Pinguins da fuzarca
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Pinguins da fuzarca

arielpalacios

13 de março de 2009 | 08h00

NestorCris

UM CENTRO AVANTE TEMPERAMENTAL – O ex-presidente Néstor Kirchner – esposo da atual presidente, Cristina Kirchner (e portanto, “primeiro-cavalheiro”) – não estava acostumado a ser derrotado na política. Nunca havia perdido uma eleição até o domingo passado, quando padeceu um substancial sopapo político nas eleições legislativas da pacata província de Catamarca. Kirchner reagiu furioso com a derrota e culpou a imprensa pelo resultado eleitoral.

“El Pingüino” (O Pinguim), como é chamado popularmente, tampouco está acostumado a perder no futebol. No entanto, nessa área, dificilmente Kirchner poderia ser vítima do “Efeito Catamarca”. Ele toma precauções para evitar isso.

Nos jogos que convoca todas as sextas-feiras na residência oficial de Olivos, o ex-presidente corre como centroavante pelo gramado, no comando de um time composto por ministros e secretários. O time rival também é formado por integrantes do governo. Mas, Kirchner sempre escolhe os melhores para jogar de seu lado

“Kirchner não respeita todas as regras” nos jogos de futebol, afirmou o jornal portenho “Crítica”, citando fontes do entourage político-futebolístico do ex-presidente. A ausência de respeito pelas regras também foi uma constante reclamação das lideranças da Oposição, investidores internacionais e até presidentes de países sócios do Mercosul (que tiveram que suportar inesperadas e controvertidas atitudes do ex-presidente, sobre as quais, no futuro próximo, dedicaremos uma longa postagem).

Segundo o jornal, no gramado, “Kirchner faz gritarias e está obcecado em vencer sempre”.

Kirchner é considerado pelos analistas políticos, a Oposição e a população, o “verdadeiro poder” no governo. Nesse contexto, nenhum dos jogadores do time rival arrisca-se a marcar o centroavante Kirchner de forma rigorosa. Ele também anuncia faltas “invisíveis” para o resto dos jogadores. “E esperneia se as coisas não acontecem tal como esperava”, afirma o “Crítica”.

MENEM E A SOLÍCITA BOLINHA – O ex-presidente Carlos Menem (1989-99) era famoso por fazer trapaças em seus jogos de golfe. Um assessor do então presidente sempre estava preparado para desaparecer as bolinhas que caíam em lugares pouco convenientes para o handicap presidencial. O assessor contava com um furo previamente preparado no bolso da calça para jogar desde ali dentro uma bolinha substituta no melhor lugar para “El Turco”, como é conhecido.

Em 1987, quando era governador, Menem também foi acusado de fazer trapaça no rali Gran Chaco. Ele teria sido transportado em helicóptero para um ponto mais avançado do trajeto, onde o teria esperado outro carro.

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Menem, na famosa sequência de fotos batizada de “A Metamorfose”

VERBORRAGIA PINGUIM – Voltamos aos Kirchners. O jornal Crítica realizou um levantamento sobre a frequência de discursos realizados pela presidente Cristina Kirchner. Exceto os domingos – dia de repouso verbal – a presidente (que faz questão de ser chamada de “presidentA”, ressaltando sempre a letra “a” final), “La Pingüina” (a pinguim-fêmea), como é denominada popularmente, realizou um discurso a cada 20,5 horas desde o primeiro dia deste ano. Os assuntos da presidente são variados: vão desde críticas à imprensa até a análise da política internacional, passando pelo lançamento de um plano de troca de geladeiras velhas por novas, que ela própria faz questão de anunciar.

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Os analistas afirmam que a característica “falatória” da presidente Cristina intensificou-se com o passar dos últimos meses. Há poucas semanas, quando fez seu quinquagésimo sexto aniversário, em declarações à Rádio 10 – uma emissora alinhada com o casal presidencial – Cristina chamou a atenção ao lamentar (resignada) que seu marido, antecessor e ex-presidente Néstor Kirchner, famoso por ser desleixado e avesso às convenções, não lhe deu presente algum de aniversário.

No entanto, essa falha não é nova. “Néstor nunca me deu presente algum”, lamentou a presidente. “Melhor nem falemos desse assunto…senão vão dizer por aí que é uma campanha suja contra Kirchner”, disse Cristina, com um tom que oscilava entre irônica e irritada.

Os comentários de Cristina – que chamaram a atenção (já que a presidente nunca faz referências à sua vida matrimonial) – reforçaram a lenda de que o ex-presidente Kirchner é um contumaz muquirana.

POPULARIDADE: Cristina Kirchner foi eleita com 45,6% dos votos em outubro de 2007. Atualmente, segundo uma dezena de pesquisadores de opinião pública, a aprovação popular da presidente, no melhor dos casos, não passa de 26%.

Todas as fotos da postagem de hoje são da Presidência da República Argentina

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