‘No te vayas’
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‘No te vayas’

arielpalacios

02 de outubro de 2009 | 18h45

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‘No te vayas’. Não vá embora, pedem os internautas a Mercedes Sosa

A cantora Mercedes Sosa, de 74 anos, que imortalizou “Alfonsina y el mar” e tantas outras canções está internada, em grave estado de saúde. O tom dos parentes e amigos da cantora é de desconsolo, já que as chances de sobrevivência são poucas. Os médicos também ressaltam que a saúde de Mercedes está piorando. Ela foi colocada em coma farmacológico nesta sexta-feira.

O site oficial de Mercedes Sosa, o www.mercedessosa.com.ar , foi visitado por mais de 700 mil pessoas nos últimos dois dias. Seus fãs deixaram centenas de mensagens de respaldo. Uma delas, Mercedes, xará da cantora, fez um pedido sucinto: “no te vayas” (não vá embora).

Seu médico pessoal, Arnoldo Epelbaum, afirmou que os problemas cardíacos da cantora, junto com a insuficiência renal provocaram um ‘desabamento total’ em sua saúde.
Segundo Epelbaum, a cantora sofre do mal de Chagas há mais de 30 anos. Essa doença é frequente no norte da Argentina, região natal da cantora, que nasceu na cidade de Tucumán.

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Mercedes e o bombo, instrumento tradicional do folclore argentino

Mercedes foi a “voz” dos exilados durante a última Ditadura Militar (1976-83). No entanto, apesar da dura repressão, a cantora ficou no país nos primeiros anos da Ditadura.
Mas, em 1979, após ser detida pelos militares no próprio palco no qual realizava um show na cidade de La Plata (a cantora foi detida, além de toda a plateia, que também foi presa), teve que partir do país.

Meses antes do fim do regime militar e da volta da democracia, em 1983, ela retornou e protagonizou um show no Teatro Opera que transformou-se em um ato cultural contra a Ditadura.

Carinhosamente chamada de “La Negra” (A Negra), por seus cabelos pretos e tez morena, a contralto imortalizou canções como “Gracias a la vida”, da poetisa chilena Violeta Parra, além de poemas do também chileno Pablo Neruda, e de argentinos como Atahualpa Yupanqui. Mercedes Sosa também interpretou tangos e peças do rock argentino, além de ter feito duetos com diversos cantores brasileiros, de Caetano Veloso a Chico Buarque, passando por Beth Carvalho.

Mercedes Sosa recebeu três indicações para o Grammy Latino 2009 por seu álbum “Cantora 1”, no qual faz duetos com o espanhóis Joan Manuel Serrat e Joaquín Sabina, além da colombiana Shaquira e o argentino Fito Páez.
O anúncio do vencedor do Grammy será realizado no dia 5 de novembro em Las Vegas, EUA.

Segundo o jornalista Mario Mactas, Mercedes Sosa, tal como Pablo Picasso, “mudou ao longo de sua vida e foi incorporando novas coisas. Ela também entrou em ritmos como o tango, o rock e o pop. Ora, a música é uma só e não pode ser dividida para vender Cds nas estantes das lojas”.

Pressa enciclopédica: Nesta sexta-feira às 18:17 horas, o verbete ‘Mercedes Sosa’ no Wikipedia, indicava no quesito ‘Morte’ que a cantora havia falecido no dia 2 de outubro.
Mas, até esse horário, a cantora ainda estava viva. Às 18:36 horas o registro da ainda não ocorrida morte da cantora já havia sido deletado.

13:02
Segundo o site Infobae, às 13:02 deste sábado:

Empeoró en las últimas 24 horas la salud de “La Negra” Mercedes Sosa
Se conoció un nuevo parte médico, donde se informó que “sigue en coma farmacológico y se profundizó el deterioro de sus funciones orgánicas”. Ayer, el padre Farinello le dio la unción de los enfermos
El pronóstico de la cantante sigue siendo reservado. Su estado de salud es grave, continúa en coma farmacológico y con asistencia respiratoria mecánica dentro de terapia intensiva. Con el pasar de las horas, se muestra desmejorada.

En un mensaje emitido, sus familiares agradecen “a todos los argentinos por la preocupación” y ruegan a los medios “discreción”.

Se espera que en el transcurso de la tarde lleguen más personalidades a visitar a los familiares. Incluso la presidente Cristina Kirchner habría manifestado su deseo de asistir al Sanatorio de la Trinidad.

La familia pertenece todo el tiempo cerca de la sala de terapia intensiva.

maozmercedess Mercedes Sosa entoa “Alfonsina y el mar” (Alfonsina e o mar, sobre o suicídio da poetisa argentina Alfonsina Storni, cujo organismo estava sendo devastado pelo câncer). Mercedes, acompanhada pelo pianista Ariel Ramírez, em 1983. A letra é do historiador Félix Luna.
O link do Youtube:

E outra versão, duas décadas e meia depois, em um show no Rosedal, em Buenos Aires. O link do Youtube:

Esta outra, na qual canta o tango “El día en que me quieras”, também no show do Rosedal. O link do Youtube:

E esta, também no Rosedal, uma de minhas preferidas, “Al jardín de la República”, canção que evoca a cidade de Tucumán, terra natal de Mercedes Sosa. Esta canção havia ficado um pouco fora do repertório da cantora nas últimas décadas. Neste vídeo, de 2007, ela admite que há tempos não a canta essa ‘zamba’.
O link:

Com o roqueiro Charly García, há poucos meses:

“Todo cambia”. Mercedes Sosa canta os versos do chileno Julio Numhauser para um público em frenesi em Santiago do Chile.
O link:

E esta, uma gravação de quase três décadas. Mercedes canta “Gracias a la vida”.
O link:

E, para encerrar, Mercedes Sosa com Soledad Pastorutti, a jovem voz do folclore, na chacarera “Deixe que eu vá embora”. Foi o encerramento do festival de Cosquín, província de Córdoba, no ano passado.
O link:

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Mercedes Sosa com Félix Luna e Ariel Ramírez. Três potências se reúnem: a carismática cantora, o historiador que ocasionalmente fazia versos e o refinado pianista

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