Que saudade, Georgie!
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Que saudade, Georgie!

arielpalacios

14 de junho de 2011 | 14h39

Jorge Luis Borges. Ou “Georgie”, segundo era chamado pelos amigos e parentes. Há exatos 25 anos ele partia deste mundo para tornar-se tal como em seu poema sobre sua amada Buenos Aires em “eterno como a água e o ar”. 

Há um quarto de século o escritor argentino – ou universal, segundo vários críticos – Jorge Luis Borges, falecia em Genebra aos 86 anos. Hoje relembramos o autor de “O Aleph”, “O Informe de Brodie”, “Ficções” e “O Livro de Areia” com uma variada postagem.

Começamos por seus “causos” e depois passaremos à cartografia borgiana. Amanhã, 4afeira, teremos postagem sobre polêmica sobre o lugar de enterro e o destino de seu corpo. Na 5afeira veremos as posições políticas peculiares deste homem que definia-se como “um anarquista à moda de Spencer” e finalmente algo sobre Borges e as mulheres e os mitos sobre sua obra (Mick Jagger de lambuja).

CAVALHEIRISMO E SUICÍDIO – Borges preparou um pequeno conto para o jornal “La Nación” em 1977 no qual ele próprio era protagonista. No relato ele explicava que sonhava consigo mesmo e via como suicidava-se no dia 24 de agosto de 1983, data na qual completaria 84 anos. Os anos passaram. Enquanto isso, muitas pessoas estavam preocupadas por um eventual suicídio real do escritor na data marcada. Borges – que viveria ainda outros três anos – comentou na ocasião: “o que faço? Me comporto como um cavalheiro e transformo em realidade essa ficção para não decepcionar as pessoas? Ou eu faço de conta que estou distraído e deixo a data passar?”

MORTE PREMATURA – Anos antes da morte de Borges em 1986 na Suíça, os jornais franceses, além do New York Times, publicaram a notícia de que ele havia morrido. Preocupado, o ensaísta Ulysses Petit de Murat tentou entrar em contato Borges, até que conseguiu encontrá-lo e confirmar que estava vivo. Murat expressou a Borges seu desagrado pela “notícia apócrifa de sua morte”. Borges corrigiu: “apócrifa não…somente prematura”.

FUNERAL NÃO-DECIMAL – Aos 99 anos, em 1975, morreu Leonor Acevedo de Borges, mãe do escritor, que nos 20 anos anteriores, por causa da cegueira do filho, havia servido de secretária para os textos que ele lhe ditava. No velório, uma mulher lhe deu os pêsames e disse “coitada de dona Leonor, morrer tão pouco antes de fazer 100 anos. Se tivesse esperado um pouquinho mais…”. Borges lhe respondeu: “percebo, minha senhora, que é uma devota do sistema decimal!”.

SER OU NÃO SER – Borges caminhava pela rua, sozinho, quando uns rapazes que passavam de carro lhe perguntam “Mestre! Quer que o levemos? Para onde vai?”. Borges lhes responde “para minha casa, na rua Maipú”. Já dentro do carro, a ponto de chegar, o escritor pergunta: “Como é que vocês perceberam que era eu? Ah, claro, porque sou Borges….”.

MEDIOCRIDADE – Nos anos 80, na França, Borges estava sendo entrevistado para a TV, quando o jornalista lhe perguntou se percebia que era um dos grandes escritores deste século. Com sua habitual elegância para escapar das lisonjas, Borges respondeu: “é que este foi um século muito medíocre”.

METAFORICÍDIO – Borges um dia foi ao banco, onde uma funcionária lhe disse: “embora eu saiba (de memória) qual é seu saldo bancário, vou verificá-lo, pois não gostaria de dizer uma coisa e que seja outra”. Borges depois relatou ao amigo Esteban Peicovich: “essa senhorita acabou de assassinar a metáfora”.

UM BLEFE, EMBORA INVOLUNTÁRIO – Nos anos 60 Borges realizava uma série de conferências em várias universidades americanas. Em uma delas, uma pessoa na platéia levanta-se e grita: “Borges, o senhor é um blefe”. Borges respondeu com voz suave: “sim, mas leve em conta que é involuntário…”.

Em outra conferência um estudante contestador grita ao escritor: “você, Borges, está morto!”. Borges retrucou: “é verdade, só existe um erro nas datas”.

A TRADICIONAL ESCADA – Borges está um dia, nos anos 60, na espera do elevador na Biblioteca Nacional, da qual era diretor. Depois de esperar muito tempo, impaciente comenta para a pessoa que o acompanhava: “não prefere que a gente suba pela escada, que já está totalmente inventada?”

AMEAÇAS E AMEAÇADOS – No início dos anos 70 Borges havia realizado duras declarações contra o Peronismo e críticas sobre Evita Perón. Imediatamente o escritor começou a receber telefonemas de simpatizantes peronistas que o ameaçavam de morte. No entanto, os anônimos autores das ameaças depararam-se com a sra Leonor, a mãe do escritor, que morava com ele no pequeno apartamento da rua Maipú. A nonagenária dama indicava aos simpatizantes peronistas que não seria difícil matar seu filho, já que ele era cego, e portanto, não existiam riscos para seu assassino, já que dificilmente ele se defenderia. O próprio Borges colaborava com os autores da ameaça, passando o endereço exato de sua residência. “O sr. não tem como errar. Na porta existe uma placa na qual está escrito ‘Borges’. E quem abre a porta sou eu”.

SINCERIDADE E ESTADO – Durante uma entrevista à revista portenha “Siete Días” em 1973 o jornalista conversava com Borges sobre as modalidades de Estados.

– Que tipo de Estado desejaria?

– Um Estado mínimo, que não fosse notado. Morei na Suíça cinco anos e ali ninguém sabia o nome do presidente.

– A abolição do Estado que o senhor propõe tem muito a ver com o anarquismo.

– Sim, exato, com o anarquismo de Spencer, por exemplo. Mas não sei se somos suficientemente civilizados para chegar ali.

– Acredita seriamente, sr. Borges, que tal Estado é factível?

– Evidentemente. Mas, uma coisa é verdade: será preciso esperar 200 ou 300 anos.

– E enquanto isso?

– Enquanto isso a gente se f…

DEUS E SUA SUBALTERNA MÃE – O editor polonês-americano Walter Bara, da editora McGraw-Hill conta a Borges que havia estado em um avião que quase estatelou-se no chão porque um de seus motores havia desprendido da fuselagem. No entanto, depois de uma vertiginosa queda, o piloto conseguiu equilibrar o avião e aterrissar. Bara cumprimentou o piloto efusivamente. Mas, os outros passageiros ficaram zangados com ele, já que atribuíam a salvação de suas vidas à uma medalhinha da Virgem Maria que uma das passageiras pegou em sua maleta quando o avião caía. Borges ouviu o relato e comentou: “isto é, Deus havia ordenado que o motor se soltasse e que eles morressem. Mas, graças a um apelo à Virgem, intervém um subalterno de Deus (a Virgem em questão) e muda os planos. Como alguém pode pensar assim?”.

DEUS E SEU GOSTO POLÍTICO – Nos anos 70 Borges comenta uma peculiar teogonia: “As pessoas diziam que Deus era peronista. Que gosto Deus tem! Mas, bom, isso não me surpreende…” 

REVOLUÇÃO – Em outubro de 1967 um estudante interrompeu a aula de literatura inglesa proferida por Borges na faculdade anunciando que as aulas teriam que ser imediatamente interrompidas pela recém-ocorrida morte de Che Guevara. Borges diz ao estudante que terminará sua aula, e que depois os alunos poderão prestar a homenagem. O estudante grita que tem que ser nesse instante e que Borges terá que ir embora. O escritor replica: “Não vou embora. Se você for tão valente, venha em tirar daqui”. O aluno ameaça apagar a luz da sala. E Borges responde: “Eu já tomei a precaução de ser cego esperando este momento…”.

COPO D’ÁGUA – Borges está sentado, pronto para dar uma conferência no Hotel Bauen, em Buenos Aires. Na sala, o público conversa sem parar. A organizadora, Silvia Gherghi, lhe pregunta se pede silêncio para que ele possa começar a conferência. Borges lhe pergunta se em cima da mesa há um copo d’água e uma jarra, como ele pediu. A organizadora diz que sim, e ele então comenta com um sorriso maroto: “então não peça silêncio. Eu vou fazer de conta que procuro o copo, lentamente, como se não pudesse encontrá-lo. Isso faz as pessoas se calarem rapidamente”.

DE SHAKESPEARE A CERVANTES – Borges aprendeu o inglês com sua avó britânica Frances Haslam. E foi no idioma de Shakespeare que escreveu seu primeiro conto, quando era criança. Apesar de ter recuperado expressões típicas do interior da Argentina e o uso de gíria, o suposto peso do idioma inglês na literatura de Borges criou o mito de que o escritor primeiro escrevia em inglês para depois passar seus textos ao espanhol.

Cansado de ser perguntado frequentemente pelos jornalistas sobre o assunto, Borges comentou com ironia, citando um argentiníssimo poema seu: “outra pergunta que me repetem sempre é se tudo o que eu escrevo primeiro o faço em inglês e depois o traduzo ao espanhol. Eu digo que sim, e que, por exemplo, ao ler os versos “Siempre el coraje es mejor/ nunca la esperanza es vana/ vaya pues esta milonga,/ para Jacinto Chiclana” (Sempre a coragem é melhor/ nunca a esperanza é vã/ vai, pois, esta milonga/ para Jacinto Chiclana) dá para perceber que foram pensados em inglês. E, dá para perceber, inclusive, os vacilos do tradutor…”.

ÓCULOS E A AUSÊNCIA DOS MESMOS – No início dos anos 80 Borges estava reunido com seu amigo e escritor Adolfo Bioy Casares.

Bioy comenta sobre seus problemas de vista: “que coisa incômoda é não ver sem os óculos”.

Borges, que estava cego há quase três décadas, replica: “que coisa incômoda é não ver com os óculos”.

Borges era admirado por escritores de ficção científica como James Graham Ballard (1930-2009), britânico-chinês (nasceu em Shanghai). Nesta foto, à esquerda o autor de “História Universal da Infâmia”; à direita o autor de “O mundo submerso” e de “O Império do Sol”

UM FUTURO OBITUÁRIO ENCICLOPÉDICO – Uma década antes de morrer Borges também escreveu uma peculiar biografia de si próprio, imaginando como os enciclopedistas do futuro fariam referências sobre ele e sua obra. As auto-ironias abundam, começando por seu nome errado no verbete (Isidoro era seu avô paterno). Esta biografia – futuramente publicada em Santiago do Chile (!!!) – aparece no epílogo das “Obras Completas”, publicada pela Emecé Editores,

Para vocês, no idioma original, para sentir melhor o sabor:

 A riesgo de cometer un anacronismo, delito no previsto por el código penal, pero condenado por el cálculo de probabilidades y por el uso, transcribiremos una nota de la Enciclopedia Sudamericana, que se publicará en Santiago de Chile, el año 2074. Hemos omitido algún párrafo que puede resultar ofensivo y hemos anticuado la ortografía, que no se ajusta siempre a las exigencias del moderno lector. Reza así el texto: 

BORGES, JOSÉ FRANCISCO ISIDORO LUIS: Autor y autodidacta, nacido en la ciudad de Buenos Aires, a la sazón capital de la Argentina, en 1899. La fecha de su muerte se ignora, ya que los periódicos, género literario de la época, desaparecieron durante los magnos conflictos que los historiadores locales ahora compendían. Su padre era profesor de psicología. Fue hermano de Norah Borges (q. v.). Sus preferencias fueron la literatura, la filosofía y la ética. Prueba de lo primero es lo que nos ha llegado de su labor, que sin embargo deja entrever ciertas incurables limitaciones. Por ejemplo, no acabó nunca de gustar de las letras hispánicas, pese al hábito de Quevedo. Fue partidario de la tesis de su amigo Luis Rosales, que argüía que el autor de los inexplicables Trabajos de Persiles y Segismunda no pudo haber escrito el Quijote. Esta novela, por lo demás, fue una de las pocas que merecieron la indulgencia de Borges; otras fueron las de Voltaire, las de Stevenson, las de Conrad y las de Eça de Queiroz. Se complacía en los cuentos, rasgo que no recuerda el fallo de Poe, “There is no such thing as a long poem”, que confirman los usos de la poesía de ciertas naciones orientales. En lo que se refiere a la metafísica, bástenos recordar cierta Clave de Baruch Spinoza, 1975. Dictó cátedras en las universidades de Buenos Aires, de Texas y de Harvard, sin otro título oficial que un vago bachillerato ginebrino que la crítica sigue pesquisando. Fue doctor honoris causa de Cuyo y de Oxford. Una tradición repite que en los exámenes no formuló jamás una pregunta y que invitaba a los alumnos a elegir y considerar un aspecto cualquiera del tema. No exigía fecha, alegando que él mismo las ignoraba. Abominaba de la bibliografía, que aleja de las fuentes al estudiante.

“Le agradaba pertenecer a la burguesía, atestiguada por su nombre. La plebe y la aristocracia, devotas del dinero, del juego, de los deportes, del nacionalismo, del éxito y de la publicidad, le parecían casi idénticas. Hacia 1960 se afilió al Partido Conservador, por que (decía) ‘es indudablemente el único que no puede suscitar fanatismos’. “El renombre de que Borges gozó durante su vida, documentado por un cúmulo de monografías y de polémicas, no deja de asombrarnos ahora. Nos consta que el primer asombrado fue él y que siempre temió que lo declararan un impostor o un chapucero o una singular mezcla de ambos. Indagaremos las razones de ese renombre, que hoy nos resulta misterioso…

BREVE CARTOGRAFIA BORGIANA

Jorge Luis Borges amava sua cidade natal, Buenos Aires, da qual uma vez disse que a considerava “tão eterna quanto a água e o ar”. O guia mais completo sobre a relação do escritor com a cidade é “A Buenos Aires de Borges”, do jornalista Carlos Zito, que em entrevista ao Estado fez um panorama da geografia borgiana.

“Borges recriou Buenos Aires de acordo com uma imaginação profícua capaz de envolver o bairro de Palermo em um paradoxo metafísico, uma esquina de San Telmo em um pesadelo e a Praça Once em um incomparável inferno”, sustenta. 

Na seqüência, algumas dicas da cartografia borgiana de Zito misturadas com outras minhas:

AS CASAS DA INFÂNCIA – Borges nasceu em uma casa da rua Tucumán, 840. A residência não existe mais, embora a edificação substituta ostente uma placa de bronze comemorativa. Dois anos depois, sua família mudou-se ao bairro de Palermo, na rua Serrano, 2147, onde moraria até os 13 anos, quando partiria para a Europa. Segundo Zito, ali, passou os anos mais felizes de sua vida, especialmente na biblioteca de seu pai.

“De fato, às vezes penso que nunca saí dela. Ainda posso vê-la”, escreveu Borges anos depois. O bairro onde estava, Palermo, seria o palco de inúmeros contos e ensaios. Na sua juventude era um subúrbio relativamente rude, onde ainda sobreviviam alguns tipos que serviriam para seus relatos: bandidos, jogadores de cartas, músicos e assassinos.

O bairro estava povoado por homens cujo sentido da honra estava tão vinculado à coragem física que pareciam saídos de uma saga medieval. Nas ruas de Palermo, Borges teve seus primeiros contatos com o tango e a milonga, e o vasto material para sua mitologia de Buenos Aires.

Georgie e sua irmã Norah

APARTAMENTO DA CALLE MAIPÚ – No mesmo ano em que publica “Ficções”, em 1944, os Borges se mudam à rua Maipú, 994, apartamento 6B. Ali, o escritor morará durante 41 anos. O apartamento era mínimo: um exíguo hall, uma sala de visitas que se prolongava na sala de jantar, o quarto da mãe de Borges, que faleceu nos anos 70, e o quarto de Epifanía Uveda (conhecida como “Fani”), a eterna e fidelíssima governanta da família. Zito conta que Borges dormia na sala, protegendo sua intimidade com um biombo. Com a morte de sua mãe, o escritor, já septuagenário, conseguiu ter um quarto próprio.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que o visitou em 1981, descreveu seu quarto como “uma cela: estreito, com uma cama tão frágil que parece de criança, e uma pequena estante cheia de livros anglo-saxões”. O quarto também possuía uma velha cadeira cinza com o estofado pintado com uma “Dame à la Licorne” de autoria de sua irmã Norah, duas aquarelas de Xul Solar. Também havia uma emblemática gravura de Piranesi, ilustrando um labirinto. Nesse apartamento Borges ditou à sua mãe suas principais obras: “O Aleph”, “Outras Inquisições”, “O Informe de Brodie”, “Os Conjurados”, entre outros.

BIBLIOTECA NACIONAL – Quando o Peronismo chegou ao poder, Borges foi afastado de seu cargo em uma biblioteca, e colocado como “inspetor de galinhas nas feiras públicas”. Com a queda do presidente general Juan Domingo Perón em 1955, Borges foi redimido, e nomeado diretor da Biblioteca Nacional, situada até o começo desta década na rua México 564.

O novo trabalho recuperou para Borges um velho e esquecido prazer: frequentar a zona sul da cidade. No começo, Borges ainda podia enxergar e ler os títulos dos livros.

Mas, três anos depois, já não via nada. E assim, escreveu o “Poema dos dons”: “Ninguém rebaixe à lágrima ou acusação/ esta declaração do poder/ de Deus, que com magnífica ironia/ me deu ao mesmo tempos os livros e a noite”.

Em “O Livro de Areia”, Borges, personagem ele mesmo de um conto seu, esconde o perverso livro de páginas infinitas que perturbava sua mente. À sua amiga Maria Esther Vázquez uma vez confessou : “em qualquer lugar do mundo onde esteja, sonho com a Biblioteca Nacional…ela é infinita e me pertence”.  

CEMITÉRIO DA RECOLETA – Neste aristocrático cemitério, no mausoléu da família, Borges esperava passar a eternidade. No entanto, hoje repousa em Genebra. “Aqui está a recatada morte portenha”, disse o escritor de La Recoleta. Borges gostava de passear pelo cemitério, onde estão enterrados os principais nomes da História do país.

Em “Fervor de Buenos Aires”, escreveu: “Belos são os sepulcros, /o nu latim e as travadas datas fatais, / a conjunção do mármore e da flor / e as pracinhas com frescor de pátio/ e os muitos ontens da História / hoje detida e única”.

PUENTE ALSINA – Borges e seu inseparável amigo e escritor Adolfo Bioy Casares apreciavam a desolação da ponte Alsina, na zona sul de Buenos Aires (que liga a capital com o município de Lanús). Eles se deleitavam com a fama de bairro de malandros e pessoas armadas de facões.

Um ano antes de morrer, Bioy Casares me disse que “as vezes levávamos algum intelectual recém-chegado da Europa a Ponte Alsina. Sempre perguntavam ‘E agora ?’. ‘E agora nada’, respondíamos. ‘É isto aqui’, explicávamos. Gostávamos dali, não sei porquê…Durante um ano, fomos todas as noites até ali”.

 Ponte Alsina. “E agora?”… “E agora, nada”.

   

E, para encerrar a jornada – sem nada a ver com Borges – um pouco de Giuseppe Torelli (1658 – 1709), aqui.

Mas, agora, tudo a ver com Georgie, aqui vai a Milonga de Jacinto Chiclana, recitada pelo próprio Borges. Aqui.

A mesma milonga, agora cantada pelo supimpa Edmundo Rivero. A música é de outro emblema do tango argentino, Astor Piazzolla. Aqui.

   

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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