Passado de Ministra de Cristina: ‘durona’ e ‘implacável’ com o Brasil
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Passado de Ministra de Cristina: ‘durona’ e ‘implacável’ com o Brasil

arielpalacios

20 de março de 2009 | 06h00

A presidente Cristina Kirchner, que reúne-se nesta sexta-feira em São Paulo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estará acompanhada ao longo da jornada pela Ministra da Produção da Argentina, Débora Giorgi, que possui um longo currículo de especialista em comércio exterior.

A trajetória de Giorgi também inclui uma fama de ‘durona’ e ‘implacável’ com o Brasil, principal sócio do Mercosul. Essa fama é proveniente dos tempos em que ocupou a Secretaria de Indústria e Comércio no governo do presidente Fernando De la Rúa (1999-2001).

Na ocasião, Giorgi protagonizou diversos conflitos comerciais com o Brasil, país que era acusado de supostas – e nunca comprovadas – “invasões” ou “avalanches” de produtos brasileiros no mercado argentino. Giorgi, definida como “uma negociadora com muita garra”, alegava que o setor industrial argentino deveria ser compensado pela desvalorização do real, ocorrida em janeiro de 1999.

“Invasões” de carne suína e de frango, aço, têxteis, papel, indústria moveleira, calçados, entre outros, foram seus argumentos há quase uma década. Além disso, no ano 2000, Giorgi – que conhece profundamente a estrutura industrial argentina – colocou obstáculos para o avanço da liberação total do comércio automotivo dentro do Mercosul.

DUREZA – “Temos que retomar a dureza nas negociações com o Brasil e ter posições mais firmes. É preciso estabelecer cláusulas automáticas de compensação diante dos prejuízos que os países sofrem quando um dos sócios altera de forma unilateral as regras macro-econômicas, como foi o caso da desvalorização do real”, declarou Giorgi no ano 2000.

SENHORA PROTECIONISMO – Na época, Giorgi afirmou que o governo anterior, do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), havia sido “excessivamente permissivo e frouxo com o Brasil” e alertava para o suposto “êxodo” de indústrias argentinas para o território brasileiro (êxodo que jamais ocorreu). Giorgi representava a linha-dura comercial do governo De la Rúa e pregava “maior severidade” nas negociações com o país vizinho.

Desde a volta de Giorgi – ‘Senhora Protecionismo’– ao governo federal (desta vez ao recém criado Ministério da Produção), no final do ano passado, pipocaram medidas da administração Cristina contra produtos Made in Brazil. Têxteis, tubos de aço, multiprocessadores de alimentos e até as facas Tramontina foram parte da miríade de medidas protecionistas da ministra.

giorgi
O marmóreo busto da República observa as sorridentes Cristina Kirchner e Debora Giorgi no Salón Blanco da Casa Rosada
Foto da Presidência da República Argentina

SALTO ALTO E PARALELEPÍPEDOS – Durante seu período no comando das negociações comerciais com o Brasil na administração De la Rúa, a então Secretária também era famosa por sair correndo ao ver a imprensa brasileira nas proximidades. Ela costumava afastar-se celeremente dos correspondentes do Brasil com seus saltos altos (altos para valer) com grande habilidade sobre a irregular superfície de paralelepípedos do pátio do Palácio San Martín, sede da Chancelaria argentina.

Nos últimos anos, com os cabelos alisados e aloirados, ao contrário da onduladíssima e preta cabeleira que a caracterizava na época da Secretaria de Indústria, Giorgi transformou-se em uma das economistas preferidas da presidente Cristina Kirchner.

KEYNESIANA PESCADORA – Giorgi, de 51 anos – que auto-define-se como “keynesiana” – ocupava no ano passado a Secretaria da Produção e Assuntos Agrários da província de Buenos Aires. No entanto, perante o agravamento da crise internacional (e o esfriamento acelerado da economia argentina) a presidente Cristina decidiu convocar Giorgi, para quem criou o Ministério da Produção.

A economista formou-se com medalha de ouro na Universidade Católica Argentina (UCA). Na atividade privada comandou a “Alpha”, sua própria consultoria, além do Centro de Estudos para as Negociações Internacionais. Seu hobby é a pesca.

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