O retorno do nome Alfonsín: Ricardo, o filho de Raúl (e Ernesto Sanz, o quase desconhecido senador que começa a chamar a atenção) – Perfis dos presidenciáveis da oposição, parte 6
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O retorno do nome Alfonsín: Ricardo, o filho de Raúl (e Ernesto Sanz, o quase desconhecido senador que começa a chamar a atenção) – Perfis dos presidenciáveis da oposição, parte 6

arielpalacios

18 de janeiro de 2011 | 09h52

 

Alfonsín (filho), em uma rara foto na qual imita o gesto de vitória de Alfonsín (pai).

Ricardo Luis Alfonsín é definido com frequência como um semi-clone de seu pais, Raúl Ricardo Alfonsín, presidente da Argentina entre 1983 e 1989. Sua voz e o cabelo (embora com entradas significativamente maiores), além do bigode que ostenta lembram o falecido pai, primeiro presidente civil com a volta da democracia. Ser “filho de” teve seus prós e seus contras, sendo usado tanto para elogiá-lo como para condicioná-lo.

Com certa frequência os fotógrafos pedem que ele faça o gesto clássico de seu pai com os braços semi-esticados e as mãos entrelaçadas em sinal de vitória. Mas, quase sempre, Alfonsín nega-se a fazer o gesto que caracterizou o pai.

Alfonsín filho formou-se como professor na escola normalista de Chascomús, no interior da província de Buenos Aires. Na sequência estudou Direito na Universidade de La Plata e na Universidade de Buenos Aires. Antes de formar-se como advogado sustentava-se economicamente vendendo em fábricas brocas para tornos mecânicos. Na sequência casou com Cecilia Plorutti e teve quatro filhos.

Era o filho de um político de peso na UCR mas não se interessava por política. Até os 32 anos somente lia filosofia (Miguel de Unamuno, José Ortega y Gasset, entre outros).

Mas, em 1983 seu pai foi eleito presidente da República, o primeiro com a volta da democracia. A política tornou-se assunto predominante nas reuniões familiares. Ricardo Alfonsín – que não teve cargo no governo do pai – largou as leituras de filosofia e começou a ler livros de teoria política e conjuntura que resumia para o pai.

Posse de Alfonsín (pai) em dezembro de 1983 foi um evento marcante para o retorno à democracia na América do Sul.

No entanto, apesar de estar rodeado de política, Ricardo Alfonsín só foi candidato em 1999, uma década depois do final do governo paterno. Nesse ano foi eleito deputado provincial. Tinha 47 anos. Era a primeira vez que exercia um cargo público.

Em 2004 sua filha, que estudava na escola primária, morreu com a artéria femoral cortada por um estilhaço de vidro. A morte da criança abalou toda a família. A partir dali – para esquecer a tragédia, dizem alguns analistas – Alfonsín dedicou-se com mais intensidade à carreira política.

A morte de Alfonsín pai, em 2009, causada por um arrasador câncer, teve o efeito de uma catapulta política para Alfonsín filho. No velório – que reuniu 100 mil pessoas no Congresso Nacional – e no funeral a figura do pai defunto foi enaltecida como um exemplo de honestidade e sobriedade, apesar do fracasso econômico dos últimos anos de seu governo.

Nesse momento Alfonsín filho despontou como a eventual figura de consenso que – graças à mística do pai – poderia reunir os divididos setores da UCR.

Nos últimos dias reuniu-se com o líder do partido socialista, o governador da província de Santa Fe, Hermes Binner. Os dois deram a entender que poderiam formar uma chapa que reuniria a UCR com os socialistas.

O sociólogo Gabriel Puricelli considera que entre as virtudes de Alfonsín estão: “sua simplicidade e mensagens diretas. É crítico, mas trata com respeito. Firme, mas não irritadiço. Ele faz oposição de forma leal, seguindo as regras do jogo”.

Por outro lado, Puricelli diz que entre seus defeitos estão: “a falta de gestão executiva e um jeitão bonachão que uma boa parte da cidadania por encarar como potencial fraqueza”.

O cientista político Guillermo O’Donnell ressalta que Alfonsín filho possui uma característica pouco frequente nos políticos: “se ele não sabe algo sobre algum assunto, ele vai e pergunta a quem sabe”.

Alfonsín afirma que espera que o eleitorado supere a ideia de que a UCR “não consegue governar”. Motivos existem de sobra, já que em 1989 o governo da UCR protagonizado por seu pai teve que renunciar quando só faltavam seis meses para o fim de seu mandato, em meio ao tumulto da hiperinflação, as greves gerais convocadas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) – a central sindical aliada do peronismo – e de rebeliões militares. Em 2001 foi a vez do então presidente Fernando De la Rúa, também da UCR, renunciar em meio à pior crise social da História argentina.

Caso Alfonsín seja eleito, ocorreria um fenômeno que somente aconteceu uma vez na História argentina: pai e filho presidentes. O único caso até agora registrado foi o de Luis Sáenz Peña (1892-1895) e Roque Sáenz Peña (1910-1914). 

Sanz, o senador que ambiciona tornar-se o primeiro presidente do país proveniente da província de Mendoza

ERNESTO SANZ, O SEMI-DESCONHECIDO QUE AMBICIONA A PRESIDÊNCIA: O nome de Ernesto Sanz é cada vez mais pronunciado como um potencial presidenciável para representar UCR. Este senador da província de Mendoza era praticamente desconhecido fora de sua província até que os intensos debates que agitaram o Senado argentino nos últimos três anos – dos quais foi uma das estrelas – o tornaram “menos desconhecido” do grande público.

Diversos setores da UCR passaran a encará-lo como um virtual candidato “novo”, sem vínculos (por parentesco) com o passado, como Alfonsín, ou sem as polêmicas atitudes de “traição” de Cobos (que deixou o partido para passar temporariamente às fileiras kirchneristas…para depois retornar ao partido original).

Formado em Direito, Sanz entrou na política em 1982, quando o país movimentava-se na direção do final da ditadura militar e a volta para a democracia.

Eleito presidente da juventude da UCR de sua província, Sanz fez uma carreira gradual e lenta na política, passando de prefeito de sua cidade, San Rafael, ao posto de senador provincial (na Argentina diversas províncias contam, além da assembleia legislativa, com um mini-senado local). Em 2003 tornou-se senador federal. E em 2009 foi empossado no posto de presidente da UCR.

Sóbrio, sem envolvimentos em casos de corrupção, afirma que pretende criar uma grande comissão que faça um levantamento dos escândalos de subornos e propinas das últimas décadas e levar os responsáveis ao banco dos réus.

Perante a falta de nomes de consenso na oposição, Sanz começou a ser visto nos partidos rivais como uma opção definida como “interessante” para respaldar em um eventual segundo turno presidencial.

Seus críticos, no entanto, afirmam que ele é muito “novo” e que deveria esperar as eleições presidenciais de 2015.

Mais detalhes sobre o partido de Sanz e Alfonsín, a UCR, aqui.

   

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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