O processado vice de Cristina, cada vez mais isolado, ficou até sem a namorada (que lhe declara um sentimento ‘fraternal’)
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O processado vice de Cristina, cada vez mais isolado, ficou até sem a namorada (que lhe declara um sentimento ‘fraternal’)

arielpalacios

13 de novembro de 2014 | 11h01

 

Agustina Kämpfer anunciou que sua relação sentimental com Boudou terminou definitivamente. Boudou, atualmente com nulo poder, cada vez mais isolado dentro do governo, está sendo processado em dois casos de corrupção e poderia ir aos tribunais por outros. Segundo a ex-namorada, o amor comme il faut com Boudou terminou. Mas, agora possui pelo processado vice um “amor fraternal”.

O vice-presidente argentino Amado Boudou está cada vez mais isolado na vida política, já que seu envolvimento em uma série de casos de corrupção – além de sua alta desaprovação popular (é o mais impopular integrante do governo da presidente Cristina Kirchner) – o tornaram um incômodo para grande parte das lideranças peronistas. Governadores, prefeitos e ministros evitam posar ao lado dele em fotos em inaugurações de fábricas e hospitais, entre outros, e não o convidam para participar de comícios. As câmeras da estatal TV Pública também evitam filmar Boudou perto da presidente Cristina, quando esta discursa.

Boudou está sendo processado na Justiça por dois casos de corrupção (um, sobre sua suposta propriedade de uma gráfica contratada para imprimir notas de pesos; outra, sobre a falsificação dos documentos de um automóvel de luxo) e corre o risco de ser acusado em outros por suspeita de enriquecimento ilícito.

No início deste ano, quando comparecia perante o juiz, centenas de militantes o esperavam na porta para gritar-lhe palavras de apoio. Mas, nas últimas ocasiões nas quais compareceu nos tribunais, Boudou – famoso por seu passado de playboy – somente contava com a companhia da imprensa, ávida em registrar sua expressão contrariada. Nenhum militante kirchnerista esteve presente nas duas últimas idas de Boudou para prestar depoimento.

Na vida amorosa Boudou, de 52 anos, roqueiro nas horas vagas, também ficou sozinho. Ontem (quinta-feira) Agustina Kämpfer anunciou em entrevista à Infobae TV que sua relação sentimental com Boudou havia terminado definitivamente.

Agustina com Amado em épocas de apogeu de amor e poder.

AMOR FRATERNAL – Agustina, uma bela ruiva que ficou conhecida pelas fotos que ela própria postava nas redes sociais beijando Boudou com entusiasmo em festas nas quais o então ministro agia como disck-jockey, analisou sua encerrada relação com o vice e reclamou: “a política te pede que você dê tua vida”. A ex-namorada afirmou que, por causa dos “acontecimentos”, não houve espaço para algumas “questões de casal”. Segunda ela, o amor que sentia pelo vice “mutou para outro tipo de amor, muito fraternal”.

Agustina era uma desconhecida repórter de TV quando começou a namorar Boudou. Mas, na época – segundo as más línguas – transformou-se rapidamente em apresentadora de programas nos principais canais, além de lançar uma revista própria, “Minga”, que tecia elogios rasgados ao governo Kirchner, que financiava a publicação.

Nos últimos cinco anos Agustina foi a namorada do economista de passado neoliberal converso ao kirchnerismo. Em 2011, quando Boudou tornou-se vice-presidente, Agustina foi batizada pela mídia de “vice-primeira-dama”. Na época Boudou era encarado como o futuro sucessor de Cristina nas eleições de 2015. Mas, os escândalos de corrupção colocaram sua candidatura a pique. “Sempre estive com ele nos momentos ruins, que foram ruins mesmo” declarou ontem a ruiva jornalista, que foi convocada pela Justiça para prestar depoimento nas investigações que realiza sobre o vice. Os juízes consideram que Boudou teria utilizado o celular da namorada para entrar em contato com outros envolvidos nos casos de corrupção.

Recentemente apareceram imagens de nus artísticos de Agustina, feitas anos atrás. As fotos – com poses lânguidas em uma velha mansão – fizeram furor na web.

Boudou, na época na qual era convidado para participar de comícios. Nessas ocasiões, inexoravelmente, pegava a guitarra e entoava alguns hits do rock ‘n roll.

PROCESSOS – Boudou foi processado em agosto pelo juiz federal Cláudio Bonadío, que o considerou responsável pelo delito de falsificação de documentos de compra de um automóvel de luxo no anos 90.

Boudou teria alterado a data da compra do carro Honda CRX conversível com o objetivo de não dividir esse bem durante o processo de divórcio com sua ex-mulher Daniela Andriuolo, uma ex-professora de aeróbica com a qual esteve casado um ano.

Boudou, em um depoimento por escrito que entregou ao juiz Bonadío, afirmou que a culpa das irregularidades na compra do veículo é do despachante que havia contratado para comprar o veículo. “Sou inocente”, declarou o vice, que alega que é vítima de um “fuzilamento midiático” dos “poderes conservadores” que são “inimigos do governo nacional e popular” da presidente Cristina Kirchner.

Boudou havia adquirido o veículo em 1993 e divorciou-se no mesmo ano. Mas, nos documentos forjados aparece a data da compra em outubro de 1992. No entanto, segundo investigações da imprensa, nesse momento o carro importando ainda estava em um navio proveniente do Japão rumo ao porto de Buenos Aires.

Este é o segundo processo contra Boudou, o integrante mais impopular do governo Kirchner. O primeiro processo foi iniciado no dia 27 de junho pelo juiz federal Ariel Lijo, que considera que o vice aceitou em 2010 como suborno 70% das ações da gráfica Ciccone. Em troca das ações, que lhe deram o controle da empresa, Boudou – que na época era ministro da Economia – teria usado sua influência dentro do governo Kirchner para conseguir uma anistia pelas dívidas que a empresa tinha com o Fisco. Boudou teria colocado o empresário Alejandro Vanderbroele como seu testa-de-ferro na Ciccone.

Na sequência, Boudou ordenou o cancelamento do plano de compras de maquinaria moderna da Casa da Moeda para aumentar sua capacidade de impressão de cédulas. Mas, sem poder atender a demanda crescente de dinheiro devido à escalada da inflação, o governo contratou a gráfica para terceirizar a impressão de notas de 100 pesos.

Boudou afirma que não conhece Vanderbroele. No entanto, o empresário pagava o condomínio e a TV a cabo de um apartamento de Boudou no bairro de Puerto Madero, o mais elitista da Argentina.

Boudou, que tornou-se o primeiro vice-presidente da História da Argentina a ser processado na Justiça, também acumula investigações por suspeitas de enriquecimento ilícito e tráfico de influências. O vice afirma que não renunciará.

E nesta jornada digna de boleros, vamos com esta sequência cantada por Plácido Domingo:


hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

No mesmo ano recebeu o Prêmio Comunique-se de melhor correspondente brasileiro de mídia impressa no exterior.

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