vem o homem cego ao mundo,
esquartejando a esperança,
e pouco depois que começa a andar já o alcançam
as desgraças aos empurrões
la pucha, o tempo traz lições com suas mudanças!)

Variações: ‘Pucha, digo!” e “a la gran pucha!”

A la perinola: Expressão de surpresa, susto ou admiração. ‘Putzgrila!”. Perinola é aquela espécie de pião octogonal com números ao redor para jogos de mesa. O Robin de Juan Carlos Batman bem que poderia dizer assim: “A la perinola, Batman! Santa obra de Borges reeditada!”

A la pipeta: Idem, expressão de surpresa, susto ou admiração. Pipeta é a pipeta mesmo, o instrumento volumétrico de laboratório.

A la miércoles: Outra expressão de surpresa. Pronunciar ‘a la miércole’. Miércoles é quarta-feira. Mas, neste caso, é uma forma elíptica para ‘mierda’.

A la marosca: Idem. Neste caso, origina-se da palavra napolitana “marosca”, uma forma elíptica de referir-se à “malora” (“má hora”).

A la Madonna: Tal como em italiano, muito usada na Argentina, em referência à Virgem Maria.

A la flauta: Idem, expressão de surpresa.

maozinhaborgessE, para um fim de tarde de domingo (mais ainda aqui, pois o tempo está nublado e frio):
O tango “Nada”, interpretado pelo cantor Julio Sosa, el “Varón del Tango”. Aliás, o cantor preferido de meu pai.
O link:

E esta versão, a original:

5vunhesx

ENCONTRO COM COMENTARISTAS E LEITORES
Caros comentaristas e leitores, estarei em São Paulo no dia 30 de setembro, 4afeira desta semana.

Estamos organizando um encontro com os comentaristas e leitores deste blog em um lugar (bar-restaurante) nas redondezas da av. Paulista para conversar.
O encontro será a partir das 18:30.

Quem quiser participar, por favor deixe em um comentário o nome e o mail com o qual posso contatá-lo (comentário que não será publicado).

Será um prazer conhecê-los pessoalmente!!!
Abraços,
Ariel

………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
Todos os comentários devem ter relação com o tema da postagem.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.

Tendências: