Kirchnerismo reloaded: Presidente Cristina faz reforma no gabinete de ministros para aprofundar ‘el modelo’ na última fase de governo (mas remove Guillermo Moreno, a.k.a. El Napia, Lassie, El Poronga)
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Kirchnerismo reloaded: Presidente Cristina faz reforma no gabinete de ministros para aprofundar ‘el modelo’ na última fase de governo (mas remove Guillermo Moreno, a.k.a. El Napia, Lassie, El Poronga)

arielpalacios

20 de novembro de 2013 | 08h14

A presidente Cristina Kirchner começa hoje (quarta-feira) a nova fase de seu governo com uma reconfiguração de ministros que tomam posse no fim desta tarde. Cristina designou uma série de novos colaboradores com os quais pretende aprofundar o “modelo kirchnerista” na economia, colocando à pique as especulações que indicavam que a presidente poderia optar por uma fase final de seu mandato com “pragmatismo”. Na contra-mão das expectativas que sustentavam que Cristina voltaria mais “moderada” de sua licença médica de 45 dias, a presidente deu sinais de que o dogmatismo prevalecerá no período restante de seu governo. Daqui a poucos dias, no 10 de dezembro, Cristina inicia a segunda metade de seu segundo mandato presidencial, sem possibilidades constitucionais de tentar um terceiro governo consecutivo.

SUPER-AXEL E O FIM DE “EL PORONGA”: Cristina designou o neokeynesiano Axel Kicillof para o posto de ministro da Economia, famoso por sua defesa enfática do intervencionismo estatal, sinal de que a ala radical do governo Kirchner conseguiu mais força nesta nova fase, após a cirurgia no crânio de Cristina.

No entanto, a presidente removeu o mais polêmico integrante de seu governo, o secretário de comércio interior, Guillermo Moreno, autor da manipulação dos índices de inflação e pobreza, das barreiras protecionistas, além de ser um dos principais protagonistas do confronto do governo contra o Grupo Clarín.

Os apelidos de Guillermo Moreno eram os mais variados e sugestivos. Era chamado de “Lassie” – tal como a simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema – pelo ex-presidente Néstor Kirchner, em alusão irônica a seu comportamento agressivo. Ele também é o “Napia” (“Nariz”, em gíria portenha) para seus colegas de gabinete por seu perfil aquilino.

Moreno também tinha o apelido de “Poronga”, gíria para o membro viril, já que nas reuniões com empresários nacionais e estrangeiros, utilizava amplamente metáforas sexuais e fazia alarde das dimensões de sua genitália.

Kicillof e Moreno pertencem à ala mais radical do governo Kirchner. No entanto, eram duros rivais que disputavam a atenção da presidente Cristina.

Moreno havia perdido poder ao longo deste ano, já que havia fracassado em sua política de congelamento de preços. Mas ele recebe um prêmio de consolação: será o adido econômico na Itália, de forma a ficar longe dos processos que acumula na Justiça em Buenos Aires.

Cristina também removeu a presidente do Banco Central Mercedes Marcó del Pont, sob cuja administração de 1.384 dias a entidade monetária, perdeu US$ 15,7 bilhões, uma média de US$ 11,3 milhões por dia. Para esse posto Cristina indicou Juan Carlos Fábrega, que até esta reforma foi presidente do Banco de La Nación, o maior banco estatal argentino.

Cristina Kirchner e Guillermo Moreno: o então secretário era o homem que manipulava os índices de inflação, entre outras tarefas.

CHEFE DO GABINETE E PRESIDENCIÁVEL: O novo chefe do gabinete de ministros é Jorge Capitanich, que já foi cotado ao longo dos últimos anos como um virtual presidenciável. Articulador hábil, conta com peso político próprio, uma novidade no gabinete Kirchner, acostumado a ser integrado por pessoas sem base prévia de poder.

Capitanich é o governador de umas das províncias mais pobres da Argentina, o Chaco, cenário no ano passado de um apagão no estádio da capital, Resistência, no início do jogo da seleções do Brasil e da Argentina.

Católico conservador, opôs-se ao projeto de casamento entre pessoas do mesmo sexo do governo Kirchner em 2009. No entanto, exceto nesse ponto, mostrou total fidelidade à presidente Cristina em todos os outros assuntos.

AUDIÇÃO – Os analistas destacavam ontem (terça-feira) que Cristina deixou claro que não ouviu o recado das urnas nas recentes eleições parlamentares do dia 27 de outubro, quando estava de licença médica. Na ocasião o governo obteve apenas 32% dos votos, um de seus piores desempenhos eleitorais em dez anos, enquanto que a oposição, embora fragmentada, teve 68%. Os analistas afirmam que Cristina volta à ativa com a intenção de retomar a iniciativa política.

Matias Carugati, economista-chefe da consultoria Management & Fit, afirmou que Cristina aplicou nesta reforma ministerial a mesma estratégia realizada após a derrota parlamentar de 2009: “rotação de ministros e medidas de alto impacto para diluir a derrota, mas que no fundo não modificam os rumos e objetivos”.

Perante as mudanças no comando do ministério da Economia e no Banco Central, as incertezas que já existiam nas semanas prévias, aumentaram nesta terça-feira e tomaram conta da city financeira portenha ontem. A Bolsa de Valores teve uma queda de 5,4%, enquanto que a cotação do dólar no mercado paralelo – o principal termômetro para verificar o ânimo dos argentinos – voltou a subir, chegando a 10,02 pesos, embora depois tenha encerrado a jornada em 9,92 pesos.

MAIS RICA: Um dia depois da reforma ministerial o Departamento Anti-Corrupção divulgou os números da declaração oficial de bens de Cristina Kirchner, que indicam que a presidente teve um aumento de 20% de seu patrimônio em 2012. Cristina possui 48,2 milhões de pesos (US$ 7 milhões), dos quais, mais da metade, estão concentrados em investimentos imobiliários.

A declaração de bens indica que Cristina faria jus à fama de compradora compulsiva, já que teve em 2012 um total de 667 mil pesos em “gastos pessoais” (ou, US$ 166 mil na cotação daquele ano).

 

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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