Primeiro-cavalheiro usa estrutura do governo para fazer campanha
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Primeiro-cavalheiro usa estrutura do governo para fazer campanha

arielpalacios

10 de maio de 2009 | 05h05

nESTORcris
Cristina governa, Néstor tem o poder (foto da presidência da República Argentina, no dia da posse de Cristina. El Pingüino não larga o bastão presidencial, que deveria passar à esposa)

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pode considerar-se um “primeiro-cavalheiro” afortunado. Casado com sua sucessora, a presidente Cristina Kirchner, “El Pingüino” (O Pinguim), como é chamado popularmente – embora não possua cargo algum no governo da esposa – utiliza constantemente a estrutura da presidência da República para fazer sua própria campanha eleitoral.

Kirchner encabeçará a lista de candidatos a deputados da Frente pela Vitória, uma sublegenda do governista Partido Peronista (Justicialista).

O advogado Ricardo Monner Sans – famoso por ter alertado para diversos casos de corrupção de presidentes (desde Carlos Menem até Fernando De la Rúa), denunciou o ex-presidente Kirchner na Justiça por “uso indevido de bens públicos”.

“Notícias”, a principal revista de informação semana do país, denunciou que o esposo da presidente já gastou US$ 12,7 milhões em sua campanha (que ainda não começou oficialmente).
O tradicional jornal “La Nación” também alertou sobre o uso indevido dos fundos do Estado por parte do ex-presidente.

A “Notícias” estampou uma foto de Kirchner descendo do helicóptero presidencial, acompanhado pelo Ministro do Interior, Florencio Randazzo. A foto, que foi removida há dias do próprio site da presidência da República, indica que o ex-presidente faz uso não só dos meios de transporte do governo, como também utiliza os ministros da própria esposa para ajudá-lo na campanha.
Segundo a revista, Kirchner utiliza atualmente 30 funcionários de sua esposa para organizar seus comícios.

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Kirchner, que não possui cargo algum no governo, desce do helicóptero da Presidência da República, acompanhado por Florencio Randazzo, Ministro da Justiça de sua esposa Cristina. Randazzo faz horas extras como assessor do ‘primeiro-cavalheiro’

Os comícios do ex-presidente são filmados pela produtora costumeiramente utilizada pela presidente Cristina, que tem o sugestivo nome de “La Corte” (A Corte). Os comícios de Kirchner são transmitidos pelo canal 7, a emissora estatal. Segundo o Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Equidade e Crescimento (Cippec), este uso da televisão é “injustificável”.

Além do helicóptero da esposa-presidente, Kirchner já usou o helicóptero da Gendarmería (corpo especial das forças de segurança) destinado para o transporte de pessoas doentes.
Recentemente realizou comícios na província de Jujuy, para onde viajou em um Lear Jet da presidência. Ocasionalmente também usa o helicóptero do governo da província de Buenos Aires (o governador bonaerense é seu ex-vice-presidente, Daniel Scioli).

Além disso, Kirchner aproveita os analistas de opinião pública pagos pelo governo para fazer suas próprias pesquisas sobre sua popularidade.
Até os taquígrafos da presidência não escapam dos pedidos de Kirchner para anotar seus discursos, posteriormente reenviados à mídia e políticos aliados por intermédio de mails da Casa Rosada, o palácio presidencial.

Kirchner apresentaria sua candidatura de forma oficial nesta semana, dia 14, no Teatro Argentino, na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires.

Em 2007 a então primeira-dama e senadora Cristina Kirchner também usou intensamente a máquina do Estado argentino (quando o atual ‘primeiro-cavalheiro’ era presidente) para fazer sua campanha presidencial.

Nos anos 90, o então presidente Carlos Menem (1989-99) usava a estrutura do Estado para festas e viagens de amigos.
Em 1997, sua filha, Zulemita Menem, utilizou o avião presidencial, o Tango 01, para transportar o bolo de aniversário do pai.
Nos 1.153 quilômetros que separam Buenos Aires de La Rioja, província natal de Menem, os únicos passageiros foram Zulemita e o bolo.

menemtrucho
Durante os dez anos e meio em que esteve no poder, o entourage de Menem – com bastante frequência – destinava a estrutura do Estado para usos pouco ortodoxos. Em 1995, um dos mais fiéis menemistas, o presidente da Casa da Moeda, Armando Gostanián, ordenou a impressão de milhares de notas – com papel moeda original e linha d’água – com a efígie de seu chefe, seguindo os padrões das cédulas reais de pesos.
As notas – impressas “de brincadeira” na Casa da Moeda por Gostanián, para agradar seu chefe – foram denominadas de “Menem-truchos” (a expressão ‘trucho’ é usada para designar algo ‘falso’)
Os menem-truchos ostentavam a legenda “Um valor que estabilizou o país”. Atualmente, essas notas podem ser encontradas em casas numismáticas no centro portenho.

LEITURA ADICIONAL
Para aqueles que quiserem ler mais sobre as eleições parlamentares argentinas de junho, podem ver a matéria que publiquei neste domingo no jornal. O link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090510/not_imp368369,0.php

Nesta segunda-feira saiu outra matéria no jornal sobre as eleições. Esta trata sobre como a crise econômica pode provocar uma perda de eleitorado para o casal Kirchner. O link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090511/not_imp368760,0.php

Outra opção é ler no La Nación este artigo (publicado neste domingo), que explica como está a situação política na província de Buenos Aires (que concentra 38% do eleitorado de todo o país). O link: http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1126584&pid=6408207&toi=6256

E este outro link do jornal “Crítica”, também sobre as eleições:
http://www.criticadigital.com/index.php?secc=nota&nid=23066

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