Sissi e Franz Josef, em uma esquina de Buenos Aires
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Sissi e Franz Josef, em uma esquina de Buenos Aires

arielpalacios

08 de abril de 2009 | 07h00

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A lembrança de Sissi (retratada em 1867, aos 30 anos, no esplendor de seu reinado) e Franz Josef (fotografado em 1910, atormentado, entre vários outros problemas, pela ausência de sua esposa) está presente em uma esquina portenha

Longe das margens do Danúbio azul, o imperador Franz Josef de Hasburgo-Lorena e sua esposa Elizabeth de Wittelsbach (mais conhecida pelo filme “Sissi, a imperatriz”) – protagonistas de um passional casamento no século XIX – são recordados atualmente nas margens do marrom (cor de leão, dizia o escritor Jorge Luis Borges) rio da Prata.
Em Buenos Aires, mais especificamente na esquina da avenida Belgrano e a rua Peru, um edifício – o Otto Wulff – é uma silenciosa homenagem ao casal imperial e às glórias do Império Austro-Húngaro que governaram.

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O prédio possui duas cúpulas verdes, representando a Áustria e a Hungria. Em cima de uma delas, uma coroa de metal simboliza o imperador Franz Josef (falecido em 1916, mas ainda vivo quando o prédio foi inaugurado). Na outra cúpula, um sol com raios de metal representa a imperatriz Elizabeth (falecida em 1888).

O Otto Wulff, atualmente um edifício de escritórios, foi construído originalmente para ser a embaixada austro-húngara.

O edifício começou a ser construído em 1912 em estilo Jugendstil, a versão alemã do art nouveau. Mas, o prédio – projetado pelo arquiteto dinamaquês Morten Ronow – também conta com toques neogóticos, renascentistas e do ecletismo.

A Primeira Guerra Mundial começou em 1914, ano em que o prédio foi inaugurado. Quando o conflito bélico planetário acabou, quatro anos depois, o Império Austro-Húngaro havia deixado de existir.

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Na altura do segundo andar, oito atlantes (figuras humanas, a versão masculina das cariátides) de cinco metros de altura simulam sustentar o resto do edifício.

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Atlante ostenta uma pequena deusa Minerva sobre o globo terrestre

Cada estátua está em uma posição diferente. E cada uma representa uma profissão diversa, em alusão aos trabalhadores que fizeram o prédio (o pedreiro, ferreiro, entre outros).
O prédio também está decorado com condores, pinguins e outros animais da América do Sul.
Foi o edifício mais alto de Buenos Aires na época em que foi construído.

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Condor observa esquina de Belgrano e Peru

A lenda conta que desde suas cúpulas, espiões austríacos e alemães passavam por meio de fachos de luz informações secretas sobre os navios ancorados no porto da capital argentina.

O edifício está escurecido pela fuligem. Por este motivo, para poder observar bem os detalhes, é necessário vê-lo de manhã, quando a luz do sol favorece.

O Otto Wulff está no bairro de Monserrat, a seis quarteirões da Praça de Mayo. Ou, no meio do caminho entre o centro da cidade e o bairro de San Telmo (onde está o famoso mercado das pulgas).
PS: Este é um de meus prédios preferidos. Sou fascinado pelos Atlantes desse edifício (alguns, em posições muito peculiares), que descobri, por acaso, durante umas férias em Buenos Aires quando era adolescente. Além disso, não é fácil encontrar um exemplo de Jugendstil na América do Sul.

Aqui vai um link (em alemão) sobre o Jugendstil (não encontrei um site rico em imagens em português). As ilustrações do site mostram bem o espírito desse estilo:
http://de.wikipedia.org/wiki/Jugendstil

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