Seção “Não são gentlemen”, parte II: Mais de 1.200 ‘barrabravas’ tentariam entrar no Brasil durante a Copa
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Seção “Não são gentlemen”, parte II: Mais de 1.200 ‘barrabravas’ tentariam entrar no Brasil durante a Copa

arielpalacios

20 Maio 2014 | 14h04

Não é massagem reiki. São os barrabravas de uma facção do clube Quilmes que espancam outros torcedores do mesmo time (mas de setores rivais).

Mais de 1.200 “barrabravas”, denominação dos ‘hooligans’ argentinos, estão preparando as malas para viajar ao Brasil durante a Copa do Mundo. Isso é o que sustentam investigações feitas pelo jornal portenho “Clarín”, que indicam que o volume de “barrabravas” teria duplicado as estimativas originais, de março, quando as autoridades argentinas calculavam que iriam ao lado brasileiro da fronteira 650 integrantes das violentas torcidas organizadas de times de Buenos Aires e outras cidades do país.

Organizados na “ONG” Hinchadas Unidas Argentinas (Torcidas Unidas Argentinas), conhecida pela sigla “HUA”, os barrabravas foram favorecidos em abril por uma determinação da Justiça de Buenos Aires que permitirá que possam sair da Argentina sem problemas, a não ser nos casos de pessoas que, por questões de processos nos tribunais, estejam impedidos de viajar para fora do país.

Segundo a advogada da HUA, Debora Hambo, os torcedores que irão ao Brasil “não possuem processos penais abertos nem antecedentes de fatos de violência. Os torcedores que viajarão não possuem grau algum de periculosidade”.

Apesar das recentes declarações do ministro dos esportes do Brasil, Aldo Rebelo, de que as autoridades brasileiras estarão de olho nos voos provenientes da Argentina e nos principais pontos de passagem na fronteira entre o Brasil e a Argentina, diversos barrabravas argentinos já estão planejando entrar em território brasileiro pelas fronteiras que o país possui com o Paraguai e Bolívia.

Os barrabravas argentinos teriam conseguido pelo menos 900 entradas para os jogos da primeira fase da Argentina por intermédio da Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada desde 1979 por Julio Grondona. O cartola, aliado de todos os presidentes de plantão, civis e militares, tornou-se colaborador da presidente Cristina Kirchner a partir de 2009, quando fez um lucrativo acordo com o governo para estatizar as transmissões dos jogos de futebol.

Há duas semanas um grupo de 300 barrabravas manifestou-se nas portas da AFA para exigir entradas para os jogos da Argentina no Brasil. Os integrantes da HUA alegam que constituem uma ONG de “luta contra a violência”, e que, portanto, merecem as entradas.

Outras épocas, outros protagonistas de pancadarias a granel. Gravura do séc.XIX sobre invasões bárbaras.

MORTES – Desde 1924, quando ocorreu a primeira morte em um estádio argentino, um total de 278 pessoas foram assassinadas pelos barrabravas em confrontos diretos individuais ou choques de grupos. A AFA, que tem contatos fluidos com as torcidas organizadas – aos quais ocasionalmente recebe em sua sede no centro portenho – jamais atendeu os parentes das vítimas da violência nos estádios. Nestes 90 anos a Justiça argentina condenou apenas três dezenas de pessoas por essas mortes.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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