Pessimismo argentino reloaded
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Pessimismo argentino reloaded

arielpalacios

21 de janeiro de 2014 | 09h12

governo da presidente Cristina Kirchner depara-se com um crescente sentimento de pessimismo por parte da população argentina sobre o andamento da economia em 2014. Por trás dessa sensação de angústia que toma conta dos argentinos estão a escalada da inflação, a disparada da cotação do dólar (o principal refúgio financeiro dos habitantes deste país), o aumento dos protestos sociais, os apagões de energia elétrica, as greves das forças policiais e os temores sobre o retorno dos saques a estabelecimentos comerciais. Simultaneamente cresce a desaprovação da gestão da presidente Cristina, que hoje (terça-feira) completa 42 dias sem falar em público, algo inédito desde que a presidente – famosa por sua verborragia – tomou posse em 2007.

Cristina, que mesmo calada tampouco aparece em cerimônias públicas há 33 dias, somente comparece à Casa Rosada ocasionalmente para reuniões rápidas com seus ministros. Analistas políticos sustentam que a crise econômica na qual a Argentina está entrando é acompanhada pela ausência de liderança e destacam que a presidente Cristina passou de uma sufocante onipresença midiática a um inquietante silêncio.

Uma pesquisa elaborada pela consultoria González & Valladares em conjunto com a MGMR indicou que 62,6% dos entrevistados afirmam que nos próximos dois anos, isto é, no período que resta de governo de Cristina Kirchner, a economia argentina piorará. Somente 23,6% acreditam no discurso otimista dos ministros do governo, que recentemente afirmaram que a economia da Argentina tem melhor desempenho que a da Austrália e do Canadá.

A pesquisa sustenta que 58,2% vislumbram uma inflação mais alta nos próximos dois anos. No ano passado, segundo a média das principais consultorias econômicas, a inflação argentina foi de 28,3%. Para este ano a perspectiva é que ultrapassa facilmente a faixa de 30%. Os sindicatos, nervosos, exigem pelos menos dois aumentos salariais ao longo do ano para compensar a escalada da inflação.

Enquanto isso, o dólar no paralelo – principal termômetro para medir o ânimo dos argentinos – aumentou 20% desde o início do mês.

A tensão política e econômica também cresce pela redução acelerada das reservas do Banco Central argentino, atualmente em US$ 29,75 bilhões. Há três anos as reservas estavam em US$ 52,6 bilhões. No entanto, o governo Kirchner – deficitário e portanto, sem fundos disponíveis – está usando as reservas para pagar a importação de energia, nos vencimentos dos títulos da dívida pública, na cruzada anti-dólar da presidente Cristina, entre outros. A oposição afirma que Cristina está usando o BC como “um talão de cheques”.

Outra pesquisa, da consultoria Management & Fit indica que 75,2% dos argentinos consideram que a economia “vai pelo mau caminho”. Somente 16,9% acreditam nos argumentos dos ministros do gabinete Kirchner que afirmam que o país vai de vento em popa. Esta pesquisa também indica que 54,9% dos argentinos consideram que a situação econômica geral do país piorará nos próximos meses.

Neste cenário, a presidente Cristina Kirchner está com a popularidade em baixa. Ela contava com 34% de aprovação em setembro. Mas, em outubro foi operada de um hematoma no crânio e sua imagem subiu para 44,4%. No entanto, de lá para cá caiu até atingir os 27,4% atuais.

Segundo outra pesquisa, da OPSM, a aprovação popular de Cristina Kirchner está em apenas 25,1%.

ARGENTINOS ESPERAM MAIS CONFLITOS SOCIAIS EM 2014 E 2015

 pesquisa elaborada pela consultoria González & Valladares em conjunto com a MGMR afirma que 64,6% dos entrevistados preveem o crescimento dos conflitos sociais ao longo dos próximos de 2014 e 2015. O ano passado foi marcado por piquetes nas estradas, saques a estabelecimentos comerciais e residências em diversas províncias, além de greves.

Segundo um levantamento realizado pela consultoria Diagnóstico Político, os irritados argentinos protagonizaram 5.653 piquetes em todo o país em 2013, principalmente na cidade de Buenos Aires. O volume mostra um crescimento substancial em comparação com 2012, quando o total de piquetes – modalidade de protestos preferida dos argentinos, que consiste no bloqueio de avenidas e estradas – foi de 3.224.

O Ministério do Trabalho calcula que em 2013 ocorreram 1.206 conflitos trabalhistas na Argentina, o equivalente a três greves por dia. Do total de paralisações, 65% ocorreu nas repartições públicas e empresas estatais.

A pesquisa da González & Valladares indica que 58,7% consideram que a criminalidade continuará sua escalada. Outro fator que preocupa os argentinos é a retomada do crescimento do desemprego, já que 54,6% sustentam que a perspectiva é que até 2015 haverá menos trabalho. Por esse motivo, 61,2% afirmam que a pobreza aumentará.

   

GOVERNO KIRCHNER GASTARÁ 21% A MAIS NA COMUNICAÇÃO OFICIAL

m levantamento elaborado pelo portenho jornal “La Nación” com os dados do Orçamento Nacional indica que o governo da presidente Cristina Kirchner destinará à comunicação oficial (canais de TV estatais, a agência estatal de notícias Télam, publicidade oficial, entre outros) US$ 716 milhões ao longo deste ano. Isso implica em um aumento de 21% no orçamento em relação a 2013.

Desse total o governo gastará US$ 210,4 milhões nas transmissões dos jogos de futebol, controladas pelo Estado argentino desde 2009. Durante os jogos as únicas publicidades autorizadas são as do governo Kirchner, com elogios à administração da presidente Cristina.

   

P/embalar esta jornada, la crème de la crème do jazz em Paris nos anos 30: Jean Sablon canta, enquanto Stéphane Grappelli toca o violino, Alec Siniavine no piano e Django Reinhardt no violão:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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