O “Troesma” McCartney
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O “Troesma” McCartney

arielpalacios

11 de novembro de 2010 | 18h43

“Troesma!” foi um dos gritos que um grupo de sexagenários emitia ontem, quarta-feira, no primeiro show (de um total de dois) que Paul McCartney fez no estádio Monumental de River.  “Troesma”, na gíria portenha, é o equivalente a “Mestre”, “especialista”, “grandioso” (mais específicamente, são as sílabas da palavra ‘maestro’ – professor em espanhol – ao contrário).

45 mil portenhos, cordobeses, santafecinos, rosarinos, mendocinos, marplatenses, além de pessoas que vieram em roqueiro êxodo a B.Aires provenientes de Montevidéu, Santiago do Chile, Assunção, Lima e Porto Alegre, entre outros, extasiaram-se nesta quarta-feira à noite com a apresentação de Paul McCartney no estádio Monumental de Núñez, a casa do time River Plate.

Sir James Paul McCartney, E.M.B. (assim é o título que a rainha Elizabeth II lhe concedeu por serviços culturais prestados à Grã-Bretanha) – ou “Troesma” desde ontem – começou o show da quarta-feira às 21:00 (22:00 horário de Brasília) com britânica pontualidade.

O pontapé inicial foram os primeiros versos de “Venus and Mars”, canção do Wings, o primeiro grupo que ele formou após o final dos Beatles.

Mafalfa, de Quino, é uma fanática dos Beatles

O jeitão bonachão do ex-beatle seduziu os fãs (é uma forma de falar.. quase todos ali já eram fanáticos de longa data de McCartney antes deste show, embora houvesse alguns conversos recentes entre a multidão, entre eles, um amigo gaúcho que me disse horas antes da apresentação: “bah, tchê, só vou ali porque minha namorada quer ver o show. Mas eu não gosto dessa cantoria”. Hoje de manhã estava extasiado e dizia sem reconhecer a – digamos assim – ‘heresia’ da véspera “Tchê, demais, demais!”).

McCartney – segundo a crítica portenha – fez algo raro hoje em dia: não apelou a efeitos especiais mirabolantes ou coreografias elaboradas com dezenas de dançarinos. Au contraire. O foco do show estava centrado em seu carisma, sua mística por ter pertencido ao quarteto de Liverpool e na relação direta com o público.

“All my loving” foi a canção que agiu como estopim para as primeiras lágrimas sentimentais entre o público.

O hit “Live and let die” – escrito por McCartney e sua esposa Linda – foi aplaudido com frenesi. Mas, o êxtase do público ocorreu quando o quase septuagenário McCartney entoou “Hey Jude” e “Yesterday”.

Os hits de 40 e tantos anos atrás dos Beatles emocionaram os sexagenários, cinquentões presentes, em cujas adolescências ainda ouviram o quarteto de forma integral, antes da divisão. Os sub-40 presentes (milhares de adolescentes incluídos) também extasiaram-se com o “abuelo” McCartney.

Outras 45 mil pessoas assistirão o segundo e derradeiro show hoje à noite.

Desesperadas, centenas de pessoas tentavam conseguir entradas no mercado negro. Mas, da base de preços originais, de 200 pesos (US$ 50) a 6.400 pesos (US$ 1.600), nesta quinta-feira os cambistas haviam elevado os preços até a faixa de 10 mil pesos (US$ 2.500).

As portas para entrar no estádio foram abertas há pouco, às 17:00 horas.

E, para aqueles que estão mais para o canto lírico do que para o rock n’roll, uma opção com “punch”, o “Toreador”, da ópera “Carmen”, de Bizet. Com o russo Dmitri Hvorostovsky. Aqui.

Ou, a irônica “Non più andrai, farfallone amoroso”, da ópera “Le nozze di Figaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart. Aqui.

Ou, nada a ver com ópera, mas sim com jazz: “Sing, sing, sing”, de Benny Goodman. Aqui.

Mais Mafalda e os Beatles

E para encerrar, comme il faut, com os Beatles. Minha preferida: “A hard day’s night”, aqui.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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