O Peronismo…por si próprio
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O Peronismo…por si próprio

arielpalacios

15 de abril de 2009 | 05h18

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Nos primeiros anos de fama Perón era chamado de ‘Coronel Kolynos’, em alusão a seu amplo sorriso

O Peronismo, movimento político fundado por Juan Domingo Perón, presidente da Argentina entre 1946 e 1955 e de 1973 a 1974, esteve presente na política deste país de forma constante nos últimos 63 anos.
No poder ou na Oposição, foi protagonista ou coadjuvante. Mas nunca ficou em um plano secundário.
No entanto, apesar de todo esse tempo transcorrido – e dos 35 anos desde a morte de Perón (o morto mais vivo da política argentina) – tentar enquadrar o mutável e abrangente Peronismo tem sido uma tarefa de Hércules que nem os próprios peronistas conseguem realizar.

Por isso, nada melhor do que ver definições do Peronismo realizadas pelos próprios protagonistas deste movimento político que é capaz de reunir admiradores de Trotsky com simpatizantes de Mussolini, políticos que se definem “sociais-democratas”, além dos que se auto-enquadram como “neo-liberais”.

Aqui seguem algumas dessas saborosas definições:

– “Nós, peronistas, somos como os gatos: quando as pessoas ouvem eles gritando, não é que estão brigando…é que estão se reproduzindo!” (J.D. Perón)

– A única verdade é a realidade (categórica e hermética frase que Perón utilizava para encerrar qualquer tipo de discussão)

– “Melhor que dizer é fazer, melhor que prometer é realizar” (Perón, em 1945, quando era Secretário do Trabalho)

– “Para um peronista, nada melhor do que outro peronista” (frase dos anos 50, que nos anos 70 substitui pela mais conciliatória “para um argentino, nada melhor que outro argentino”).

“Dê o pisca-pisca para a esquerda…mas vire para a direita!” (Perón, no início dos anos 70, comparando a arte de governar com a de dirigir um carro. Isto é, dar sinais de que o governo tende à esquerda, mas, na prática, aplica políticas de direita)

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Perón e sua segunda esposa, Eva Duarte, mais conhecida como ‘Evita’, de gala, para quadro oficial

– “Voltarei e serei milhões” (a frase mais famosa de Evita Perón, embora seja totalmente apócrifa. A lenda diz que ela teria pronunciado a frase pouco antes de morrer).

– “Cristo conformou-se em propor o cristianismo ao mundo. Perón tirou vantagens sobre isso…ele realizou o cristianismo. Nada de se conformar com sermõezinhos! Cristo, palavras. Perón, fatos” (frase de Raúl Mendé, criador e diretor da Escola Superior Peronista e autor de Doutrina Peronista do Estado, onde pretendia mostrar que o Peronismo é uma continuação do cristianismo).

– “Há poucos minutos, o presidente dos EUA, George W. Bush, falou que pretendia ter menos proletários e mais proprietários. Você lembrarão que são frases de Perón e Eva Perón” (o ex-presidente Carlos Menem, sugerindo que Bush tinha um lado “peronista”)

– “O general? Meu querido…ele estaria lá em cima, me aplaudindo!” (Resposta de Menem, em 1998, quando lhe perguntei durante uma entrevista para o Estado sobre o que pensaria dele Perón – defensor de uma economia com forte presença estatal – se estivesse vendo “desde o céu” a abertura da economia e as privatizações que ele havia feito)

– Não é que nós éramos bons…é que aqueles que vieram depois fizeram que a gente pareça excelente” (Perón, 1972)

– “O Peronismo, ‘pibe’ (garoto)…o Peronismo…bem…eh…hummm…eh…o Peronismo é um sentimento!” (resposta exasperada de octogenário Antonio Cafiero – ex-ministro de Perón, ex-senador, ex-deputado, a única figura do primeiro governo peronista ainda viva – quando lhe perguntei como poderia enquadrar o Peronismo em uma única frase)

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Perón, como o Super-Homem (em caricatura do cartunista argentino Diego Parpaglione)

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