O Teixeira “Gold” argentino: Julio Grondona,cartola que comanda a AFA há 33 anos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O Teixeira “Gold” argentino: Julio Grondona,cartola que comanda a AFA há 33 anos

arielpalacios

13 de março de 2012 | 10h00

  

“Todo pasa” (Tudo passa) é a inscrição no anel que ostenta Grondona. Mas, seus críticos ressaltam com ironia “tudo passa…menos Grondona!”

“Don Julio”, como é chamado Julio Grondona, preside com mão de ferro a Associação de Futebol da Argentina (AFA) há 33 anos, desde que foi designado pela ditadura militar (1976-83) para ocupar o posto. Grondona – uma versão “gold” argentina de Ricardo Teixeira – sobreviveu ao longo de mais de três décadas com apenas uma Copa do Mundo conquistada (México 1986), oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, mais de 40 casos de doping dos jogadores da seleção, o surgimento – e o fortalecimento dos “barrabravas” (os hooligans argentinos), além de acusações de corrupção e de vínculos controvertidos com o poder e empresários amigos que possuem negócios comerciais com a AFA. Grondona costuma relativizar os contratempos pronunciando sua frase preferida: “tudo passa”.

 

O todo-poderoso Julio Humberto Grondona, máximo cartola argentino há 33 anos, uma década a mais do que o brasileiro Ricardo Teixeira

“Tudo passa, menos Grondona”, afirmam seus inimigos, já que desde 1979 a AFA teve um único presidente. Mas, a República Argentina está no décimo-terceiro presidente desde aquela época (os generais e ditadores Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Leopoldo Fortunato Galtieri e Reynaldo Bignone, os presidentes civis constitucionais Raúl Alfonsín, Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e a atual Cristina Kirchner).

Grondona, inicialmente, seria um presidente provisório. Mas, nos seguintes anos, foi reeleito oito vezes. Somente uma vez enfrentou um opositor, o ex-técnico Teodoro Nitti, em 1991. O rival conseguiu um único voto. Grondona teve 40. Em 2011 foi novamente reeleito. Mas, desta vez a eleição esteve envolvida em um escândalo público, já que o empresário Carlos Ávila tentou realizar uma eleição paralela, sem sucesso. Grondona foi reeleito. Não existem especulações sobre um eventual sucessor de Grondona que não seja o próprio Grondona. 

Grondona, sentado à direita da foto. Na cabeceira da mesa, o então ditador e general JR Videla.

Desde que “Don Julio” está no comando, a AFA teve dez técnicos da seleção (César Luis Menotti, Carlos Salvador Bilardo, Alfio Basile, Daniel Passarella, Marcelo Bielsa, José Pekerman, novamente Alfio Basile, Diego Maradona, Sergio Batista).

Os críticos de Grondona afirmam que ele montou uma estrutura que permitiu a consolidação de “uma AFA rica e clubes pobres”.

O poder de Grondona – que preside a Comissão de Finanças da FIFA – não é apenas nacional, pois possui grande influência internacional. O analista esportivo Ezequiel Fernández Moores, autor de livros sobre negociatas no futebol argentino, disse ao Estado que “Joseph Blatter foi reeleito presidente da FIFA em 2002 graças ao respaldo de Grondona, que foi fundamental”. 

 

Cristina Kirchner e Julio Grondona 

Nos últimos anos Grondona transformou-se no principal aliado do governo da presidente Cristina Kirchner em sua política de conseguir dividendos eleitorais por intermédio do esporte favorito dos argentinos. Grondona foi a peça crucial para que o governo Kirchner implementasse a estatização das transmissões dos jogos, denominada de “Futebol para todos”.

Em 2009 o cartola convenceu os falidos clubes argentinos a aceitar um suculento contrato de US$ 150 milhões anuais até 2019 oferecido pelo governo para ficar com todos os direitos de transmissão do futebol do país. No ano passado, para agradar Cristina, Grondona batizou o prêmio do campeonato nacional de futebol com o nome do ex-presidente Nestor Kirchner, que morreu em outubro de 2010.

  

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:

E, the last but not the least, siga o @inter_estadão, o Twitter da editoria de Internacional do estadão.com.br .
Conheça também os blogs da equipe de Internacional do portal correspondentes, colunistas e repórteres. 
E, de bonus track, veja o Facebook da editoria de Internacional do Portal do Estadão, aqui. 
.………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Não é permitido postar links de vídeos. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.