Que será, será! Uma dorisdayana jornada, em compasso de espera para saber qual será a sede dos jogos olímpicos de 2020. Madri, Tóquio ou Istambul?
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Que será, será! Uma dorisdayana jornada, em compasso de espera para saber qual será a sede dos jogos olímpicos de 2020. Madri, Tóquio ou Istambul?

arielpalacios

07 Setembro 2013 | 09h17

Doris Day canta “Que será, será”, no filme de Alfred Hitchcock “O homem que sabia demais”.

Hoje no final da tarde uma centena de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) definirão na 125ª. reunião da entidade qual será a cidade que será a sede dos jogos olímpicos de 2020. A disputa está sendo travada pela espanhola Madri, a turca Istambul e a japonesa Tóquio, cidades que enviaram à cúpula olímpica em Buenos Aires seus mais fortes lobistas. O resultado? Um mistério. As chances são bastante similares entre as três. O clima é dorisdayano. Que será, será.

Os espanhóis, ansiosos por uma notícia positiva em meio à pior crise econômica desde a volta da democracia, contam com um time de lobby de peso: o príncipe Felipe de Borbón e o primeiro-ministro Mariano Rajoy, além da prefeita de Madri, Ana Botella. O Japão enviou à capital argentina seu primeiro-ministro Shinzo Abe e a princesa Akiko, enquanto que os turcos estão representados pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Cada país também mobilizou celebridades esportivas próprias ou aliadas, como o caso dos espanhóis, que conseguiram que o argentino Lionel Messi, astro do Barcelona – mas também garoto-propaganda da companhia Turkish Airlines – deixasse por uns dias seu vínculo simbólico com Istambul e respaldasse a candidatura madrilenha.

MADRI – Madri foi candidata para os jogos de 1972, ainda durante o regime franquista. Depois foi candidata para os jogos de 2012 e 2016. Os madrilhenos sustentam que contam como principal ativo o fato de ter 80% da infraestrutura pronta, algo que falta em Istambul. Os espanhóis também alegam que possuem grande experiência na recepção de turistas. No entanto, na lista de “contras” está a lenta recuperação da economia da Espanha, o elevado desemprego e a conflitividade social.

Outro fator que pesa contra é o evidente desespero das autoridades espanholas em exibir uma eventual conquista da sede como um trunfo político que melhore a combalida imagem do primeiro-ministro Mariano Rajoy e afaste da mente dos espanhóis a sequência de escândalos envolvendo a família real.

ISTAMBUL – Se Madri foi insistente, Istambul foiu muito mais, já que pediu ser a sede dos jogos no ano 2000, em 2004, 2008, 2012 e agora para 2020. Os turcos afirmam que não são mais um país “emergente”, mas uma nação que já “emergiu”, que conta com a décimo-sexta economia do mundo. De olho nos patrocinadores, os representantes turcos usam o argumento de que contam com a população mais jovem da Europa. De quebra, afirmam que os jogos olímpicos nunca foram realizados em um país muçulmano (embora os turcos sejam os mais laicos do mundo islâmico).

O hiperativo Hassan Murad, veterano jogador de basquete da Turquia e presidente do Comitê Olímpico de seu país, responde com um amplo sorriso sobre os prós de Istambul, cidade localizada sobre o estreito do Bósforo, no encontro da Europa e da Ásia: “dois continentes ao mesmo tempo! De manhã jogamos vôlei de praia na Ásia e à noite jogamos basquete na Europa. Isso aí não é bom demais? É uma cidade multicultural, uma grande chance cosmopolita para os jogos olímpicos”.

O vice-presidente da UEFA, o turco ?enes Erzik, também é otimista. Em declarações ao Estado, admitiu a falta de infra-estrutura na cidade. No entanto, afirma que esse problema será compensado pela pujança turca para realizar as obras necessária. “Temos sete anos para trabalhar nisso. Estamos preparados”, disse Erzik.

TÓQUIO – A capital japonesa apresenta-se como a “alternativa segura em tempos de incerteza” e exibe, na contra-mão de Madri e Istambul, uma cidade econômicamente estável sem protestos nas ruas. Os representantes japoneses argumentam que contam com infraestrutura moderna e um elevado padrão de rigor ético que reflitiria o espírito olímpico à risca. “Nunca um atleta japonês teve um resultado positivo em um controle antidoping em toda a História dos jogos olímpicos”, afirmou a esgrimista Yuki Ota, medalha de prata em 2008 e 2012. No entanto, pesa contra Tóquio o medo à radioatividade das usinas nucleares japonesas, especialmente após a catástrofe de Fukushima em 2011.

O presidente do Comitê Olímpico Japonês, Tsunekazu Takeda, afirmou que “o nível de radiação da água e da comida em Tóquio é normal. É o mesmo nível de cidades como Londres, Nova York, Paris ou Buenos Aires”. Segundo ele, a capital japonesa é “totalmente segura”, já que “não foi afetada pela radiação” da central nuclear de Fukushima. A usina, protagonista do maior vazamento radioativo do Japão, está a 250 quilômetros ao norte de Tóquio.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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