Kirchners também querem controlar o futebol
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Kirchners também querem controlar o futebol

arielpalacios

12 de agosto de 2009 | 11h57

afakiurchner
Kirchner, o artilheiro, em fotomontagem no ácido blog do Dr. Lecter (o site é este http://www.perfil.com/contenidos/2009/08/12/noticia_0001.html )

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa e sucessora, Cristina Kirchner, manobrou desde a semana passada para colocar o Estado argentino no business esportivo por meio da estatização das transmissões dos jogos de futebol. Para isso, Kirchner apresentou à Associação de Futebol da Argentina (AFA) uma suculenta proposta de US$ 156 milhões por ano até 2019.

Isto é, ao longo da próxima década, o Estado argentino teria que desembolsar o equivalente atual a US$ 1,56 bilhão à AFA e os clubes argentinos pelos direitos de transmissão, desviando esses fundos de necessidades sociais consideradas mais urgentes como educação, saúde, entre outras.

A proposta parecia uma piada quando surgiu na semana passada. Mas, ao longo do fim de semana transformou-se em algo concreto.
Ontem (terça-feira dia 11) à noite a AFA deu o passo na direção de aceitar a estatização das transmissões ao anunciar o abrupto cancelamento do contrato que possuía desde 1991 com a empresa Televisão Via Satélite Codificada (TSC), sociedade formada entre a empresa Torneios e Competências (TyC) e o mais poderoso holding da mídia argentina, o Grupo Clarín.

A proposta dos Kirchners supera amplamente o pagamento estipulado no contrato entre a AFA e a TSC, já que este estipulava o desembolso equivalente a US$ 69 milhões por ano.

O contrato com a TSC vencia em 2014. A quebra do contrato promete uma batalha na Justiça. Segundo a AFA, a entidade sentia-se “prejudicada” pelo acordo que estava em vigência com a TyC, por intermédio da TSC. O presidente da TyC, Marcelo Bombau, alertou sobre a “tempestade” que tomará conta do futebol argentino.

No fim das contas, o monopólio privado das transmissões passaria para o monopólio estatal.

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Panis et circenses, “Pão e circo”, frequente no Império Romano e posteriormente em outros lugares e séculos neste planeta. O quadro, de 1872, é o “Pollice verso” (Polegares para baixo), do pintor francês Jean-Léon Gérôme. As lutas de gladiadores eram patrocinadas pelo Estado romano. O quadro está atualmente exposto na Phoenix Art Gallery. Gérôme nasceu em 1824. E morreu em 1904, época em que o futebol era apenas um inocente esporte com predomínio dos britânicos.

Ontem à noite, Ernesto Cherquis Bialo, porta-voz da AFA, explicou que a entidade iniciará nesta quarta-feira negociações com companhias que estejam interessadas na compra dos direitos dos jogos. Bialo fez questão de desmentir um acordo pré-existente com os Kirchners, o estatal canal 7 ou outro meio de comunicação.

No entanto, as declarações de Bialo foram, encaradas como mera formalidade, já que os presidentes dos clubes estão exultantes com a proposta do governo. Com a suculenta oferta dos Kirchners, os clubes poderão cobrir os rombos que possuem em suas administrações financeiras dos times (que, nos últimos anos, foram para lá de controvertidas).

Grondona entrou às 11:44 desta quarta-feira na Casa Rosada, o palácio presidencial, para uma reunião com o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández.

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Don Julio, o poderoso chefe da AFA, que está fechando acordo com os Kirchners

Além do golpe de efeito político (levar os jogos de futebol à TV aberta e gratuita é, citando o jargão futebolístico, um “golaço”), o acordo Kirchners-AFA permitirá uma vendetta do casal presidencial contra o Grupo Clarín, com o qual está em pé de guerra desde o ano passado.

O plano é que os jogos sejam transmitidos pelo estatal canal 7, que a princípio pretendia ser um canal cultural.

No início da semana o presidente da AFA, Julio Grondona, havia deixado claro que o divórcio com a TyC era fato consumado.
Em declarações ao jornal “Crítica” Grondona ironizou com a jornalista esportiva que o entrevistava: “se você tem um marido que te bate e que te dá 200 pesos para viver ao longo de todo o ano, e por outro lado vem um cara que te ama com loucura e de propõe te dar tudo o que você quer, com qual ficaria?”.

As informações extraoficiais indicam que depois de acertado o acordo, o governo – de forma urgente – colocaria à disposição dos clubes de futebol ao redor de US$ 15 milhões para resolver as emergências financeiras dos times com os salários dos jogadores.

Líderes dos setores da esquerda e centro-esquerda, na oposição, criticam a oferta dos Kirchners à AFA, por considerar que o país possui situações de emergência, principalmente pelo crescimento da pobreza.
Líderes dos setores de direita e centro-direita também criticam a medida, mas por considerá-la como mais uma nova interferência do Estado argentino na iniciativa privada.

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KIRCHNER: Néstor Carlos. Advogado especializado em hipotecas (como defensor dos bancos, contra as pessoas que contraíam hipotecas) no final dos anos 70 e início dos 80. No final dos anos 80 transformou-se em prefeito de Río Gallegos. Nos anos 90 foi governador de Santa Cruz. Em 2003 foi eleito presidente com 22% dos votos. Em dezembro de 2007 transformou-se em “primeiro-cavalheiro” com a posse de sua sucessora e esposa, Cristina Kirchner. Atualmente, é considerado o verdadeiro poder no governo de sua cônjuge.

GRONDONA: Julio Humberto. Simplesmente “Don Julio”. Está há 30 anos no comando da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Nesse período, o poderoso Grondona, que – segundo os analistas esportivos – domina a organização sem oposições e questionamentos, sobreviveu com apenas uma Copa do Mundo conquistada (México 1986), oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, mais de 40 casos de doping dos jogadores da seleção, além de acusações de corrupção e de vínculos controvertidos com o poder e empresários amigos que possuem negócios comerciais com a AFA. Apesar dos problemas, Grondona relativiza os contratempos e pronuncia sua frase preferida: “tudo passa”. Seus críticos retrucam: “tudo passa, menos Grondona, que continua no poder”.
Don Julio chegou ao poder na AFA graças à Ditadura Militar (1976-83). Atualmente, prepara o acordo com Kirchner.
Mais detalhes sobre Grondona nesta postagem colocada no blog em junho:
http://blog.estadao.com.br/blog/arielpalacios/?title=grondona_o_homem_que_sobreviveu_a_quatro&more=1&c=1&tb=1&pb=1

TYC: Empresa que manteve o monopólio privado das transmissões de futebol desde 1991. O acordo, ao longo deste tempo, foi mantido pela AFA, isto é, Grondona, sem problema algum. Até que na semana passada apareceu Kirchner…
Neste link, do jornal Perfil, há uma detalhada explicação sobre o poder da empresa:
http://www.perfil.com/contenidos/2009/08/12/noticia_0007.html

lendosdOPINIÕES sobre o caso AFA-Kirchner-TYC na mídia argentina hoje:

No Crítica, com opiniões diversas no pé da matéria
http://www.criticadigital.com/impresa/index.php?secc=nota&nid=28984

No La Nación, a opinião do colunista Mariano Grondona
http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1161327&pid=7076625&toi=6259

No Página 12
http://www.pagina12.com.ar/diario/deportes/8-129851-2009-08-12.html

No Clarín
http://www.clarin.com/diario/2009/08/12/deportes.html

E no jornal esportivo Olé
http://www.ole.clarin.com/notas/2009/08/12/futbollocal/01976925.html

livrtos2sPANIS ET CIRCENSES
Sobre a expressão “Pão e circo”, algumas definições da Wikipedia…
A vesão em português é suscinta:
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A3o_e_circo

Mas, em inglês é mais detalhada:
http://en.wikipedia.org/wiki/Bread_and_circuses

anotawE, para quem quiser expressar esta clássica frase em outros idiomas, aqui vai uma lista:
•Castelhano: «Pan y circo»
•Catalão: «Pa i circ»
•Inglês: «Bread and circuses»
•Italiano: «Pane e circo»
•Holandês: «Brood en Spelen»
•Alemão: «Brot und Spiele»
•Francês: «Du pain et des jeux»
•Galego: «Pan e circo»
•Sueco: «Bröd och skådespel»
•Finlandês: «Leipää ja sirkushuveja»
•Luxemburguês: «Brout a Spiller».

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‘Extreme’ panis et circenses: Carlos Menem (1989-99) não hesitava fazer pausas em seu trabalho como presidente para posar como jogador de futebol

CHÁVEZ, O GOLFE, OS BURGUESES E A REVOLUÇÃO CUBANA
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Fidel Castro, bom de taco, concentrado no meio do embate que manteve com seu colega argentino, Ernesto ‘El Che’ Guevara Lynch de la Serna

E, já que hoje o assunto é esporte, reproduzo aqui um breve texto do jornal portenho ‘Infobae’ sobre as recentes declarações do presidente venezuelano Hugo Chávez sobre o golfe:

Desopilante: Chávez clausura campos de golf porque es “un deporte burgués”
El caudillo caribeño cerrará dos canchas más, que se sumarán a las siete que cerró en los últimos tres años. “Sólo un pequeñoburgués puede jugarlo”, afirmó
En su programa de televisión Alo Presidente, Chávez aseguró que “el golf es un deporte de burgueses”. Los agentes oficialistas van a clausurar en los próximos días dos campos de golf en la costa de Caraballeda.

“Si la clausura de estas dos canchas sigue en pie, el número de campos cerrados en los útlimos tres años será de nueve”, advirtió Julio Torres, el director de la Federación Venezolana de Golf.

Además, en los últimos meses cerró 34 radios y amenaza con cerrar 200 más todavía.

“Solamente un pequeño grupo de burgueses puede ir y jugar este deporte”, concluyó el presidente del régimen bolivariano al cierre de su programa de televisión, y según lo reprodujo hoy el prestigioso diario The New York Times.

E aqui, um link, do Youtube, com as declarações de Chávez contra o golfe:
http://www.youtube.com/watch?v=Y3Q2ULhXU5g

E o link de uma matéria do londrino The Independent, sobre o golfe em Cuba e como Fidel e o Che Guevara um dia disputaram um intenso jogo:
http://www.independent.co.uk/news/world/americas/cubas-golf-revolution-1230062.html

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