Maradona é o fracasso que produz dinheiro, afirma sociólogo
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Maradona é o fracasso que produz dinheiro, afirma sociólogo

arielpalacios

10 de setembro de 2009 | 01h00

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Requintado grafite em muro em Helsinqui, Finlândia, mostra uma releitura do dedo divino de Michelangelo Buonarroti na Capela Sixtina com a ‘Mão de Deus’ maradoniana (Foto publicada no Wikipedia)

maomaradonas Em novembro passado a Argentina foi cenário de intensa polêmica. Na ocasião, o ex-astro do futebol Diego Armando Maradona foi designado técnico da seleção nacional. A polêmica foi intensa. Diversas pesquisas na época indicaram que de 60% a 85% dos argentinos não o queriam como técnico, devido a seu caráter turbulento e mutável (embora grande parte dos torcedores o respeitassem – ou idolatrassem dependendo do caso – por seu desempenho como jogador no final dos anos 70, ao longo da década de 80 e início dos 90).

Mesmo as primeiras vitórias de Maradona no comando da seleção não foram suficientes para dissipar da mente de boa parte dos argentinos a hipótese de que Maradona poderia fracassar. E de forma estrepitosa. Os temores foram confirmados ao longo dos últimos dois meses.

Nos últimos dias, perante o acúmulo de derrotas sofridas pela seleção que comanda, o outrora “Pibe de Oro” (Garoto de Ouro) mais uma vez tornou-se o centro de debates no país.

Em fevereiro publicamos no Estado uma entrevista o sociólogo Juan José Sebreli, que havia lançado pouco antes o livro “Cômicos e Mártires – Ensaio contra os mitos”.
Na ocasião, Sebreli prognosticou que uma nova débâcle de Maradona era iminente.
Aqui seguem trechos da entrevista:

“Maradona é um fracasso que produz dinheiro. As pessoas querem ler sobre ele, mesmo fracassado. E, enquanto ele for assim, desse jeito que ele é, continuará sendo chamado para várias atividades”, disparou Sebreli, enquanto bebericava um café no bar El Olmo, nas esquinas das avenidas Santa Fe e Pueyrredón.
“A Associação de Futebol da Argentina sabe que Maradona é um homem incapacitado…incapacitado para comandar sua própria vida. Portanto, mais incapacitado ainda para o comando da seleção”, afirmou.

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Sebreli disseca mitos argentinos. Evita, Gardel, Che Guevara e Maradona.

O sociólogo também definiu Maradona é símbolo da “esperteza argentina”: “o gol mais famoso da História do futebol argentino é o que ele fez com a mão, contra a Inglaterra, em 1986 na Copa do México. Um gol feito com trapaça. Mas é o gol mais idolatrado pela população. Esta é uma sociedade que acredita que a lei está aí para ser violada. Adorar Maradona simboliza a decadência de nossa sociedade”.

‘NÃO É TRANSGRESSOR…É OPORTUNISTA’
“Não é um esquerdista, nem rebelde social ou transgressor. É um oportunista. Maradona adotou os slogans da ‘esquerda caviar’. Apaixonou-se pela figura de Fidel Castro. Mas, ao mesmo tempo aproximou-se do então presidente Carlos Menem (um neoliberal) e assina contratos com empresas capitalistas. No início da carreira, era útil à Ditadura Militar. Agora, Maradona está com os Kirchners. Maradona sequer sabia quem era o ‘Che’ Guevara quando chegou há muitos anos a Nápoles para jogar no time local. Ali, viu os tifosi (torcedores italianos) com bandeiras com o rosto do Che. Perguntou quem era, lhe explicaram que tratava-se de um conterrâneo seu, e ele aderiu. Farejou que o Che dava boa imagem para ele com os torcedores. E tatuou a imagem do Che no ombro”, disse.

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Maradona-Madonna: altar maradoniano em Nápoles, cidade com vasto contingente de idólatras de El Diez

Segundo Sebreli, Maradona conta com “o instante fatal que marca a infância dos heróis mitológicos…quando era criança, caiu em um poço cheio de excrementos quando procurava uma bola perdida e só salvou-se porque conseguiu manter a cabeça acima daquelas águas. Muitas vezes em sua vida isso voltou a acontecer, no sentido freudiano”.

“Em Nápoles as pessoas até identificaram, por meio de um jogo de palavras, com a Virgem: Maradona – Madonna. E isso era um dos cantos populares. Em várias imagens Maradona era representado com a coroa da Virgem e era chamado de Santa Maradona, uma espécie de travesti sagrado”, explicou o sociólogo.

Sebrelli considera que Maradona está perdendo o timing de mito: “Pelé chegou tarde para aproveitar a revolução da mídia. Maradona chegou na hora exata. Os outros três mitos – Evita, Gardel e o Che – foram favorecidos pela morte quando eram jovens. Se Maradona morresse amanhã, haveria pessoas rezando nas ruas e um mega-funeral. Mas, quanto mais o tempo passa, o mito diminui. As crianças de hoje em dia falam do Messi, não do Maradona. Esse entusiasmo com Maradona se dilui com o tempo”.

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Segundo Sebrelli, Maradona é a esquerda-caviar que por meio de escândalos rende bom dinheiro aos empresários

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