Pesquisa indica queda na popularidade de Cristina E.F.de Kirchner
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Pesquisa indica queda na popularidade de Cristina E.F.de Kirchner

arielpalacios

12 de junho de 2012 | 08h06

 

A presidente C.E.F.deK. sofre uma queda de sua popularidade.

 aprovação popular da presidente Cristina Kirchner despencou 25 pontos percentuais, segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria de opinião pública Management & Fit. O relatório indica que seis meses após a posse de seu segundo mandato presidencial, a imagem positiva de Cristina caiu de 64,1% para 38,9%. Esta queda da imagem da presidente argentina estaria vinculada aos crescentes escândalos de corrupção que envolvem integrantes do gabinete presidencial, além da piora das perspectivas econômicas da Argentina.

Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados consideram que suas situações econômicas pessoais estarão “pior” nos próximos meses, enquanto que 39,7% afirmam que serão “iguais”. Apenas 13,5% dos pesquisados acreditam que o futuro será “melhor”.

As recentes medidas de restrição sobre o dólar também geraram irritação na população, acostumada a guardar suas economias na moeda americana há cinco décadas. Segundo a pesquisa, 59,8% dos argentinos discordam das medidas de controle do governo.

A pesquisa também indica que a movimentação dos setores ultra-kirchneristas para modificar a constituição nacional, de forma a permitir uma eventual segunda reeleição de Cristina em 2015, é rejeitada por 61% dos argentinos.

A crescente insatisfação, especialmente na classe média, ficou evidente com os panelaços que milhares de argentinos realizaram nas últimas duas semanas na cidade de Buenos Aires. Para esta quinta-feira espera-se um novo panelaço convocado pelas redes sociais. A irritação também cresce nas províncias do interior do país, onde os governadores, sem verbas federais, estão paralisando as obras públicas. Os governos provinciais também enfrentam crescentes problemas para pagar o funcionalismo público e seus fornecedores.

Neste cenário de incertezas econômicas mundiais e de queda de popularidade acelerada, nos últimos dias especulações no âmbito político indicaram que o governo avalia antecipar as eleições parlamentares do ano que vem de outubro para março (em 2009, apertado pela crise internacional, o governo Kirchner havia antecipado as eleições parlamentares de outubro para junho).

RECESSÃO

A Universidade Di Tella anunciou que a economia argentina entrará em estado de recessão no segundo semestre deste ano. O Centro de Investigação de Finanças (CIF) dessa universidade, que elabora o “Índice Líder” (índice que tenta antecipar as mudanças do ciclo da economia) afirmou que “a probabilidade de entrar em recessão é de 98%, superando pela primeira vez o limite de 95% registrado em fevereiro de 2009”, época em que o país teve um período recessivo provocado pela crise mundial daquele ano. Na ocasião, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), somente reconhecia um “estancamento” da economia mas não admitia a recessão calculada pelos economistas independentes, sindicatos e associações empresariais.

Segundo o diretor do CIF, Guido Sandleris, “historicamente, sempre que o limite de 95% de probabilidades foi superado, o país entrou em recessão dentro do período dos seguintes seis meses”.

Em boa parte, esta recessão – afirma a Universidade – seria causada pelas medidas de restrição do governo da presidente Cristina Kirchner na área do câmbio e nas barreiras contra as importações de insumos para a indústria nacional. “Estas medidas provocam uma queda no nível de atividade econômica”, sustentou. Além disso, afirmou que também possuem influência no surgimento de uma eventual recessão argentina a crise internacional.

Diversos setores da economia estão registrando um rápido esfriamento da atividade, entre os quais a construção civil.

No início do ano a consultoria Analytica calculava que a economia argentina cresceria 4% neste ano. Mas, atualmente calcula que crescerá 3,4%. O ex-secretário de programação econômica, Miguel Bein, calculava um crescimento de 3,5% do PIB. Mas, as estimativas atuais estão no patamar de 3%. Outras consultorias afirmam que o crescimento será de 2%. O governo Kirchner, no Orçamento Nacional, havia previsto um aumento de 5% em 2012.

Para complicar as contas do governo, a arrecadação tributária em maio pela primeira vez cresceu menos que a inflação. Enquanto a arrecadação subiu 20,4%, a inflação (segundo os cálculos extra-oficiais de economistas independentes e sindicatos), aumentou 24%.

Vários goverrnos provinciais, para tentar fechar suas contas, aprovaram aumentos tributários. No caso da província de Buenos Aires, a aplicação de um “impostaço” agrário, desatou um locaute dos ruralistas. Na segunda-feira as associações de agricultores decidiram ampliar para todo o país o protesto originalmente restrito ao território bonaerense.

As incertezas sobre a economia argentina fizeram a taxa de risco do país disparar nas últimas duas semanas, passando de 1.225 pontos básicos para 1.525.

AUTOMÓVEIS

A Renault, instalada na cidade de Santa Isabel, na província de Córdoba, suspendeu durante dois dias 2 mil operários na semana passada. O motivo da suspensão foi a queda das vendas de automóveis para o Brasil, cujo mercado, desde o início do ano, importou 30,6% a menos veículos Made in Argentina. A empresa, que acumulou um estoque de veículos por causa da queda, não descarta que ocorra um panorama similar nos próximos meses. Desta forma, as suspensões poderiam ser repetidas em julho e agosto.

A empresa paralisará sua fábrica, mas pagará 75% dos salários de seus operários suspensos, segundo comunicou o sindicato do setor em Córdoba.

Segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa), a produção automotiva argentina despencou 24,4% em maio em comparação com o mesmo mês de 2011. As vendas para o mercado interno caíram 15%, enquanto que as exportações automotivas argentinas para todo o mundo desabaram em 45%.

Do total produzido em maio – 60.206 unidades – foram exportados 28.650 veículos.

O setor calcula que será impossível alcançar a meta de produção de 900 mil unidades em 2012.

Máximo Kirchner, o filho da presidente Cristina Kirchner.

FILHO INTERNADO – Máximo Kirchner, primogênito da presidente Cristina Kirchner, foi levado às pressas no avião presidencial Tango 01 na segunda-feira de madrugada desde Rio Gallegos, no extremo sul da Patagônia, à Buenos Aires, onde foi internado no Hospital Austral, da Opus Dei. Nesse mesmo estabelecimento a presidente Cristina esteve internada em janeiro por seu “não-câncer”.

Máximo, que formalmente é o líder de “La Cámpora” – denominação da juventude kirchnerista – foi internado por uma “atrite séptica do joelho”.

E, para embalar esta 3afeira de céu plúmbeo, um “poquitín” de Fats Waller, interpretando “You’re Not The Only Oyster In The Stew”


 

   

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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