Não beba antes de governar (Peronismo agora é fermentado)
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Não beba antes de governar (Peronismo agora é fermentado)

arielpalacios

10 de novembro de 2011 | 16h18

Cervejas peronistas-kirchneristas. Pack das quatro ‘birras’ que exibe o escudo do Partido Justicialista (Peronista) e os pinguins ad hoc do kirchnerismo. Foto feita por Ariel Palacios em cima de sua estante.

Ficar embriagado com o peronismo não é mais uma metáfora. Isso agora é possível – etilicamente falando – graças à variedade de quatro cervejas peronistas-kirchneristas, lançadas oficialmente há poucos dias na capital argentina, que fazem referência às principais figuras do movimento político que chegou ao poder em 1946 e governou o país na metade desse tempo desde então transcorrido. Desta forma, o peronismo, presente em todo tipo de âmbitos da sociedade argentina, desde estátuas, murais monumentais e a toponímia das vias públicas, agora também terá presença na área dos fermentados que evocam o presidente Juan Domingo Perón (1946-55 e 1973-74), sua segunda mulher Evita Perón, além do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) e a presidente Cristina Kirchner.

O autor da ideia é o empresário Daniel Narezo, militante peronista e sócio do restaurante “Perón-Perón” (um homenagem ao peronismo de esquerda dos anos 70), que lançou quatro variedades de cervejas que possuem características etílicas com referências políticas. Uma delas é a “Evita”, cerveja “loira”, tal como a “Protetora dos Humildes”, que ostentava cabelos quase platinados, embora tingidos. Esta variedade, uma “Golden ale” pretende, tal como Evita – a “chefe espiritual dos peronistas” – “um corpo leve mas firme” que sacia a sede.

Outra, a “17 de Outubro”, é uma cerveja malzbier robusta, homenageia a data peronista por excelência (o 17 de outubro de 1945), quando Perón foi liberado da prisão. Esta cerveja energética ea escura é uma referência à multidão composta pelos “cabecitas negras” (denominação dos trabalhadores mestiços de indígenas, provenientes do norte do país) que aclamou Perón na Praça de Mayo.

A terceira cerveja é a “Montonera”, em alusão à guerrilha da organização Montoneros, grupo cristão-nacionalista do peronismo que organizou atos de guerrilha urbana no país nos anos 70, e de onde saíram vários dos integrantes do governo de Carlos Menem e do casal Kirchner. Esta cerveja é uma “pale ale” com toques de frutos patagônios que dão um tom avermelhado-revolucionário.

Para arrematar, em homenagem ao casal Nestor Kirchner e Cristina Kirchner, a seleção etílica peronista conta com a “Dupla K”, cerveja scotch extra-forte, com sete graus de álcool e tons avermelhados. Narezo sustenta que a “Dupla K” é “poderosa” e “recarregada”, já que tem a ver com a “conjunção dos dois Kirchners”.

O resto-bar “Perón Perón” (cujo nome é uma referência ao estribilho da marcha “Los muchachos peronistas” que diz “Perón, Perón, que grande você é”) tornou-se desde sua inauguração em um dos principais centros de reunião da militância intelectual kirchnerista, além de point dos jovens do governo que estão no comando de estatais. Além disso, é frequentado por diversos ministros e secretários do gabinete da presidente Cristina.

O menu do resto-bar, relacionado com a temática peronista, conta com pitadas de humor negro. Esse é o caso do prato de frios “General Pedro Eugenio Aramburu”, em referência ao autor do plano de esconder o corpo de Evita Perón em 1955. Em 1970 a guerrilha montonera sequestrou e executou o militar, transformando-o, segundo a gíria portenha, em um “fiambre”, palavra usada para referir-se ao corpo de um morto (“presunto”, no Brasil).

VINHO – Além desta série de cervejas, o panteão dos etílicos fermentados peronistas também conta com o vinho “O Justicialista” (O Peronista), lançado em março passado pelo empresário Helmut Ditsch, que também é o artista plástico argentino mais cotado atualmente, da corrente hiper-realista. O lançamento contou com a presença do ministro da Economia, Amado Boudou, vice-presidente eleito.

Os produtores do vinho afirmam que “O Justicialista”, produzido em Mendoza, possui um definido sabor de “militante e popular”. Mas, na realidade, este vinho é um blend sofisticado de Bonarda, Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Syrah.

Os vinhos e as cervejas peronistas-kirchneristas estão sendo vendidas nos bares temáticos peronistas espalhados na cidade.

BARES E CAFÉS TEMÁTICOS PERONISTAS:

– “Perón Perón”: rua Carranza 2225 (Palermo). Telefone: (54 11) 4777 6194

– “El General”: avenida Belgrano, 350 (Monserrat). Telefone: (54 11) 4343 7601

– “Un café com Perón”: calle Áustria, 2601 (Recoleta). Telefone: (54 11) 4802 8010

 

TANGOS E PORRES:

“Tomo y obligo”, com Carlos Gardel, aqui.

“Esta noche me emborracho”, com Carlos Gardel, aqui.

“La ultima copa”, com Carlos Gardel, aqui.

“Champagne”, com a orquestra de José Luchesi, aqui.

E este tango não é de temática etílica, o “Cachirulo”, mas é interpretado pelo emblemático Aníbal Troilo, gênio do tango, chegado – chegadíssimo – em uma birita. Aqui.

 

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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