O “amigopólio”: Cristina Kirchner mantém estruturas governamentais e para-governamentais de mídia
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O “amigopólio”: Cristina Kirchner mantém estruturas governamentais e para-governamentais de mídia

arielpalacios

06 de dezembro de 2012 | 17h18

 

A maior parte dos canais de TV do país pertecem a empresários alinhados com o atual governo. Na foto acima, a presidente C.E.F.deKirchner discursa na frente do quadro de JD Perón e Ma.Eva D.dePerón no Museu do Bicentenário.

“Do total de seis canais de TV de presença nacional destinados à transmissão de notícias por cabo, somente um não está sob o controle direto ou indireto do governo da presidente Cristina Kirchner”. A afirmação é do jornalista José Crettaz, catedrático de economia da mídia na Universidade Argentina da Empresa (Uade), e um dos principais especialistas do país sobre a Lei de Mídia. “Dos cinco canais de TV abertos da cidade de Buenos Aires, cujo conteúdo é distribuído para todo o país, apenas um permanece fora da órbita do kirchnerismo”, afirma Crettaz ao Estado.

Segundo ele, o controle direto ou indireto sobre a mídia por parte dos Kirchners começou nos primórdios da carreira política do casal, quando Nestor Kirchner foi prefeito de Rio Gallegos (1987-91) e governador da província de Santa Cruz (1991-2003), onde conseguiu um sistema de mídia local totalmente alinhado com sua administração.

“O AMIGOPÓLIO” – O governo Kirchner costumeiramente afirma que enfrenta um “monopólio midiático”, em alusão ao Grupo Clarín, dono de vários jornais, estações de rádio e canais de TV. Mas, a oposição retruca e sustenta que nos últimos anos o casal Kirchner armou seu próprio “monopólio” de meios de comunicação aliados. Os meios aliados receberam substanciais volumes de publicidade oficial, enquanto que os meios não alinhados recebem porções mínimas.

Além do Grupo Szpolski, os Kirchners contam com o respaldo midiático (em maior ou menor intensidade) do jornal “Página 12”, do canal “C5N”, do “Canal 9”, e do canal “Telefé” (o de maior audiência do país).

No caso da Telefé, pertencente à Telefônica da Espanha, conta como colunista com o senador Aníbal Fernández, braço-direito de Cristina na Câmara Alta.

Outro caso é o do canal Nueve, pertencente ao empresário mexicano Remígio González-González, que conta com vários programas de explícito respaldo à administração Kirchner.

Tanto o Telefé como o Nueve não poderia continuar existindo, já que seus donos são estrangeiros, algo que está proibida pela Lei de Mídia. No entanto, o governo Kirchner alega com malabarismos jurídicos que os dois canais são “argentinos”.

Além disso, o governo Kirchner possui uma grande rede estatal nacional de TV e rádio (a TV Pública e a Rádio Nacional, entre outras). A deputada Alicia Argumendo, do partido de esquerda Projeto Sul, de oposição, ironiza e chama os meios de comunicação alinhados com os Kirchners de “amigopólios”.

DEPENDÊNCIA – Diversas estimativas indicam que pelo menos 80% das estações de rádio e canais de TV dependem do governo. Estes canais foram cooptados das mais diversas formas, tanto pela compra dos canais realizados por empresários amigos, enormes quantidades de publicidade oficial, concessões regulatórias em troca de acompanhamento editorial, licenças provisórias de TV digital somente para os aliados incondicionais. Em vez de democratização dos meios de comunicação, o cenário tende para hegemonia.

Jorge Liotti, professor de relações internacionais da Universidade Católica Argentina (UCA) e especialista em meios de comunicação, afirmou ao Estado que “a falta de proporção no destino de verbas da publicidade oficial para os jornais é uma constante na política do governo Kirchner. Desde a volta da democracia, em 1983, nunca houve nada assim. É a primeira vez que um governo aplica sanções pela modalidade da distribuição da publicidade oficial. E isso é feito de forma explícita. Não há respeito pelas proporções das quantidades de leitores e vendas. É um critério totalmente arbitrário”.

 

E para embalar este crepúsculo de 5afeira, o “L’après-midi d’un faune”,de nosso querido gaulês Claude Debussy. Na batuta o batutésimo Georges Prêtre com a Orchestre National de France. O genial Philippe Pierlot sapeca na flauta:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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